O trio que ninguém deveria saber: dois oficiais e seu preso
O comissário Héctor Medina deixou cair uma pasta sobre a mesa e as observou por cima dos seus óculos de leitura. Luz fria de tubo, café já frio nos copos e a sensação de sempre: de que as decisões tomadas ali nunca eram simples.
—Nesta tarde transferimos Rodrigo Villalba para a Unidade Penal de Los Pinos —anunciou sem levantar os olhos dos papéis—. Científico. Vinculado a organizações criminosas de alto perfil. Trajeto de duas horas por estradas secundárias. Vocês duas levam a primeira viatura.
As oficiais Valeria Reyes e Mónica Torres estavam de pé diante da mesa, com o uniforme impecável e o olhar fixo. Há meses pediam esse tipo de missão.
—Não vão sozinhas —continuou Medina, tirando os óculos—. Os oficiais Ramiro e Ernesto escoltam a dez metros, na segunda viatura. Se o detido tentar qualquer coisa, vocês têm autorização total. Alguma pergunta?
Não houve perguntas. As duas oficiais assentiram e saíram.
O que Medina não sabia era que Rodrigo Villalba levava horas com um problema sério. Seu advogado Ignacio, que havia se mostrado eficiente em muitas coisas, cometera naquela terça-feira o pior erro da carreira: em vez do dispositivo de gás sonífero que Rodrigo lhe pedira para facilitar sua fuga durante a transferência, entregara-lhe o protótipo de feromônios concentrados que o próprio Rodrigo desenvolvera durante anos em seu laboratório clandestino. Um composto criado para desativar os inibidores do desejo em qualquer pessoa que o inalasse, um afrodisíaco aerotransportado capaz de transformar a mulher mais disciplinada numa fêmea no cio em questão de segundos.
Rodrigo descobriu isso ao ler as inscrições do cilindro na cela, quando o guarda virou a cabeça por um instante. Não havia tempo para mudar o plano. Só havia tempo para se adaptar ao que tinha.
Não é o que pedi, mas vai funcionar do mesmo jeito. E melhor.
***
A caravana saiu da delegacia às quatro da tarde. Valeria conduzia com as duas mãos no volante e os olhos fixos na estrada que começava a afunilar entre fileiras de pinheiros. Mónica vigiava o detento pelo retrovisor, com a mão perto do cinto. Rodrigo olhava a paisagem pela janela com a calma de alguém que já sabe como termina a história.
A estrada secundária estava deserta. Dez metros atrás, a segunda viatura seguia o ritmo em silêncio. Ramiro dirigia com uma mão relaxada no volante; Ernesto olhava o telefone. Para eles, era uma transferência de rotina.
—Quanto falta? —perguntou Rodrigo do banco de trás, num tom quase entediado.
—Presos não fazem perguntas —respondeu Mónica sem olhá-lo.
—Que pena —disse ele.
E apertou o botão do cilindro que levava escondido na barra do macacão.
O assobio foi quase imperceptível. Uma névoa rosada e densa brotou do dispositivo e se expandiu pela cabine em menos de dois segundos, cobrindo todo o interior. Mónica virou a cabeça, viu a fumaça e abriu a boca para gritar, mas já estava inalando. O primeiro efeito não foi tontura nem perda de consciência: foi calor. Um calor que começou nos pulmões e desceu com uma velocidade cruel para o peito, para o abdômen, para a parte interna das coxas, com uma precisão mais perturbadora que qualquer dor física. Sentiu os mamilos endurecerem sob o colete tático, sentiu a boceta começar a umedecer a roupa íntima regulamentar, sentiu a calça do uniforme colar na virilha encharcada em segundos.
Valeria sentiu os dedos arderem sobre o volante. Sentiu a roupa pesar de um jeito que nunca notara antes, como se cada centímetro de tecido fosse demais. Uma corrente quente desceu do ventre ao sexo e abriu seus lábios por dentro, latejando, exigindo. Apertou as coxas contra o banco e um gemido involuntário escapou pelo nariz.
—Valeria... —murmurou Mónica do banco do passageiro, com uma voz que soou espessa, alheia a si mesma—. Algo está me... molhando...
