Naquela noite, a troca virou um trio
O gemido abafado que vinha do quarto ao lado acordou Renata antes da luz do amanhecer. Ela ficou imóvel por alguns segundos, escutando, até reconhecer a voz de Carla rindo baixinho do outro lado da parede, entre um ofegar carregado e o estalo úmido inconfundível de uma pica entrando e saindo de um cu molhado. Quatro casais, uma casa de campo perdida entre os morros, uma única regra combinada antes da viagem: o que acontecesse naquele fim de semana ficaria ali.
Esticou o braço para o outro lado do colchão e encontrou frio. Damián não estava.
Sentou-se devagar. O quarto que dividiam tinha sido repartido sem que ninguém dissesse isso em voz alta: duas camas separadas, ela com Damián de um lado, Sofía e Bruno do outro. Mas agora a cama do marido estava vazia e amarrotada, e Sofía a observava da sua, acordada, com um sorriso que não tinha nada de inocente.
— Cadê Damián? — perguntou Renata, ainda com a voz empastada de sono.
— Ocupado — respondeu Sofía, dando de ombros sem parar de sorrir —. Digamos que ele está com a pica metida em boa companhia.
Renata sentiu a fisgada antes de conseguir pensar nela. Ciúme, raiva, algo mais difícil de nomear. Observou Sofía com mais atenção: a respiração acelerada, as bochechas coradas, a mão que se mexia discretamente sob o lençol, dois dedos enterrados até o fundo entre as pernas.
— O que você está fazendo? — disse, séria.
Sofía se sobressaltou um pouco e depois soltou uma risada franca, sem vergonha. Tirou os dedos do cu e os mostrou brilhando, pegajosos, antes de chupá-los sem pressa diante dela.
— Ontem foi uma noite muito longa — confessou —. Bruno me fodeu até eu quase não conseguir andar, e mesmo assim continuei com vontade. — Fez uma pausa, medindo Renata com o olhar —. Você também podia, sabia? Não precisa ficar aí com raiva esperando o seu marido com o cu seco.
— Eu? — Renata arregalou os olhos, desnorteada.
— Você e eu. Aqui. Agora. — Sofía puxou o lençol de uma vez e ficou nua da cintura para baixo, as pernas abertas, o púbis escuro e ainda úmido —. Eu te guio. Vou chupar seu cu até você esquecer como o seu marido se chama.
Renata ficou sem palavras. Não era a proposta que a surpreendia; era a facilidade com que o próprio corpo dela já havia decidido por ela. Sentiu o latejar pesado entre as pernas, a umidade manchando a camisola, os mamilos endurecidos roçando o tecido.
***
Sofía atravessou o espaço entre as duas camas como se fosse a coisa mais natural do mundo e se sentou ao lado de Renata. Beijou-a sem pressa, primeiro só um roçar de lábios, depois abrindo caminho com a língua, até o beijo deixar de ser uma pergunta e virar uma afirmação. Renata fechou os olhos e parou de lutar contra a ideia. A língua de Sofía tinha gosto dela mesma, de xana recém-masturbada, e essa constatação arrancou dela um gemido contra a boca da outra.
Quando se separaram, as duas respiravam fundo.
— Gostou? — murmurou Sofía contra sua bochecha.
Renata assentiu, incapaz de articular qualquer coisa. Sofía a beijou de novo, desta vez com mais fome, e as mãos começaram a percorrê-la por cima da camisola, parando em cada curva, aprendendo-a. Apertou seus seios com as duas mãos, beliscando os mamilos por cima do tecido até fazê-la arquear, e depois desceu até o quadril para esfregar a palma contra o púbis. Renata reagiu meio desajeitada no começo, depois com uma urgência que não reconhecia, empurrando o sexo contra aquela mão alheia.
— Eu sei o que aconteceu entre Carla e você — sussurrou Sofía de repente, deslizando os lábios pelo pescoço dela —. No verão passado. Na piscina.
Renata se enrijeceu.
— Como você sabe?
