A noite em que Sofía e Nadia se entregaram
Sofía não dormia bem havia três dias. Não era ansiedade, exatamente. Era antecipação, que é uma coisa diferente, embora pareça igual por fora. Desde que ela e Nadia confirmaram o encontro com Vera — seis semanas antes, depois de vinho tinto demais e de uma conversa que começou como hipótese e terminou com um formulário assinado em PDF —, sua mente não parara de reconstruir os detalhes do que viria. Todas as noites, sozinha na cama ou com Nadia respirando ao seu lado, ela se tocava na boceta imaginando o que Vera faria com elas, e gozava em silêncio com dois dedos enterrados até o nó, mordendo o lábio para não acordar ninguém.
O estúdio de Vera ficava no porão de um prédio sem letreiro no centro da cidade. Não era um clube nem um estabelecimento com site; era uma agenda lotada por meses e uma reputação que circulava de boca em boca entre quem sabia onde procurar. Vera trabalhava havia doze anos com casais que queriam ir mais longe do que podiam levar para casa, e sua regra era simples: tudo por escrito, tudo negociado, tudo reversível com uma palavra.
A palavra de segurança de Sofía era «mercúrio».
A de Nadia era «topázio».
Nenhuma das duas pretendia usá-la.
Chegaram em silêncio, com a tensão contida de quem esperava por algo havia semanas. Nadia ia na frente no elevador; Sofía podia ver o pulso em sua garganta por trás. Eram um casal havia quatro anos — tinham se conhecido numa convenção, fantasiadas de personagens complementares da mesma série animada — e se conheciam o bastante para ler o estado uma da outra sem precisar nomeá-lo.
— Você está bem? — perguntou Sofía.
— Estou perfeita — disse Nadia, e o pequeno sorriso que surgiu no canto de sua boca confirmava isso —. Já estou molhada.
— Eu também — admitiu Sofía em voz baixa —. Desde que saímos de casa.
Vera as esperava lá dentro. Era uma mulher de quarenta e poucos anos, com o cabelo preso para trás e uma atitude que não precisava de esforço para se impor. Não usava roupas chamativas nem acessórios elaborados; simplesmente estava ali, de braços cruzados e com a expressão de quem passara a tarde inteira esperando exatamente por aquilo.
— Seis semanas — disse ela —. O tempo de espera sempre elimina os impacientes.
Fez com que se sentassem diante de sua escrivaninha. Revisou o contrato com elas, não de forma ritualística, mas com atenção verdadeira. Perguntou sobre os limites específicos, os que haviam marcado no formulário e os que poderiam ter mudado desde então. Sofía confirmou os seus: penetração vaginal e anal permitidas, dedos e brinquedos, cuspir na boca sim, sufocamento não. Nadia acrescentou um novo, relacionado à pressão no pescoço: nada de mãos apertando a garganta, mas coleira de couro sim. Vera anotou sem comentários e sem julgamentos.
— O que vocês pediram é possível — disse ao final —. É tecnicamente complexo. Exige que confiem em mim o tempo todo. Se alguma de vocês deixar de confiar, diga a palavra e terminamos sem perguntas.
Sofía assentiu. Nadia também.
— Ótimo — disse Vera —. Venham.
***
A sala principal ficava no fundo do porão, atrás de uma porta de aço que Vera abriu com uma chave. Era ampla, com paredes de concreto pintadas de preto e uma iluminação quente e direcionada que concentrava a luz no centro do espaço. O chão era de madeira escura. O ar cheirava a couro e a alguma coisa mais difícil de identificar, como o cheiro de um lugar onde acontecem coisas que não têm nome fora daquele contexto.
Sofía viu a estrutura no centro e sentiu o ar lhe faltar por um segundo.
Era exatamente o que haviam pedido. Uma armação de aço com altura ajustável e pontos de ancoragem em várias posições. Vera a preparara com antecedência. Ao lado, sobre uma mesa lateral, havia cordas de seda trançada em várias cores, fivelas de couro e uma fileira de brinquedos que Sofía reconheceu de imediato: dois vibradores tipo varinha, um dildo duplo de silicone preto, prendedores de mamilos com corrente e uma garrafa de lubrificante médico.