Valeria virou a cabeça por um instante em direção à companheira. Viu os mamilos de Mónica marcados sob a camisa, as maçãs do rosto coradas, os lábios entreabertos. Esse instante foi suficiente: a viatura saiu do asfalto, esmagou dois metros de capim alto e entrou nos arbustos com um estrondo de galhos. As rodas derraparam na terra úmida e o veículo parou bruscamente numa clareira aberta ao lado de uma pequena lagoa, cercada por pinheiros. O motor apagou sozinho. O rádio chiou estática e se calou.
O silêncio da mata era absoluto.
***
Desceram do carro quase sem coordenação, como se os corpos agissem sozinhos. Abriram a porta traseira e tiraram Rodrigo. Ele saiu sem oferecer resistência e deixou que o ajoelhassem no capim, com as mãos algemadas à frente.
O que as oficiais não sabiam era que, no caos da fumaça, quando Mónica tentara se virar para ele, Rodrigo lhe arrancara as chaves das algemas do cinto com um movimento que ela jamais registrou.
—O que você nos deu? —perguntou Valeria, apontando a arma para ele. A mão tremia. Não era medo. Estava com a boceta tão ensopada que sentia um fio escorrendo pela coxa dentro da calça.
—Nada perigoso —disse Rodrigo, olhando-a de baixo com uma calma irritante—. Só um composto que elimina os filtros. O que vocês sentem agora é exatamente o que sentem, sem camadas por cima. Sem uniforme. Sem hierarquia. Sem a obrigação de fingir que não morrem de vontade de uma boa foda.
—Cala a boca —disse Mónica. Mas não apontou. E, sob a calça tática, sentiu o clitóris pulsar como um segundo coração.
Rodrigo as observou em silêncio. O aroma rosado do composto estava se impregnando nos uniformes como um perfume invisível. As pupilas das duas estavam dilatadas. As respirações eram curtas e mais rápidas que o normal. Mónica esfregou as coxas uma na outra sem perceber e soltou um pequeno arquejo.
—Abaixem as armas —disse ele, com a voz mais baixa—. Vocês não precisam delas aqui. O que precisam está entre as pernas de vocês e eu vou dar.
Foi Mónica a primeira a soltar a pistola. O metal bateu no capim com um som surdo. Valeria a olhou horrorizada, e naquele olhar já havia algo que não era só horror: era reconhecimento. Soltou a sua também.
Rodrigo tirou as algemas com tranquilidade e se pôs de pé diante delas. Sob o macacão de preso, o pau já lhe marcava duro contra o tecido.
***
O calor que o composto gerava não distinguia uma da outra. Em Mónica, morena e de cabelo preso num coque apertado, chegou primeiro à nuca e desceu pela coluna até se cravar na boceta. Em Valeria, loira e de pele clara, chegou ao peito, um formigamento insistente que endurecia os mamilos sob o colete preto e os projetava para fora.
Se entreolharam. Foi Mónica quem se moveu primeiro.
Ela segurou o rosto de Valeria com as duas mãos e a beijou. Não foi suave nem calculado: foi urgente, quase desajeitado, como se os corpos fossem mais rápidos que as decisões. Valeria demorou um segundo para responder, mas quando o fez foi sem reservas: abriu os lábios, deixou a língua da companheira entrar e a chupou com a mesma desesperação. O beijo começou desajeitado, sem coordenação, e depois se tornou profundo e sustentado, com saliva se misturando, com dentes mordendo lábios, com duas línguas brigando dentro de uma boca.
—Estou encharcada —arquejou Mónica contra a boca de Valeria—. Não aguento, Vale, não aguento mais...
—Eu também não —respondeu a outra, agarrando sua bunda por cima da calça tática—. Preciso que você me toque, preciso de algo dentro, qualquer coisa...
Rodrigo se apoiou no capô da viatura e as observou sem pressa, massageando o pau sobre o macacão.
