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Relatos Ardientes

O desconhecido que me ensinou a me ajoelhar

3.9 (50)
Ilustração do conto erótico: O desconhecido que me ensinou a me ajoelhar

Nunca fui de contar minhas fantasias para ninguém. Nem para minha melhor amiga, nem para os parceiros que tive, nem mesmo para mim mesma em voz alta. Mas eu as tinha. Tenho. E a cada dia são mais intensas, mais detalhadas, mais difíceis de ignorar.

Começou como algo controlável. Um pensamento fugaz enquanto eu tomava banho, com a água correndo entre minhas pernas, uma imagem que se enfiava na minha cabeça antes de dormir, com a mão dentro da calcinha. Um homem sem rosto que me agarrava pelo cabelo, me dizia «abre a boca» e enfiava o pau até o fundo da minha garganta. Eu obedecia sem hesitar, e nessa obediência encontrava algo que não sabia nomear. Alívio, talvez. Ou algo mais fundo, algo de que eu precisava a vida inteira sem saber.

Com o tempo, deixou de ser fugaz. As fantasias passaram a me perseguir o tempo todo: no trabalho, enquanto eu olhava para a tela sem ver nada e sentia o cuzinho inchando contra a costura da calça, no supermercado, enquanto eu apertava uma fruta sem pensar e me imaginava chupando um desconhecido no estoque dos fundos, no metrô, quando um homem esbarrava no meu braço por acidente e eu sentia um chicote de calor entre as pernas que me deixava a calcinha colada aos lábios. Eu me molhava sem remédio. Cheguei a me masturbar no banheiro do escritório duas vezes numa mesma tarde, mordendo o lábio para não fazer barulho, com dois dedos enfiados no cu até os nós e o clitóris inchado contra o polegar, gozando em silêncio com a meia abaixada até os tornozelos e o coração na garganta.

O que me excitava não era o sexo em si. Era a ideia de me entregar. De alguém me dizer «ajoelha e abre a boca» e eu fazer isso sem pensar. De sentir mãos firmes na minha cintura me obrigando a virar, me posicionando de quatro, afastando minhas nádegas para olhar meu cu e minha buceta abertos sem pedir permissão. De não precisar decidir nada, de largar o peso de ser sempre a que controla tudo na própria vida. Eu queria ser usada, fodida, aberta por inteiro, e esse desejo me envergonhava e me acendia em partes iguais.

Sempre imaginava um homem mais velho. Não um idoso, mas alguém com fios grisalhos nas têmporas e mãos grandes, alguém que soubesse o que estava fazendo sem precisar que eu o guiasse. Na minha fantasia, ele me olhava como se pudesse me ler, como se soubesse que por baixo da minha roupa formal e do meu sorriso educado havia uma puta faminta esperando que alguém a trouxesse à superfície.

Também fantasiava ir além. Com as mãos dele explorando cada parte do meu corpo, inclusive as que eu nunca deixara ninguém tocar. Eu me imaginava de bruços, com o cu empinado, me oferecendo por inteira, e ele reivindicando cada buraco sem perguntar, mas também sem me machucar. Eu me imaginava com o pau entrando por diante e um dedo lambuzado entrando por trás ao mesmo tempo, me enchendo os dois buracos e me deixando sem ar. Esses pensamentos me faziam me contorcer na cama no escuro, com três dedos afundados na buceta encharcada e a outra mão tampando minha boca para que os vizinhos não me ouvissem gozar.

Numa sexta-feira de novembro, decidi que não aguentava mais. Havia uma semana inteira que eu não conseguia me concentrar, roçando a buceta na beirada da cadeira do escritório como se tivesse quinze anos. Vesti um vestido preto que eu não usava havia meses, por baixo uma calcinha de renda minúscula e nada de sutiã, pintei os lábios de um vermelho que não era meu estilo e saí para um bar no centro que alguém mencionou uma vez. Eu não tinha um plano. Ou talvez o plano fosse deixar que o primeiro pau decente que cruzasse meu caminho naquela noite me partisse ao meio.

