Meu amante queria me ver com outro e eu aceitei
Rodrigo me olhou fixo e disse que sim, que eu fizesse isso, mas que queria ver tudo. E eu, que achava que ficaria com vergonha, senti exatamente o contrário.
Rodrigo me olhou fixo e disse que sim, que eu fizesse isso, mas que queria ver tudo. E eu, que achava que ficaria com vergonha, senti exatamente o contrário.
Deixei o carro a um quarteirão para não fazer barulho. As luzes estavam apagadas, mas do fundo da casa vinham risadas que não combinavam com reunião nenhuma.
O gás era quase invisível, mas seus efeitos não. Em segundos, o uniforme deixou de ser armadura e virou algo que queimava a pele por dentro.
Eu tinha entrado para comprar um brinquedo. Não esperava acabar no chão da loja, completamente nua, com estranhos me olhando do outro lado de uma caixa caída.
O cartaz prometia orgia, casais, strippers. O que aconteceu naquele motel foi outra coisa: ele me despiu diante de trinta desconhecidos.
Eles passavam anos sem dizer em voz alta. Nessa noite alguém disse, e as duas mulheres se levantaram da mesa sem olhar para trás.
Rodrigo apresentou seus três amigos. Cada um trouxe um envelope e um presente. Valentina olhou para eles e disse que já podiam começar.
Duas mulheres separadas, um apartamento arrumado demais e um baralho que ninguém deveria ter encontrado naquela noite.
Doze pessoas que nunca tinham se visto, uma casa com piscina no campo e duas noites sem roupa. Eu montei tudo. Ninguém foi embora decepcionado.
Estava há um mês pensando naquela noite, e contei tudo a Sandra sem filtros. Ela ouviu em silêncio e no fim disse: tenho inveja. Foi assim que tudo começou.
Fazia um mês que eu não conseguia tirar daquele canto do Industria da cabeça. Nessa madrugada, decidi voltar, mas desta vez não iria sozinha.
Quando a vi na porta, soube que aquele jantar não terminaria como qualquer outro. Vera tinha aquele olhar que dizia tudo sem dizer nada.
Eu estava andando sozinha quando Ernesto se debruçou pela janela do ônibus e me chamou pelo nome. Eu devia ter seguido em frente, mas algo na voz dele me fez parar.
Reservei a cabine só para mim, mas o Danúbio tem um jeito de dissolver fronteiras que nenhum mapa consegue prever.
Eu tinha quarenta e ela cinquenta e dois. Bastou vê-la ajeitando a roupa, achando que estava sozinha, para o ar daquela casa ficar insuportável.
Estávamos há três anos como amantes quando ele me fez aquela proposta. Queria me ver com outro. E saber que ele estava olhando mudou tudo o que senti naquela noite.
Doze anos de amizade e um olhar que dizia tudo. Quando o casamento acabou, Valeria cruzou a porta da suíte e ninguém mandou ela ir embora.
Quando o vi sair entre os aplausos, soube exatamente o que queria. Não sabia que faria isso diante de trinta mulheres que eu não conhecia.
Rodrigo não a expulsou quando ela foi a última a ficar. Sofía também não quis pedir. Os três sabiam, sem dizer, desde que as portas do salão se fecharam.
Quando eu disse para ela se deixar levar, não imaginei que naquela noite Valeria viraria a protagonista mais inesperada de toda a reunião.