As mãos de Mónica encontraram os botões do uniforme de Valeria. O som dos fechos táticos se abrindo foi se misturando ao dos pássaros e da água parada da lagoa. Os cintos caíram no capim. Os coletes, depois. Valeria ajudou Mónica com o seu, e as duas ficaram só de lingerie, com a pele exposta ao sol da tarde, arquejando contra a lataria da viatura. Mónica baixou o sutiã preto de um puxão e dois seios brancos, redondos, com os mamilos rosados e duros como pedrinhas, saltaram para o ar livre. Ela se inclinou e abocanhou um deles, sugando forte, enquanto beliscava o outro entre o indicador e o polegar.
—Assim —disse Rodrigo, em voz baixa—. Chupa os peitos dela. Deixa a loira te dar direito.
Valeria gemeu alto e agarrou a cabeça de Mónica empurrando-a contra o peito. Mónica desceu a boca pelo pescoço, pela clavícula, pelo esterno, até o umbigo. Enfiou a mão dentro da calça tática, passou por cima da calcinha encharcada e, ao primeiro roçar no clitóris, Valeria se arqueou contra o metal quente do carro, de olhos fechados.
—Você está pingando —murmurou Mónica com a boca colada ao ventre da companheira—. Está pingando, Vale, você é um rio...
—Me fode, por favor —pediu Valeria com a voz quebrada—. Faz alguma coisa, qualquer coisa, mas faz logo alguma coisa em mim.
Rodrigo se aproximou. Colocou as mãos nas ancas de Mónica por trás e a puxou para si. Ela se virou e o beijou antes de ele terminar o movimento: agarrou a camisa do macacão com os dedos e enfiou a língua na boca dele com uma força que lhe pareceu mais prazerosa do que qualquer coisa que ele tivesse antecipado. Desceu a mão e agarrou-lhe o pau por cima do tecido.
—Você está duro —disse ela, arquejando—. Está bem duro, filho da puta...
—Para você —respondeu ele—. Para as duas.
Com Valeria inclinada sobre o capô esperando, com os seios para fora e a calça já meio abaixada, Rodrigo abriu o cinto de Mónica com uma só mão enquanto a beijava. O material tático da calça caiu no capim. Baixou-lhe o sutiã branco devagar, deixando à mostra dois seios morenos com mamilos escuros e enormes, já endurecidos pelo composto. Enfiou um mamilo na boca e chupou longo, mordiscando-o de leve, enquanto baixava a calcinha por suas ancas. A boceta de Mónica brilhava, inchada, encharcada de um líquido espesso que descia pela face interna das coxas. Rodrigo enfiou dois dedos de uma só vez e ela atirou a cabeça para trás, soltando um grito que cortou o silêncio da mata.
—Ai, isso, isso, isso! —gemeu Mónica—. Mais fundo, mais fundo, me dá mais...
***
O que se seguiu durou mais de uma hora e não respeitou nenhuma ordem preestabelecida.
Rodrigo as conduziu por onde quis, mas sem precisar forçar nada: o composto fazia cada ordem sua soar como a única opção possível. Primeiro Valeria, de pé contra o capô com as pernas abertas e os dedos de Mónica trabalhando em seu interior. Mónica enfiou três dedos até o fundo e os curvou em direção ao teto da boceta, buscando o ponto exato, enquanto com o polegar roçava o clitóris em círculos lentos. Valeria começou a montar na mão dela, movendo os quadris para frente e para trás, com os seios balançando e os olhos em branco.
—Vou gozar, vou gozar, não para, Móni, não para...
—Goza —ordenou Rodrigo de um lado, olhando-as—. Goza na mão da sua companheira.
Valeria gritou. A boceta se contraiu em espasmos em torno dos dedos de Mónica e um jato de líquido espirrou para baixo, molhando-lhe o pulso, escorrendo até o cotovelo. Mónica não tirou a mão: manteve-a dentro, sentindo o sexo de Valeria apertar seus dedos ritmicamente.
Depois Mónica, ajoelhada no capim com a boca em Rodrigo enquanto Valeria a segurava pelos cabelos por trás, incapaz de se afastar da cena. Mónica abriu a boca e Rodrigo a encheu com o pau num empurrão, até o fundo da garganta. Ela tossiu, lágrimas saltaram de seus olhos, mas não recuou: fechou os lábios ao redor do membro e começou a chupar com a cabeça indo para frente e para trás, uma mão na base, a outra nos testículos. Chupava-lhe o pau com uma fome que nem ela mesma reconhecia, deixando fios de saliva pendurados no queixo, gemendo cada vez que ele lhe agarrava a cabeça e a empurrava mais fundo.