O lugar estava meio cheio. Música baixa, luzes quentes, aquele tipo de bar onde as pessoas vão conversar, não gritar. Sentei no balcão e pedi um gin tônica. Tentei parecer tranquila, mas sentia o pulso nos pulsos, os mamilos duros roçando o tecido do vestido e uma umidade entre as coxas que já não podia atribuir ao nervosismo. A calcinha já estava ensopando antes mesmo de eu falar com alguém.

Eu o vi no segundo gole. Estava sozinho numa mesa perto da janela, com um copo de uísque e um livro que ele não estava lendo. Devia ter uns cinquenta anos, talvez um pouco menos. Cabelo grisalho cortado rente, barba por fazer, ombros largos sob uma camisa escura. Não era bonito num sentido convencional, mas tinha algo — uma quietude, uma segurança — que me fez cruzar e descruzar as pernas no banco, esfregando as coxas para aliviar a pressão na buceta.

Nossos olhares se encontraram e ele não desviou o dele. Eu também não. Foi um momento longo, incômodo, elétrico. Senti que ele me lia, que enxergava através do meu vestido, do meu batom e da minha falsa calma. Tomou um gole de uísque sem parar de me olhar e algo no meu estômago se contraiu. Os mamilos doíam de tão duros que estavam.

Ele se levantou e caminhou até o balcão. Sentou no banco ao lado sem pedir licença, sem perguntar se o lugar estava livre. Cheirava a madeira e a alguma coisa cítrica. De perto, tinha rugas nos olhos que lhe davam um ar cansado, mas interessante.

— Você está me olhando faz vinte minutos — disse, sem introdução nem sorriso.

— Você também estava me olhando — respondi.

— Eu sei o que procuro. E você, sabe?

Não deveria ter funcionado. Uma frase assim, dita por qualquer outro, teria me parecido ridícula. Mas do jeito que ele falou — sem sorrir, sem flertar, como se fosse uma pergunta clínica — me deixou sem resposta inteligente. Senti a buceta se contrair em torno de nada.

— Acho que sim — disse, e minha voz saiu mais rouca do que eu esperava.

Chamava-se Adrián. Ele me contou pouco sobre si mesmo e me perguntou muito. Não as perguntas habituais: não a que eu me dedicava nem de onde eu era. Perguntou o que me tirava o sono. O que me deixava desconfortável. Quando foi a última vez que eu fizera algo que realmente me desse medo.

Não sei se foi o álcool ou a forma como ele me olhava, como se nada do que eu dissesse pudesse escandalizá-lo. Confessei que tinha fantasias que não ousava realizar. Que me excitava a ideia de perder o controle. Que havia meses eu pensava em um homem que me dominasse sem violência, mas sem contemplações. Disse que sonhava com ser amarrada, ter a boca fodida até os olhos encherem de lágrimas e ser preenchida em todos os buracos. Que às vezes a excitação era tão forte que eu enfiava os dedos no cu no banho só para testar, e que isso também me deixava uma puta safada.

Adrián assentiu como se eu tivesse dito que fazia frio lá fora.

— E por que você não fez isso? — perguntou.

— Não tinha encontrado ninguém que me inspirasse confiança suficiente.

— E agora?

Olhei nos olhos dele. Eram cinza, ou talvez verdes sob aquela luz.

— Agora não tenho certeza, mas quero descobrir.

Ele não me convidou com palavras. Deixou uma nota no balcão, se levantou e me estendeu a mão. Aberta, com a palma para cima. Uma oferta, não uma ordem. Ainda não.

Eu a peguei.

O apartamento dele ficava a quatro quadras dali. Caminhamos em silêncio. Sentia o ar frio de novembro nas pernas e um calor absurdo entre elas. A calcinha estava tão molhada que eu podia sentir a umidade descendo pela parte interna da coxa. Ele não me tocou durante todo o caminho. Não precisava. A expectativa era como uma corda se esticando a cada passo.

Cena 2 do conto: O desconhecido que me ensinou a me ajoelhar
Camino al apartamento.

***

O apartamento era sóbrio. Poucos móveis, muitos livros, uma luminária de chão derramando uma poça de luz dourada sobre a sala. Adrián fechou a porta e se encostou nela. Me olhou de cima a baixo, devagar, como quem avalia algo antes de comprar.