— Não importa. — A mão de Sofía desceu pelo ventre e entrou sob a camisola, dois dedos abrindo caminho entre os lábios da sua xana —. Não vim te julgar. Vim pra você repetir isso comigo. Você está encharcada, amor. Escuta. — Mexeu os dedos e o estalo úmido preencheu o quarto —. Sua xana já disse que sim.
Com Carla tinha sido um acidente. Uma tarde com vinho demais, uma carícia debaixo d’água, dedos que se enfiaram dentro da calcinha de biquíni e encontraram o clitóris sem permissão, e um segredo que Renata guardara numa gaveta da memória sem nunca mais abri-la. Até agora.
— Nunca fiz isso com ninguém que não fosse ela — admitiu em voz baixa.
— Então tem uma primeira vez pra mim também — disse Sofía, mordendo de leve o queixo dela, enquanto enfiava um terceiro dedo dentro dela e roçava o clitóris com o polegar.
***
Se despiram entre beijos, sem pressa, se descobrindo. Sofía era morena, magra, de corpo firme e seios pequenos com mamilos grandes e escuros; Renata era mais cheinha, de pele quente, peitos pesados e quadris generosos que convidavam as mãos. Sofía a deitou e começou a explorá-la com a língua, traçando uma linha lenta pelo pescoço, pelo esterno, parando nos mamilos para chupá-los um a um até arrancar um suspiro que Renata não soube conter. Mordeu de leve, apertou entre os dentes com uma crueldade justa, e a língua desceu pelo ventre traçando círculos úmidos.
— Mais embaixo — pediu ela mesma, surpreendida com a própria voz —. Chupa meu cu, por favor.
Sofía obedeceu. Abriu-lhe as coxas com uma lentidão calculada e soprou ar quente sobre a vulva antes de baixar o rosto. Quando a boca chegou entre as pernas de Renata, o primeiro contato foi uma descarga que lhe arqueou as costas. A língua se enterrou inteira primeiro, lambendo-lhe a xana do cu ao clitóris num único traço longo, e depois se concentrou em cima, desenhando círculos ávidos ao redor do capuz inchado. Sofía chupava com barulho, sem delicadeza, e de vez em quando enfiava dois dedos para bombeá-la enquanto a língua não parava. Renata mordeu o lábio para não gritar, consciente da parede fina, da casa cheia de gente, de que qualquer um podia ouvi-las. Essa mesma ideia, em vez de contê-la, a incendiou ainda mais. Agarrou a cabeça de Sofía com as duas mãos e apertou o rosto dela contra sua xana, se esfregando sem pudor.
— Assim, não para, não para — ofegava —, continua chupando, vadia, continua…
Foi então que uma risada baixa, masculina, veio da outra cama.
— Bruno está acordado — disse Renata, tentando se sentar.
Sofía ergueu a cabeça, com os lábios brilhando de lubrificação, e acendeu o abajur da mesa de cabeceira. A luz morna revelou o marido deitado de lado, os olhos semicerrados, o lençol jogado de lado e a mão fechada em torno de uma pica dura, grossa, que se acariciava com uma lentidão obscena, sem nenhum disfarce sobre o óbvio de sua excitação.
— Está mais acordado do que nunca — ronronou Sofía —. E não se importa de olhar. Você se importa que ele olhe enquanto eu te chupo?
Renata deveria ter dito que sim. Não disse. Olhou para a pica de Bruno subindo e descendo entre o punho e sentiu a boca se encher de água.
***
Bruno se aproximou sem ser convidado, mas também sem pressa, como quem sabe que já o deixaram entrar. Sentou-se na beira da cama, a pica ereta apontando para o rosto dela, e deixou que fosse Renata quem decidisse. Ela o olhou, depois olhou para Sofía, que assentiu com um sorriso cúmplice, dando-lhe permissão sobre algo que nem sequer era dela.
— Com as duas mãos — disse Bruno em voz baixa quando ela se inclinou para ele —. Devagar. Chupa direito, bem devagar primeiro.