— Tirem a roupa — disse Vera, sem nenhuma inflexão especial na voz —. Deixem-na nas cadeiras do canto.
Elas fizeram isso. Era estranho fazê-lo daquela maneira, com aquela frieza quase clínica, mas também fazia parte do que tinham combinado: naquela noite, não seria íntimo da forma habitual. Elas estariam expostas diante de alguém que as controlava, e era justamente isso que procuravam.
Nadia era vários centímetros mais alta que Sofía. Tinha cabelo castanho curto, olhos claros e a postura de quem sabe ocupar o espaço. Nua, sem a armadura das roupas cotidianas, parecia diferente: mais vulnerável e, ao mesmo tempo, mais presente, mais ela mesma. Seus seios eram pequenos e firmes, com os mamilos rosados já endurecidos pelo frio do porão e pelo que estava prestes a acontecer. Entre as pernas, os pelos castanhos eram aparados curtos, e Sofía pôde ver o brilho da umidade já surgindo nos lábios da boceta.
Sofía era menor, de pele clara e cabelo preto até os ombros. Seus dedos tremiam levemente enquanto dobrava a camiseta. Não de medo, mas da mesma antecipação que lhe roubara o sono durante semanas. Tinha os seios mais cheios que os de Nadia, com mamilos escuros que se destacavam, grossos e eretos, e o púbis completamente depilado — ela se barbeou naquela mesma manhã pensando naquele momento —, o que deixava sua boceta inchada e já aberta à vista de todas, com os lábios internos aparecendo entre os externos, brilhantes.
Vera olhou para as duas com calma profissional, sem pressa, avaliando corpos como quem avalia material de trabalho.
— As duas estão encharcadas — disse, sem zombaria, como uma constatação —. Ótimo. Isso economiza tempo.
Vera começou com Nadia. As cordas eram de seda vermelha, macias ao toque, mas firmes sob tensão. Vera trabalhava com uma economia de movimentos que demonstrava anos de prática: primeiro os braços atrás das costas, cotovelos juntos, mas sem chegar ao limite da dor, pulsos presos com um nó que não cortava a circulação, mas não cedia. Com mais duas voltas, a corda subiu por cima e por baixo dos seios de Nadia, apertando-os para fora até ficarem inchados, marcados pelo fio vermelho, com os mamilos repuxados e ainda mais duros. Nadia respirou fundo quando a corda ficou firme.
— Como está? — perguntou Vera.
— Bem — disse Nadia —. Mais que bem.
Vera prendeu um grampo de metal no mamilo direito e depois no esquerdo. Nadia soltou um gemido agudo quando eles se fecharam. A corrente pendia entre seus dois seios, balançando a cada respiração.
Sofía observava do canto, com as coxas apertadas e sentindo o gozo escorrer pela parte interna da perna. A imagem de Nadia imobilizada, com os seios amarrados e os mamilos presos pelo metal, provocava nela uma mistura de coisas que não sabia organizar: ternura, desejo, uma espécie de orgulho por tê-la visto escolher aquilo livremente e uma vontade brutal de fodê-la ali mesmo. Quando Vera se virou para ela, Sofía avançou sem que precisassem pedir duas vezes.
A corda foi mais fria do que esperava no começo. Depois se adaptou à temperatura de seu corpo. Vera ajustou a posição de seus braços com uma pressão firme, mas sem brutalidade, explicando em voz baixa o que fazia e por quê. «Isto vai aqui para que o peso seja bem distribuído. Isto eu alargo um pouco mais porque seus ombros são mais estreitos que os dela.» Sofía escutava e sentia a possibilidade de se mover diminuir a cada volta da corda, e como essa redução não era uma perda, mas algo estranhamente parecido com descanso. Quando Vera passou a corda por baixo de seus seios e os apertou para fora, assim como fizera com Nadia, Sofía soltou um gemido involuntário. Vera colocou os grampos — mais apertados que os de Nadia, calibrados para seu limiar diferente — e Sofía sentiu o golpe de dor se transformar em calor líquido no ventre, um calor que desceu direto para a boceta e a fez apertar a bunda sem conseguir evitar.