— Antes de tudo — disse —, preciso que você entenda uma coisa. Não vou fazer nada que você não queira. Se em algum momento quiser parar, você diz «vermelho» e paramos. Sem perguntas, sem drama. Entendeu?

Assenti com a cabeça.

— Com palavras.

— Entendi.

— Ótimo.

Ele se afastou da porta e caminhou até o centro da sala. Sentou-se numa poltrona de couro escuro, cruzou as pernas e me olhou dali com uma calma que contrastava com o caos que eu sentia por dentro.

— Tire os sapatos.

Tirei. O chão estava frio sob meus pés descalços.

— Agora se aproxime.

Fui até ficar na frente dele. Da poltrona, os olhos dele ficavam na altura dos meus seios.

— Ajoelhe-se.

Cena 3 do conto: O desconhecido que me ensinou a me ajoelhar
La instrucción.

E lá estava ela. A palavra que eu havia imaginado centenas de vezes. Que eu sussurrava para mim mesma com os dedos afundados na buceta no escuro do meu quarto. Mas ouvi-la de uma voz real, grave, sem desculpas, era outra coisa completamente diferente. Era como se alguém tivesse aberto uma porta que eu passara anos empurrando sem chave.

Meus joelhos tocaram o chão. Senti o frio dos azulejos através da meia-calça e algo se soltou dentro de mim, uma tensão que eu carregava sem saber, como expirar depois de prender a respiração por tempo demais. A buceta pulsava só de eu estar ajoelhada na frente dele.

Adrián estendeu a mão e acariciou meu cabelo. Devagar, como se acaricia um animal nervoso. Enrolou uma mecha nos dedos e puxou de leve, o bastante para que minha cabeça se inclinasse para trás e eu tivesse que olhá-lo de baixo. Algo nessa perspectiva, nessa vulnerabilidade, me acendeu mais do que qualquer beijo que eu já tivesse recebido.

— Assim — disse. — Exatamente assim.

Com a outra mão, percorreu minha mandíbula, meu pescoço, minha clavícula. O polegar dele parou na covinha da minha garganta onde o pulso batia. Pressionou só um pouco, o suficiente para eu sentir meu próprio coração pulsando contra o dedo dele. Depois subiu e enfiou o polegar na minha boca. Eu chupei sem que ele precisasse pedir, fechando os lábios ao redor, lambendo devagar enquanto o encarava.

— Boa garota — murmurou, e senti a buceta inteira se contrair.

— Você está tremendo — observou.

— Não é medo.

— Eu sei.

Ele desabotoou o cinto sem pressa, com uma só mão, enquanto a outra continuava segurando meu cabelo. O som da fivela naquele silêncio foi quase obsceno. Baixou o zíper. Tirou o pau e o deixou na frente do meu rosto: grosso, duro, a cabeça já brilhando de líquido, uma veia marcada correndo por baixo. Ele não o enfiou em mim. Passou-o pelos meus lábios, deixando um rastro pegajoso do canto da boca até a bochecha, me marcando como dele antes de me usar.

— Abre a boca — disse.

Eu abri. Ele empurrou devagar, sem violência, mas sem parar, até enfiá-lo até o fundo e a ponta bater na minha garganta. Tive ânsia, os olhos se encheram de lágrimas, e mesmo assim empurrei para ele para tomar mais. Adrián gemeu pela primeira vez naquela noite, um som baixo e satisfeito, e segurou minha cabeça com as duas mãos.

— Fica quieta — ordenou. — Deixa comigo.

Ele começou a foder minha boca. Devagar no início, tirando-o até os lábios e voltando a afundá-lo até o nariz esmagado contra o ventre dele. A saliva escorria pelo meu queixo, caía sobre os seios nus que já apareciam acima do decote do vestido. Cada investida me fazia gemer ao redor do pau, e meus gemidos o deixavam mais duro: eu o sentia inchar contra a língua, pulsar contra o céu da boca.

— Olha para mim — disse.

Olhei para cima, com a boca cheia, os olhos marejados, o batom borrado por todo o queixo. Ele sorriu pela primeira vez. Um sorriso pequeno, satisfeito, quase terno em contraste com o que estava fazendo comigo.

