O vizinho mais velho que meu marido não suportava
A campainha tocou justo quando eu começava a me entediar da minha vida perfeita. Era ele, o vizinho que meu marido odiava, com uma desculpa boba e um olhar que não era nada bobo.
A campainha tocou justo quando eu começava a me entediar da minha vida perfeita. Era ele, o vizinho que meu marido odiava, com uma desculpa boba e um olhar que não era nada bobo.
Quando coloquei a máscara diante do espelho, deixei de ser eu. O que aconteceu depois naquele jardim eu não contei a ninguém até hoje.
Quando Ataq nos explicou que a hospitalidade inuit incluía compartilhar esposas, minha mulher e eu nos olhamos em silêncio. Naquela noite, o calor não veio do fogo.
A quarta rodada de daiquiri baixou as defesas, mas ninguém esperava que a confissão de Daniela terminasse com todas nós enredadas no tapete da sala.
Acababa de ter sua primeira experiência com outra mulher quando dois desconhecidos puseram a cabeça na zíper e ela soube que a noite mal começava.
Desci ao pátio do bar às duas da manhã porque no meu quarto não dava para respirar. Não imaginava que acabaria seguindo-a até o quartinho dos fundos.
Quarenta e três graus, quatro da tarde, e ela na sacada com a camisola colada ao corpo, sabendo perfeitamente que ia me fazer subir cinco andares.
Eram os amigos do meu filho. Tinham vinte anos e me olhavam como se eu fosse a única coisa que queriam no mundo. Eu devia ter subido sozinha para o meu quarto. Não subi.
Quando vi minha avó beijando aquele homem no espelho do corredor, eu deveria ter voltado para o meu quarto. Em vez disso, fiquei olhando.
Tinham passado três dias desde a primeira vez. Três dias imaginando, sentindo ardor toda vez que fechava os olhos. Naquela tarde, o clube estaria vazio.
Quando subi no barco em Luxor, achei que iria descansar. Três noites depois eu estava nua num terraço sobre o Nilo, sem saber qual corpo me tocaria.
Entrei naquele bar do calçadão procurando frutos do mar e acabei fechando quinze dias com uma desconhecida. Três anos depois, ainda não contei isso a ninguém.
Fazia doze anos que ninguém a olhava assim. Rodrigo tinha vinte, chegou com uma escada e um sorriso, e ela só queria que consertassem o telhado.
Não fiz por dinheiro. Fiz porque tudo me dava igual. Vê-la feliz com outro naquele bar foi o estopim de uma fase que eu não deveria ter vivido.
Quando paramos ao lado deles, a garota já mexia os quadris ao som de uma música. Mateo usava as unhas pintadas. Aquela viagem não ia acabar como tínhamos planejado.
Minha avó tomou a decisão, como sempre. Eu só segui o instinto. O que aconteceu naquela casa durante a tempestade continua sendo só nosso.
Pus a peruca, os saltos e as curvas postiças. Não imaginei que, antes do amanhecer, eu estaria latindo num jardim com os joelhos na terra.
Quando a doutora trancou a porta, entendi que aquela consulta não seria como nenhuma outra. E não foi.
Jogamos pôquer valendo roupa com meus vizinhos. Ninguém disse que mais estava em jogo, mas quando fiquei nu no centro da sala, já não precisávamos das cartas.
Ele chegou recém-separado, com uma mala e tempo livre demais. Desde a manhã na piscina, eu soube que aquela semana não ia ser nada entediante.