— Você está escorrendo por dentro das coxas — observou Vera, e com o indicador recolheu uma gota que descia por sua perna —. Bom sinal.
Enfiou o dedo na boca de Sofía sem aviso. Sofía o chupou, provando a si mesma, com os olhos semicerrados.
Depois Vera as colocou frente a frente.
Era a parte central do que tinham pedido. A estrutura ajustável se tornou o eixo de uma posição que as mantinha unidas: peito contra peito, com os grampos e as correntes se roçando entre elas, o rosto de Sofía a centímetros do rosto de Nadia, suas respirações se misturando no espaço entre suas bocas. Um cinto largo de couro rodeava as duas cinturas e se ancorava à armação, mantendo constante a distância entre seus corpos. Elas não podiam se afastar. Tampouco podiam se esmagar sem controle: Vera calibrara a tensão para haver contato, mas não pressão excessiva. As bocetas das duas ficavam separadas por apenas alguns centímetros, ambas abertas, ambas brilhando.
Sofía olhou nos olhos de Nadia àquela distância mínima. Era uma proximidade próxima demais para o uso cotidiano, o tipo de proximidade que normalmente reservavam aos momentos mais íntimos. Ali, exposta e amarrada, resultava intensa de uma maneira diferente, sem possibilidade de fuga.
— Beije-a — ordenou Vera.
Sofía encurtou a distância e devorou a boca de Nadia com fome. Foi um beijo sujo, úmido, com línguas e saliva, com Nadia gemendo dentro de sua boca quando Vera puxou a corrente que pendia entre seus seios. Sofía sentiu o puxão se transmitir pelo corpo de sua parceira até o seu próprio, sentiu os mamilos presos das duas se retesarem ao mesmo tempo, sentiu que a corrente que as unia naquele momento não era metafórica, mas literalmente de metal.
— As duas estão bem? — perguntou Vera.
— Sim — disseram quase ao mesmo tempo, ainda com os lábios colados.
Vera trabalhou durante mais meia hora sem pressa. Acrescentou tensão aos pontos de ancoragem superiores, que puxavam levemente para cima e obrigavam as duas a manter certa postura ereta. Ajustou a posição de suas pernas, afastadas e fixadas à base da estrutura, de modo que não pudessem fechá-las nem mudar o apoio. As bocetas ficavam totalmente expostas, abertas para baixo, disponíveis. Não era doloroso. Era insistente: uma presença constante que lembrava, a cada respiração, que não havia controle disponível, que naquela noite outra pessoa detinha o controle e que era assim que tinham escolhido.
***
A primeira vibração chegou sem aviso.
Vera havia colocado as cabeças de duas varinhas contra o clitóris de cada uma, presas por um arnês integrado à estrutura, e acionou as duas ao mesmo tempo. Sofía soltou um som que não era grito nem gemido, mas algo entre as duas coisas. Nadia fechou os olhos por um segundo e depois os abriu de repente, procurando os de Sofía como quem procura um ponto fixo em que se apoiar. Vera controlava tudo por meio de um pequeno console ao lado. Ligou e desligou várias vezes seguidas, em intervalos irregulares, o bastante para que nenhuma pudesse prever quando viria o pulso seguinte.
— Respirem — disse Vera —. Não tentem controlar nada. Esse é o trabalho desta noite.
Era mais fácil falar. Sofía sentia o instinto de se tensionar, de se preparar, de se manter à margem do estímulo em vez de recebê-lo. Mas a posição não permitia: cada tentativa de conter sua reação era transmitida diretamente ao corpo de Nadia pelo cinto que as unia. Podia sentir os tremores da parceira, assim como Nadia podia sentir os seus. Também podia sentir o líquido quente que já escorria pela parte interna das coxas, o cheiro de boceta molhada começando a preencher o ar entre os dois rostos.