— Você fica linda com um pau na boca — disse. — Sabe disso, né?

Tentei responder e só saiu um gemido abafado. Ele riu baixinho e tirou o pau de uma vez. Um fio de saliva ligou minha boca à ponta, brilhando sob a luz dourada da luminária.

— Levante-se.

Custou. Meus joelhos ardiam e minhas pernas tremiam. Quando fiquei de pé, ele me fez girar. Baixou o zíper do vestido com uma lentidão insuportável, deixando que cada centímetro de tecido separado fosse uma pequena tortura. O vestido caiu no chão e eu fiquei de calcinha na frente dele, de costas, sem sutiã, sem poder ver o rosto dele. Senti o olhar dele como algo físico percorrendo minha coluna, detendo-se no cu, na curva da cintura.

— As mãos atrás das costas — ordenou.

Obedeci. Cruzei os punhos na lombar e esperei. Minha respiração era a única coisa que se ouvia no apartamento. Ouvi uma gaveta abrir. Alguma coisa macia envolveu meus pulsos, uma tira de tecido que não era áspera, talvez seda. Ele amarrou com firmeza, mas sem apertar demais.

— Cor? — perguntou.

— Verde.

Ele me virou. Agora eu estava de frente para ele, amarrada, quase nua, com o pau inchado dele ainda saltando da calça aberta, molhado de saliva. Essa assimetria me excitou tanto que senti a buceta escorrer por dentro da renda. Adrián baixou os olhos até a mancha escurecendo na calcinha e então voltou aos meus com algo que parecia aprovação.

— Olha como você molhou minha calcinha — disse. — Você está pingando, putinha.

— Sim, senhor.

— Você gosta de ser olhada assim.

— Sim.

Ele agarrou um mamilo entre o polegar e o indicador e torceu com calma medida. Não foi suave. Também não foi cruel. Foi exatamente a pressão de que eu precisava para escapar um gemido longo e minhas pernas cederem. Depois fez o mesmo com o outro mamilo, me encarando enquanto apertava, estudando cada careta, cada respiração quebrada.

— Você tem umas tetas lindas — disse, abaixando-se para chupar um mamilo e mordê-lo de leve —. Vou foder elas outro dia.

Ele me empurrou suavemente até a beirada da poltrona e me fez me inclinar sobre o encosto, com as mãos ainda amarradas nas costas. O couro estava frio contra meus seios, contra a barriga. Ele baixou minha calcinha devagar, deslizando-a pelas coxas até cair nos tornozelos. Eu estava completamente nua e exposta, dobrada sobre a poltrona dele, com o cu empinado e a buceta aberta para o ar, sem poder me mover nem me cobrir.

A mão dele percorreu minhas costas, cada vértebra, a curva da cintura, os lados, levando o tempo que quisesse como se estivesse memorizando a topografia do meu corpo. Quando chegou às minhas nádegas, parou e as afastou com as duas mãos. Senti o ar frio nas partes mais íntimas, o olho do cu exposto, a buceta pingando entre os lábios inchados, e um arrepio atravessou meu corpo inteiro.

— Olha para você — disse, e ouvi o clique do celular dele. Ele não me deixou ver. Só me descreveu. — Você está com o cu apertado e a buceta aberta, escorrendo. Os lábios estão brilhando de tão molhada que você está. Parece feita para isso.

Passou dois dedos pela entrada do meu sexo, recolhendo a umidade, e depois os meteu na minha boca por cima do encosto. Eu os chupei sem que ele precisasse mandar, lambendo a mim mesma dos dedos dele, gemendo de vergonha e desejo.

— Boa garota — repetiu.

Voltou a afastar minhas nádegas.

— Ninguém mexeu aí, não é? — perguntou, e o dedo dele percorreu a fenda entre minhas nádegas com uma suavidade que me fez fechar os punhos atrás das costas.

— Não — admiti.

— Mas você quer que eu mexa.

Não era uma pergunta. Ele sabia a resposta antes mesmo de eu saber.

— Sim — falei, e a palavra saiu como um sussurro abafado contra o couro.

— Fala direito. Diz o que você quer.