Renata o tocou com timidez primeiro, medindo o peso, a grossura, o pulso quente contra a palma. Lambera a ponta e provou a gota espessa que já despontava na glande. Depois enfiou na boca, primeiro só a cabeça, depois mais fundo, até sentir tocar o fundo da garganta e ter de respirar pelo nariz. Sofía retomava o trabalho por trás, a língua descendo pelas costas dela, mordendo-lhe as nádegas, afastando-as para passar a ponta da língua pelo buraco apertado. Renata gemeu de boca cheia, e o gemido vibrou na pica de Bruno, arrancando-lhe uma blasfêmia.
— Assim, chupa tudo, não tira — ofegou ele, agarrando-lhe o cabelo —. Que delícia você chupa, puta.
Estava presa entre os dois, entre o homem que empurrava sua cabeça contra a pelve e a mulher que lambia seu cu por trás, e a corrente dupla de sensações a deixou sem conseguir pensar. A língua de Sofía subiu do cu à xana e voltou a se enterrar dentro, enquanto dois dedos lhe abriam a vagina de par em par.
— Carla é mais bonita — sussurrou Sofía no ouvido dela, com uma risadinha travessa, depois de subir pelas costas —, mas eu sou mais safada. E tenho a xana mais gostosa. Você vai provar depois.
Renata teria discutido se pudesse. Não pôde. Sofía a deitou de novo, de barriga para cima, abriu suas pernas com uma suavidade deliberada e a preparou com a boca enquanto Bruno se acomodava entre elas, segurando a própria pica e esfregando a ponta contra os lábios escorrendo da xana de Renata. Sofía guiou a rola do marido com uma mão até a entrada e sorriu quando a viu afundar. Quando ele entrou em Renata, ela prendeu o ar; a sensação de plenitude subiu por seu corpo inteiro, a pica forçando sua xana até o fundo, e um gemido longo e quebrado lhe escapou sem que conseguisse segurar.
— Tá tão apertada, sua puta — rosnou Bruno, começando a se mover —. Damián não está te comendo direito.
— Isso mesmo — murmurou Sofía, satisfeita, beijando a coxa de Renata e voltando a subir sobre ela para sentar-se de quatro sobre seu rosto —. Se entrega. Hoje à noite você não deve nada a ninguém. Agora chupa você em mim, amor. Mostra a língua.
Renata mostrou a língua e Sofía se acomodou sobre sua boca. A xana de Sofía era doce e salgada ao mesmo tempo, encharcada, e ela começou a lambê-la com uma voracidade que a surpreendeu, enquanto Bruno continuava a fodê-la cada vez mais forte por baixo. Sofía se esfregava no rosto dela mexendo os quadris e apertava seus seios com as duas mãos, beliscando os mamilos até fazê-la uivar contra sua xana.
***
O ritmo foi se construindo sozinho. Bruno se movia devagar no começo, atento a cada reação de Renata, e quando a sentiu ceder por completo a agarrou pelos quadris com as duas mãos e começou a meter com toda a força, a pelve chocando-se contra a dela com um ruído carnudo que enchia o quarto. Sofía gozou sobre a boca de Renata com um grito rouco, apertando-lhe o rosto com as coxas, e depois se deixou cair para o lado, ofegante, para observá-los.
Bruno a ergueu nos braços sem sair dela. As pernas de Renata ficaram suspensas, enroscadas na cintura dele, e a nova posição mudou tudo: mais fundo, mais vertical, mais impossível de controlar. Ela se agarrou ao pescoço dele e deixou a casa inteira ouvi-la gemer cada vez que a pica tocava o fundo. Sentia a vagina aberta, forçada, latejando ao redor de uma pica que não era a do marido, e essa ideia a fazia gozar em ondas curtas, uma atrás da outra.