—Olha, Valeria —disse Rodrigo—. Olha como sua companheira chupa. Olha como ela engole.
Valeria, ainda tremendo pelo orgasmo anterior, ajoelhou-se ao lado de Mónica e a ajudou: lambeu os testículos de Rodrigo enquanto Mónica seguia com o pau na boca. As duas línguas se encontravam na base, se tocavam, se enroscavam. Rodrigo gemia de olhos fechados, agarrando as duas pelo cabelo com cada mão.
—As duas —arquejou ele—. Quero as duas me chupando ao mesmo tempo.
Mónica tirou o pau da boca e o segurou de lado contra a bochecha de Valeria. Valeria abriu a boca e o levou agora para si, até o fundo. Mónica chupava um testículo, depois o outro, depois subia pelo membro lambendo-o como um sorvete enquanto Valeria o tinha dentro. Quando uma cansava, a outra assumia.
Depois os três juntos, de um jeito que nenhum deles conseguiria descrever com exatidão, mas que resultou perfeito mesmo assim.
Rodrigo penetrou Mónica por trás com um movimento lento e deliberado que a fez soltar um gemido longo contra a pele de Valeria, que estava deitada de barriga para cima sobre o capô quente, com as pernas abertas e a boceta na altura do rosto de Mónica. Mónica enterrou a língua entre os lábios úmidos de Valeria, chupou-lhe o clitóris com os lábios e enfiou a língua dentro, fundo, enquanto Rodrigo a fodia no cu num ritmo que fazia a viatura ranger a cada estocada.
—Fode ela mais forte —gritou Valeria, com as mãos enredadas no cabelo de Mónica, apertando-lhe a cara contra a própria boceta—. Fode direito, Rodrigo, faz ela gozar.
—Assim, Móni —gemeu Valeria ao mesmo tempo—. Assim com a língua, não para, chupa, chupa minha boceta...
O ritmo que construíram foi irregular no começo e depois se assentou em algo mais sustentado, quase mecânico. O pau de Rodrigo entrava e saía da boceta de Mónica com um som úmido, forte, enquanto a língua de Mónica trabalhava dentro de Valeria na mesma cadência. Cada estocada de Rodrigo empurrava o rosto de Mónica mais fundo no sexo da companheira. Valeria se segurava em Mónica pelos ombros, as unhas marcando a pele morena, incapaz de fazer outra coisa além de receber.
Rodrigo não precisava se impor pela voz para sentir que tinha o controle. Tinha-o nos detalhes: em como pegava uma pelo cabelo para mudar o ângulo, em como deslizava a mão livre pelo lado da outra para lhe indicar sem palavras que se virasse, que esperasse, que continuasse. As duas oficiais obedeciam com uma fluidez que o composto facilitava, mas que também era real: o desejo por trás do gás era genuíno, apenas estava desinibido.
Houve um momento em que Rodrigo mudou a posição. Tirou o pau da boceta de Mónica com um som obsceno — brilhava molhado, coberto dos sucos dela — e a fez sentar no capim, com as costas apoiadas na roda da viatura. Pôs-se diante dela e Mónica o recebeu na boca sem que precisasse pedir, chupando o próprio suco do pau dele, com Valeria ajoelhada ao lado, as mãos na cintura de Rodrigo, guiando o ritmo. As duas bocas se alternavam e, às vezes, se encontravam: quando Mónica lhe tirava o pau, Valeria o enfiava; quando Valeria o soltava, Mónica voltava. Às vezes as duas línguas o lambiam ao mesmo tempo, uma de cada lado, e se beijavam com o pau no meio. O som daquela cena no silêncio da mata resultou mais obsceno que qualquer coisa que Rodrigo tivesse planejado no laboratório.
Valeria tocava Mónica enquanto fazia isso: passava as unhas pelas costas dela, apertava seus seios morenos, beliscava os mamilos, levava a mão entre as pernas e enfiava dois dedos na boceta. Mónica respondia com um gemido contra o pau de Rodrigo que lhe vibrava no peito como uma descarga elétrica.