— Quero que o senhor meta o dedo no meu cu. Por favor.

Cena 4 do conto: O desconhecido que me ensinou a me ajoelhar
La despedida.

Ele riu baixinho, satisfeito.

— Aprende rápido.

Ouvi o clique de um frasco. Os dedos dele voltaram, agora mornos e escorregadios, acariciando em círculos lentos ao redor do meu ânus. Ele não empurrou, não forçou. Só acariciou até meu corpo parar de resistir e eu começar a empurrar para trás, buscando mais pressão, oferecendo o cu como uma puta. A outra mão dele deslizou entre minhas coxas e me encontrou encharcada. Dois dedos entraram na minha buceta sem esforço, até os nós, enquanto o polegar continuava desenhando círculos atrás, pressionando só um pouco, entrando um centímetro e recuando, me enlouquecendo.

Gemi contra o couro da poltrona. Não foi um som bonito nem calculado. Foi algo animal, gutural, um ruído de que eu teria vergonha em qualquer outro lugar do mundo. Aqui não. Aqui era exatamente o que se esperava de mim.

— Mais — pedi, e a palavra saiu como uma súplica. — Por favor, mais.

— Mais o quê? Fale claro.

— Mais dedos. Enfia até o fundo. Me fode com os dedos, senhor.

Adrián não acelerou. Manteve o mesmo ritmo, a mesma pressão enlouquecedora, e me obrigou a ficar ali, na beira do orgasmo sem me deixar cair. O polegar dele finalmente deslizou para dentro do meu cu, devagar, milímetro por milímetro, enquanto os outros dois dedos continuavam se movendo dentro da minha buceta, curvando-se para cima para arranhar o ponto que me fazia ver estrelas. A sensação de estar preenchida dos dois lados arrancou um grito de mim que eu nem tentei conter.

— Olha como você se abre bem — murmurou. — Olha como você aperta meus dedos com a buceta. Você está chupando eles inteiros.

— Sim, senhor.

— E o cu apertando meu polegar como uma virgem. Imagina quando eu enfiar o pau aqui. Outro dia. Hoje não.

Gemendo só de imaginar. A ideia de voltar, de ele decidir quando e como, me levou ao limite.

— Ainda não — disse com a voz firme. — Quando eu mandar.

Perdi a noção do tempo. Poderiam ter sido cinco minutos ou trinta. Tudo era as mãos dele, a voz dando ordens curtas que eu obedecia sem pensar — «não se mexe», «respira», «aguenta», «aperta meus dedos», «mais forte» —, o couro colando na minha bochecha suada, o puxão das amarras nos pulsos sempre que eu tentava me contorcer. Ele me mantinha exatamente onde queria, bem na beira, e cada vez que eu chegava perto demais, retirava a pressão o bastante para me fazer recuar. A buceta escorria pelas minhas coxas, uma mancha brilhante no couro sob mim.

— Você é uma puta perfeita — disse, e a frase, longe de me ofender, me fez apertar tudo ao redor dele. — Minha puta. Certo?

— Sim, senhor. Sua puta.

— Por favor — pedi com a voz quebrada. — Por favor.

— Por favor o quê?

— Me deixe gozar.

— Fala inteiro.

Fechei os olhos. O orgulho, a vergonha, os restos da mulher que tinha chegado ao bar de vestido preto e falsa segurança: tudo evaporou. Só restava eu, nua, amarrada, ensopada e desesperada, e a única verdade que importava.

— Por favor, senhor, me deixe gozar. Me deixe gozar nos seus dedos. Por favor.

Os dedos dele se curvaram dentro de mim, encontrando aquele ponto que me fez arquear as costas e trincar os dentes. O polegar empurrou um pouco mais fundo no meu cu. A outra mão foi para o meu clitóris inchado e pressionou com firmeza, sem piedade, esfregando num ritmo que não me deixava escapar.

— Goza — disse. — Agora.