Era exatamente isso que haviam pedido, meses antes, quando a conversa começou como hipótese. Que não houvesse maneira de se esconder. Que o que acontecesse com uma afetasse a outra. Que a intimidade fosse tão literal que não sobrasse espaço para disfarçar nada.
Vera aumentou a intensidade gradualmente. Não tudo de uma vez, mas em elevações lentas e sustentadas, que davam tempo ao corpo para se adaptar antes de subir novamente. Sofía aprendeu rápido que resistir era inútil e também contraproducente: cada vez que tentava conter o impulso, a tensão se acumulava no lugar errado e acabava sendo pior. Deixar-se levar era a única estratégia que funcionava, e deixar-se levar exigia um tipo de confiança que não tinha nada de passivo.
Então Vera deixou o console e se aproximou por trás de Nadia. Sofía viu sua parceira arregalar os olhos quando alguma coisa entrou em sua boceta. Vera introduzira a ponta do dildo preto, lubrificado até brilhar, e o empurrava num ritmo lento e profundo enquanto a varinha continuava martelando o clitóris.
— Olhe para ela — disse Vera a Sofía —. Não desvie os olhos. Veja como eu a fodo.
Sofía obedeceu, porque não podia fazer outra coisa. Viu o dildo entrando e saindo da boceta de Nadia, viu o gozo espumar em seus lábios, viu cada estocada arrancar dela um gemido gutural que já não tentava disfarçar. Nadia estava de boca aberta, com baba pendendo do lábio, os olhos brilhantes fixos nos de Sofía.
— Você está durona — disse Sofía sem pensar, com a voz rouca —. Está escorrendo por todo lado.
— Cala a boca e olhe para mim — ofegou Nadia —. Eu vou gozar, Sofi, eu vou gozar…
Nadia gozou primeiro. Sofía soube pela forma como o corpo da parceira mudou de textura: a tensão cedeu de repente, substituída por algo mais mole e pesado. Seus olhos se semicerraram. Sua respiração ficou mais lenta e profunda. A boceta se contraiu ao redor do dildo em espasmos visíveis, e Sofía sentiu os reflexos no próprio cinto, o tremor transmitido de corpo para corpo. Nadia gritou, gritou alto, com a boca contra a boca de Sofía, e Sofía engoliu o grito e sentiu a própria boceta responder com uma descarga de umidade que lhe encharcou as coxas até os joelhos.
Vera deixou o dildo dentro por mais um instante, saboreando as últimas contrações, e então o retirou devagar, brilhando de gozo espesso.
— Muito bem — disse —. Agora você.
Não foi uma ordem no sentido habitual. Foi uma instrução técnica: Vera ajustou o ângulo do dispositivo e modificou o ritmo. Deu a volta na estrutura até ficar atrás de Sofía e separou suas nádegas com uma mão firme. Sofía sentiu o jato frio do lubrificante entre a bunda e a boceta, e depois dois dedos entrando nela até o fundo, curvando-se para cima, procurando o ponto exato que a fazia perder o controle. Vera sabia onde ficava. Vera fizera aquilo muitas vezes.
— Aperte — disse Vera em seu ouvido —. Aperte contra os meus dedos.
Sofía apertou e sentiu o próprio movimento abri-la ainda mais. A varinha continuava castigando seu clitóris, inchado e pulsante, e os dedos de Vera esfregavam seu interior com uma precisão metódica que não lhe permitia fugir. Ela não podia fechar as pernas. Não podia contorcer os quadris mais do que o cinto permitia. Só podia receber.