—Vou gozar —arquejou Mónica, tirando o pau da boca por um segundo—. Ele está me fazendo gozar com os dedos...
—Aguenta —disse Rodrigo—. Você goza quando eu mandar.
Mas Valeria não parou: curvou os dedos lá dentro, esfregou o clitóris com o polegar, e Mónica gozou contra a mão da companheira com a boca ainda colada ao pau de Rodrigo, abafando um grito. Valeria tirou os dedos encharcados e os lambu um por um, olhando-a nos olhos.
Rodrigo as obrigou a trocar de lugar. Deitou Valeria sobre o capô, abriu-lhe as pernas e enfiou o pau na boceta com um só empurrão enquanto Mónica a beijava na boca, com os corpos entrelaçados sobre o capô. Valeria gritou ao senti-lo dentro — era mais grosso do que esperava, preenchia tudo — e agarrou-se ao cabelo de Mónica para não se soltar.
—Está duro, Móni —arquejou Valeria contra a boca da companheira—. Está duríssimo, me preenche inteira...
—Eu sei —respondeu Mónica, levando a mão entre as pernas dela, tocando o clitóris no ritmo com que Rodrigo a fodia—. Eu vi ele entrar. Vi você recebê-lo todo.
A pele branca de Valeria contrastava com as mãos morenas de Mónica, que a percorriam sem parar, mordiam-lhe os mamilos, beijavam-lhe o pescoço, e com as mãos de Rodrigo, que apertavam as coxas de ambas por turnos como se quisesse deixar uma marca física do domínio que o gás lhe dera. Mónica subiu ao capô ao lado de Valeria, escancarada, e aproximou a boceta do rosto dela. Valeria, sem interromper as estocadas que Rodrigo seguia lhe dando, pôs a língua para fora e retribuiu o favor: começou a comer o sexo de Mónica por baixo, com voracidade, enquanto Rodrigo continuava a fodê-la por baixo.
O ar da clareira estava carregado do aroma adocicado do composto, misturado com terra úmida e o cheiro de sexo de três corpos em tensão. Os pássaros se calaram. A lagoa refletia o céu sem se mover. O som era uma mistura de gemidos, carne contra carne, da boceta de Valeria recebendo o pau de Rodrigo com um barulho úmido que se ouvia a metros, da língua de Valeria perdida no sexo encharcado de Mónica.
—Vou gozar de novo —gemeu Valeria entre as pernas de Mónica—. Móni, Rodrigo, vou gozar, vou gozar...
Rodrigo a fodeu mais forte, agarrando-a pelas coxas, enfiando o pau até o fundo em cada estocada. Valeria gozou com a língua dentro da boceta de Mónica, gritando contra ela, sacudindo-se inteira. O orgasmo de Mónica veio por cima do dela, quase sem separação, derramando-se na boca da companheira.
Quando Rodrigo chegou ao limite, tirou o pau da boceta de Valeria — brilhava inteiro, inchado, prestes a gozar — e as fez ajoelhar as duas no capim, uma ao lado da outra, de boca aberta. Masturbou-se duas vezes e terminou sobre ambas: o primeiro jato grosso salpicou o cabelo loiro de Valeria e escorreu pela sua testa, o segundo manchou os seios morenos de Mónica, o terceiro e o quarto dividiram-se entre as duas caras, entre os lábios entreabertos, entre as línguas para fora. As oficiais ficaram ajoelhadas por um segundo, arquejando, com a porra escorrendo pelas bochechas, e depois se olharam e se beijaram uma à outra com o sêmen de Rodrigo se misturando na boca das duas.
Ele se deixou cair para trás sobre o capô, arquejando, de olhos fechados e com a convicção de que o mundo lhe pertencia.
***
A primeira a se recuperar foi Mónica.
Não foi dramático. Foi um piscar de olhos, uma respiração mais profunda que as anteriores, e de repente o mundo voltou a ter contornos claros. Viu Rodrigo deitado no capim com o sorriso de superioridade de quem acredita ter vencido. Viu Valeria ao lado dele, começando a sair do transe, com o cabelo grudado e o rosto ainda manchado. Viu o uniforme jogado a três metros. As armas a cinco. A viatura com as portas abertas. Viu o sêmen seco nos próprios seios e lhe subiu uma raiva que apagou o calor do composto de uma só vez.