O orgasmo me atravessou como uma descarga elétrica. Gritei contra o encosto da poltrona, fechando os punhos atrás das costas, tremendo da cabeça aos pés. Senti a buceta se contrair em ondas violentas ao redor dos dedos dele, molhando a mão inteira, escorrendo pelo pulso. Foi longo, brutal, quase doloroso na intensidade. Onda após onda enquanto ele não retirava as mãos, me sustentando naquele pico, esfregando o clitóris inchado até me fazer implorar entre os dentes cerrados, obrigando-me a sentir cada segundo até meu corpo parar de sacudir e eu ficar ofegante, com as pernas moles, o cu ainda erguido e os olhos úmidos.

Ele retirou os dedos devagar. Senti o vazio de repente, a perda. Me virou sem me desamarrar e me fez ajoelhar outra vez na frente dele. O pau ainda estava para fora, duríssimo, brilhando de líquido pré-ejaculatório na ponta.

— Abre a boca — disse, e começou a se masturbar a centímetros do meu rosto —. E põe a língua para fora.

Eu pus a língua para fora, ergui os olhos e esperei. Três golpes do pulso dele depois, ele gozou: o primeiro jato caiu na minha língua, quente e espesso; o segundo marcou minha bochecha e o canto da boca; o terceiro respingou nos meus seios, escorrendo entre eles. Mantive a boca aberta até ele me agarrar pelo queixo, fechar minha mandíbula com suavidade e dizer:

— Engole.

Engoli. Senti o sêmen descendo pela garganta, salgado e quente, enquanto ele limpava minha bochecha com o polegar e o enfiava na minha boca para que eu terminasse de chupá-lo.

— Boa garota — repetiu em voz baixa, me olhando com uma ternura que não combinava com o que acabara de acontecer e que, ainda assim, era exatamente o que eu precisava.

***

Ele desamarrou meus pulsos com cuidado. Esfregou as marcas onde o tecido havia deixado linhas rosadas na pele. Me levou ao banheiro, limpou meu rosto e meu peito com uma toalha morna, penteou para trás o cabelo grudado de suor na testa. Me envolveu numa manta que cheirava a amaciante, me sentou na poltrona ao lado dele e me deu um copo de água fria.

— Você está bem? — perguntou. A voz dele agora era diferente, mais suave, quase terna.

— Estou perfeita — respondi, e pela primeira vez em muito tempo isso era completamente verdade.

Ficamos assim por um bom tempo, em silêncio. Ele acariciava meu cabelo. Eu sentia o sêmen ainda descendo pela garganta e uma pulsação surda entre as pernas, satisfeita e dolorida ao mesmo tempo. Não fizemos mais nada naquela noite. Não precisava. O que tinha acontecido era mais do que suficiente para processar, digerir, mudar meu jeito de ser.

Me vesti por volta da uma da manhã. A calcinha ainda estava ensopada, então guardei-a na bolsa e vesti o vestido sobre o corpo nu. Adrián pediu um táxi para mim e esperou comigo na portaria. O ar frio de novembro bateu no meu rosto e senti que tudo estava mais nítido: as cores dos semáforos, o barulho de um carro ao longe, a pulsação da minha própria buceta ainda vibrando.

— Isso vai se repetir? — perguntei antes de entrar no carro.

— Isso depende de você — respondeu. — Da próxima vez, eu vou te foder. Pelos três buracos, se você se comportar bem.

Senti um puxão tão forte no baixo ventre que precisei me agarrar à porta do táxi.

— Vou me comportar bem — prometi.

Ele sorriu de leve e fechou a porta.

No táxi, com as luzes da cidade desfilando pela janela, toquei os pulsos onde haviam estado as amarras. Ainda sentia a pressão fantasma da seda. Passei a língua pelos lábios e notei um resto salgado dele. Olhei para o vidro escuro e vi uma mulher que já não precisava esconder o que queria: uma puta faminta, satisfeita e disposta a voltar por mais.

O que eu quero é voltar. E, desta vez, quero que ele me preencha inteira. Pela frente, por trás e pela boca. Até não me restar um único buraco sem marcar.

Peguei o celular e salvei o número dele. Sabia que o ligaria antes do fim da semana. E, enquanto o guardava, com a buceta ainda pulsando e o gosto dele na língua, soube também que aquela noite não tinha sido um fim. Tinha sido a primeira vez que eu me deixava ser exatamente o que eu era.

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