— Você vai gozar — disse Nadia com a voz trêmula, olhando para ela com os olhos vidrados —. Vamos, Sofi, goza para mim, goza, eu quero ver você…
Nadia, ainda no limite do próprio esgotamento, inclinou a cabeça até apoiar a testa contra a de Sofía. Aquele contato — simples, quente, sem nenhuma carga adicional — foi o que terminou de desfazer qualquer resistência que restasse. Vera curvou os dedos dentro dela num ritmo rápido e impiedoso, e Sofía sentiu algo ceder no baixo ventre, sentiu a onda subir das coxas até o peito e arrancar-lhe um grito longo e sem forma.
O orgasmo sacudiu seu corpo inteiro. Ela sentiu o jato quente sair de sua boceta, encharcando a mão de Vera e escorrendo por suas pernas até o chão. Os mamilos presos pelos grampos pulsavam no ritmo do coração. Nadia mordia seu lábio inferior, chupando-o, gemendo junto com ela.
Sofía fechou os olhos e deixou de contar os segundos.
Vera não as soltou naquele momento. Voltou ao console e baixou a intensidade das varinhas, sem desligá-las, deixando-as num pulso lento e sustentado que era quase uma carícia e as mantinha bem acima do limiar. Depois de alguns minutos, quando a respiração das duas começou a se estabilizar, Vera aumentou novamente. Sofía gozou outra vez, quase em seguida, quase sem pausa, agora entre lágrimas e com a voz gasta. Nadia gozou poucos segundos depois, arrastada pelo tremor de Sofía transmitido através do cinto. Gozaram uma terceira vez, uma sobre a outra, com as bocas coladas, chupando as línguas, as bocetas escorrendo sobre a madeira escura do chão, já sem distinguir de quem era cada gemido.
***
Vera as desamarrou com a mesma calma com que as imobilizara. Primeiro as ancoragens da estrutura, depois o cinto de couro, depois os grampos dos mamilos — Sofía e Nadia arfaram ao mesmo tempo quando o sangue voltou aos mamilos machucados, e Vera os esfregou suavemente para acelerar o retorno — e, por último, as cordas dos membros. Massageou os pulsos de cada uma por algum tempo antes de seguir adiante, verificando a circulação e perguntando como estavam. Deu água a elas. Envolveu-as em cobertores grossos que deixara preparados numa cesta ao lado da parede.
Sofía e Nadia sentaram-se no chão, apoiadas uma na outra, sem falar. Não havia nada urgente a dizer. A sala tinha uma calma densa que não pedia conversa nem explicações.
— Como vocês estão? — perguntou Vera depois de algum tempo, de sua cadeira ao lado do console.
— Não tenho palavras — disse Nadia.
— Ótimo — respondeu Vera —. Isso é normal.
Sofía procurou a mão de Nadia sob o cobertor e a encontrou sem olhar. Nadia apertou seus dedos com força, depois os afrouxou, depois voltou a apertá-los, como se verificasse que tudo continuava ali.
Quase duas horas haviam se passado desde que cruzaram a porta. Vera disse que podiam ficar o tempo que precisassem. Havia um quarto de descanso ao fundo, com uma cama, caso quisessem ficar mais confortáveis. O cuidado posterior fazia parte do processo e não havia pressa para nada.
— Vocês fariam isso de novo? — perguntou ela, não com a presunção de quem espera ouvir um sim, mas com a curiosidade genuína de alguém que passara doze anos observando o que as pessoas descobriam sobre si mesmas naquele porão.
Sofía olhou para Nadia. Nadia olhou para ela.
— Sim — disseram, e desta vez não foi ao mesmo tempo, mas em sequência, primeiro uma e depois a outra, o que de alguma forma era mais sincero e mais definitivo.
Vera assentiu e foi diminuir a intensidade das luzes. Deixou-as na penumbra quente de uma única lâmpada, envoltas em seus cobertores, com as mãos entrelaçadas e o rastro ainda fresco de algo que não seria fácil explicar fora daquelas quatro paredes, mas que nenhuma das duas esqueceria por muito tempo.
Lá fora, a cidade continuava com seu ruído habitual. Dentro do porão, não havia pressa alguma para voltar a ela.