Sofía não ficou olhando por muito tempo. Escorregou por trás do marido, beijou-lhe a nuca, mordeu-lhe o ombro, e suas mãos viajaram entre os dois corpos procurando onde se juntar. Agarrou os ovos de Bruno enquanto ele entrava e saía da xana de Renata, e com a outra mão apalpava o cu dela, enfiando-lhe um dedo no ânus. O triângulo se fechou sem que ninguém precisasse mandar: três pessoas se movendo no mesmo compasso, uma sinfonia de respirações entrecortadas, pele batendo contra pele e palavras sujas ditas ao ouvido.
— Quero você por cima — disse Bruno a Renata, ofegando —. Quero te ver me foder como uma cadela.
Ele a deitou sobre a cama e se estendeu de costas, a pica ereta e brilhante de lubrificação, apontando para o teto. Renata o cavalgou com uma liberdade que nunca tinha permitido a si mesma. Sentou-se de uma vez até o fundo e gritou quando o sentiu tocar seu útero. Pela primeira vez era ela quem ditava o ritmo, a profundidade, o momento. Movia-se para frente e para trás, moendo o clitóris contra o osso da pelve, e depois subia e descia em investidas verticais que faziam os peitos quicarem. Inclinou-se para a frente, os seios roçando os dele, e enquanto isso Sofía se acomodou ao lado dela, beijando-a, chupando um a um seus mamilos pendentes, sussurrando ao ouvido o quanto ela estava bem, a quão puta era, como o bumbum dela se mexia. O quarto se encheu de ofegos, de palavras pela metade, do cheiro pesado de sexo.
***
A porta se abriu.
Damián ficou paralisado no batente. Seus olhos levaram um segundo para entender o que viam: sua mulher montada sobre Bruno, com os seios à mostra e a xana enfiada até o fundo, Sofía colada ao corpo dela beijando-lhe a boca, os três enroscados sob a luz morna do abajur. Vinha com o cabelo desgrenhado, o cheiro de outra mulher ainda na pele, a braguilha meio fechada e uma mancha úmida na cueca, e essa contradição tirou dele qualquer direito de se indignar.
Renata não o viu de imediato. Sofía viu.
— Já sei de onde você veio — disse Sofía, sem se mexer, medindo Damián com um sorriso que entendia tudo —. Você ainda está com a cara de Carla marcada na boca. Então não faz essa cara. Deixa ela aproveitar esse momento.
Damián abriu a boca para dizer alguma coisa e não encontrou palavras. A raiva que sentira ao atravessar o corredor se desfez entre os dedos quando Sofía se levantou nua, cruzou o quarto e apoiou uma mão no peito dele. Com a outra, puxou a calça dele de uma vez.
— Você esteve com Carla — murmurou ela, lendo o cheiro no pescoço dele e baixando o rosto para cheirar sua rola —. Dá pra sentir a xana de outra em cima de você. Eu sei e você sabe. Estamos quites. — A mão de Sofía fechou o punho em torno da pica de Damián, que endureceu na hora —. E pelo que sinto, ainda te sobra alguma coisa pra este quarto.
Renata, só então, abriu os olhos e viu o marido. Olhou para ele lá de cima de Bruno, com um brilho desafiador que ele não conhecia, e, em vez de parar, mexeu os quadris mais devagar, mais deliberadamente, subindo até a ponta da pica de Bruno quase sair e descendo depois com força até o fundo, como uma pergunta dirigida só a ele.
— Estou curtindo isso, Damián — disse, com a voz rouca —. Ele está me fodendo gostoso demais. Como faz muito tempo que ninguém me fodia.
***
Ele poderia ter ido embora. Poderia ter gritado, exigido explicações, quebrado a única regra do fim de semana. Em vez disso, ficou, e quando Sofía agarrou sua pica e o levou até a beira da cama, ele se deixou levar. Bruno sustentou o olhar dele por um instante — um reconhecimento silencioso entre dois homens que haviam cruzado a mesma linha naquela noite — e Damián respondeu com um gesto quase imperceptível. Uma trégua. Um consentimento mútuo.