Tateou o chão sem fazer barulho. Os dedos encontraram uma pedra do tamanho do punho, afiada numa borda. Levantou-se devagar, aproximou-se de Rodrigo e descarregou o golpe na têmpora.
O som foi seco e definitivo. Rodrigo desabou de lado sem dizer nada.
—Valeria —disse Mónica, com uma voz que voltava a ser a dela—. Levanta. Agora.
Valeria piscou, olhou ao redor e se sentou no capim. O horror veio devagar, em camadas. Olhou o próprio corpo nu, o sêmen seco entre os seios, as coxas pegajosas. Olhou Rodrigo inconsciente no chão, olhou Mónica que já procurava as algemas entre o equipamento espalhado.
—O que nos... —começou.
—Esse dispositivo nos drogou —disse Mónica com uma frieza que era pura sobrevivência—. Não fomos nós. Foi o gás. Mas ninguém pode saber disso. Entendeu?
Valeria assentiu. Não precisou de mais explicação.
Vestiram-se em silêncio, com movimentos rápidos e mecânicos. Limparam o que puderam com as camisas do uniforme, esfregando a pele até avermelhar, tirando o rastro da porra com saliva e capim. Arrastaram Rodrigo até a viatura, vestiram-no pela metade e fecharam as algemas com uma pressão que cortava a circulação. Valeria encontrou as chaves do carro no capim e ligou o motor na terceira tentativa. Mónica chamou pelo rádio.
Quando as sirenes da segunda viatura apareceram entre as árvores com as luzes azuis e vermelhas girando, as duas oficiais estavam de pé ao lado do carro, com os uniformes ajustados e o semblante em ordem.
—O que aconteceu? —gritou Ramiro da janela—. Perdemos o sinal e o rastro da primeira viatura.
—Villalba tinha um dispositivo escondido —disse Valeria, com uma calma que ela mesma não entendia totalmente—. Gás lacrimogêneo. O carro saiu da pista por um momento, mas nós controlamos. Ele tentou descer da viatura em movimento e levou uma pancada. Está vivo e algemado.
Ernesto olhou para Rodrigo inconsciente no banco de trás, com um corte fino na têmpora. Olhou para as duas oficiais: os uniformes um pouco amarrotados, as faces coradas, uma marca de mordida mal visível no pescoço de Mónica. Isso podia ser explicado de muitas maneiras.
—Vocês estão bem? —perguntou.
—Perfeitamente —disse Mónica.
***
A entrega em Los Pinos foi feita em quinze minutos. As autoridades receberam o detento em uma maca, revisaram os formulários e não perguntaram pelo golpe na têmpora: naquele lugar os presos chegavam machucados com frequência suficiente para que ninguém levantasse os olhos da papelada.
No caminho de volta, Rodrigo recuperou a consciência e decidiu tentar uma última jogada.
—Que bom a gente se divertiu, hein? —murmurou do banco de trás, com a voz ainda pastosa—. Eu disse que vocês iam se divertir... Como me chupavam, como gritavam quando eu as fodia...
—Mais uma palavra —disse Mónica sem olhá-lo, com uma voz sem temperatura—, e no relatório consta que você tentou fugir. Nestas estradas, isso tem consequências que você não vai gostar. Ficou claro?
Rodrigo não disse mais nada.
De volta à Chefatura, o comissário Medina as recebeu com um aperto de mão e um sorriso satisfeito. Disse que tinha sido uma operação limpa, que seus nomes ficariam no registro como exemplo, que tinham o resto do dia livre.
Valeria e Mónica saíram juntas para o estacionamento. Do lado de fora, o sol já havia baixado atrás dos prédios. Ficaram um instante paradas ao lado da viatura, sem falar.
—Você está bem? —perguntou Valeria por fim.
Mónica demorou a responder.
—Vou ficar bem —disse—. Com o tempo.
Entraram no carro e partiram. A lagoa ficava a quarenta quilômetros dali, em silêncio, entre os pinheiros, guardando o que nenhuma das duas jamais nomearia.