A Semana Santa que mudou tudo com minha prima
Quatro anos atrás, a mãe dela entrou a tempo de evitar o pecado. Desta vez, com todo mundo longe e a banda estrondando lá embaixo, ninguém ia abrir aquela porta.
Quatro anos atrás, a mãe dela entrou a tempo de evitar o pecado. Desta vez, com todo mundo longe e a banda estrondando lá embaixo, ninguém ia abrir aquela porta.
Cheguei destruída pela morte dos meus pais. Verónica me prometeu que no Brasil eu aprenderia a esquecer, mas nunca imaginei como minha própria irmã ia me consolar.
Servia o jantar como todas as noites, mas desta vez se ajoelhou ao lado do sofá. Naquela casa, depois da falência, o filho havia imposto uma nova lógica.
Trinta e dois graus, o menino dormindo e um único baralho entre os dois. Quando ela perguntou o que ele queria apostar, ele respondeu com a única coisa que vinha guardando a semana inteira sem coragem de dizer.
Cheguei como acompanhante de um colega, sem convite próprio. Três horas depois eu estava trancado no ático com duas estrelas pornô e sem vontade de sair.
Três gin-tônicas, dois colegas que eu mal conhecia e um sofá. O que começou como uma conversa de escritório virou a noite mais inesperada da minha vida.
Ele disse que eu podia ir embora quando pagasse minha dívida. Não havia correntes naquela porta, e ainda assim meus pés não saíram do lugar.
Ela se levantou irritada porque ele assistia ao futebol e nem a notava. Não sabia que a batida na mesa ia incendiar a tarde inteira.
Eu disse que sim porque me excitava mais do que a ela. O que eu não calculei foi pegar no sono justo quando a coisa ficava boa.
Aceitei o trabalho pelo dinheiro. O que eu não esperava era que o silêncio daquela casa acabasse nos empurrando, aos dois, para algo que nenhum de nós conseguia nomear.
Tinha vinte anos e um namorado me esperando em casa. Naquela tarde de calor, junto à piscina, descobri o quanto o corpo pode arder quando alguém decide se deixar levar.
Ajoelhei-me no centro do salão enquanto elas decidiam, frase por frase, como iriam me transformar. E eu só conseguia desejar que começassem logo.
Segui-o pelo corredor sem pensar, com o coração na garganta. Sabia que, se eu abrisse aquela porta, não haveria volta, e mesmo assim eu a abri.
Eu vinha roubando a roupa suja dele havia anos sem que ninguém soubesse. Na noite em que me descobriu, em vez de me odiar, decidiu usar minha fraqueza como uma coleira.
Ela me disse que nunca havia contado isso em voz alta, que durante anos foi só uma fantasia guardada. Nessa tarde, enfim, deixou um desconhecido fazer o que quisesse com ela.
Entrei no consultório com a garganta seca. Não esperava que ela me pedisse para fechar os olhos e descrever, palavra por palavra, aquilo que eu escondia havia meses.
Minha mulher voltou daquela visita com um brilho diferente nos olhos. A prima dela foi a única testemunha e levou meses para me contar o que realmente aconteceu.
Quando os outros ainda estavam bebendo, eu já tinha Andrés encurralado no beco. Fazia horas que eu não conseguia tirar os olhos dele.
Adrián me ofereceu carona para casa com minha guitarra. Eu deveria ter dito não. Mas havia algo no jeito como ele me olhava que não me deixou responder.
Nos sentamos uma de frente para a outra com um martíni cada. Uma regra: olhar, falar, cheirar. Tocar, proibido. E ela tinha um cubinho de gelo na mão.