Sofía se ajoelhou diante de Damián e meteu a rola inteira na boca de uma vez, diante da esposa dele, chupando com barulho, pondo a língua para fora entre uma chupada e outra para lamber os ovos dele. Damián agarrou a cabeça dela e começou a foder a boca sem cuidado, olhando fixo para Renata enquanto fazia isso. Renata, montada em Bruno, não desviava os olhos: sustentava o olhar do marido e acelerava os quadris no mesmo ritmo com que ele enfiava a boca em Sofía. A cena se desdobrou: dois casais que tinham deixado de sê-lo por algumas horas, quatro corpos que se rearranjavam seguindo um mapa que ninguém desenhara, mas que todos pareciam conhecer.
Sofía se levantou, com a boca escorrendo saliva e sêmen antecipado, e se colocou de quatro na cama ao lado de Renata. Ofereceu o cu a Damián.
— Me come enquanto tua mulher goza em cima do meu — disse, apoiando a cabeça no ombro de Renata.
Damián se posicionou atrás e a penetrou com uma estocada. Sofía gritou e agarrou o rosto de Renata, beijando-a na boca enquanto os dois homens as fodiam ao mesmo tempo, ombro com ombro, marido com marido, xana com xana. Renata passou a mão por baixo de Sofía e encontrou o clitóris com os dedos, esfregando-o no ritmo das estocadas de Damián.
Quando o clímax chegou, chegou primeiro para Renata. Ela jogou a cabeça para trás e soltou um grito longo que atravessou a casa inteira e silenciou, por um segundo, todos os outros ruídos. A xana se fechou ao redor da pica de Bruno em espasmos violentos e ela desabou para a frente, tremendo. Bruno a seguiu poucos segundos depois, sustentando-a com força pelos quadris e descarregando-se dentro com um gemido longo, enchendo-a de sêmen quente que Renata sentiu espirrar por dentro. Sofía gozou com os dedos de Renata e a pica de Damián quase ao mesmo tempo, empurrando o cu para trás para que ele entrasse mais fundo. Damián aguentou mais alguns segundos e depois saiu, agarrou a própria pica e gozou em jatos sobre as costas de Sofía e sobre a coxa de Renata, marcando as duas mulheres ao mesmo tempo. Olhou para Renata com uma mistura de desejo e vertigem, e sentiu que alguma coisa se rearranjava dentro dele para sempre.
***
Depois veio a calma estranha que segue essas noites. Renata se levantou, ainda tremendo, com o sêmen de Bruno escorrendo pela coxa, e lhe deu um beijo suave. «Foi incrível», disse ela, e ele sorriu. A Sofía apertou a mão, agradecida sem palavras, e lambeu o canto da boca dela para recolher uma gota de sêmen alheio. E a Damián, ao passar por ele a caminho do banheiro, ainda nua e marcada, deixou uma única frase suspensa no ar:
— Você e eu temos uma conversa pendente. Amanhã.
Entrou debaixo do chuveiro buscando um pouco de solidão para entender o que tinha acontecido. A água desceu esbranquiçada por bastante tempo. Enquanto isso, os outros três se dedicaram a reorganizar o quarto em silêncio, juntando as roupas espalhadas, apagando os rastros da noite com uma cumplicidade que tinha algo de incômodo e algo de inevitável.
Nos quartos vizinhos, os outros casais tinham ouvido tudo. Carla e o marido trocaram um sorriso cúmplice; sabiam exatamente o que tinha acordado Renata naquela madrugada e por quê. Ninguém perguntou nada em voz alta. Algumas coisas, naquela casa, eram entendidas melhor sem palavras.
No dia seguinte, quando todos colocaram as malas nos carros para pegar a estrada de volta, os olhares se cruzavam de outro jeito. Mais carregados. Como se cada um guardasse, debaixo da roupa de viagem, um segredo que já não era totalmente seu. A regra foi cumprida: o que aconteceu naquele fim de semana ficaria ali. Mas nenhum deles voltaria a olhar para o próprio parceiro da mesma maneira.





