A noite em que minha irmã abriu a porta sem avisar
Eu disse a Mateo para parar, que minha irmã dormia a três metros dali, mas ele insistiu em silêncio. Não imaginei que ela abriria aquela porta justamente então.
Eu disse a Mateo para parar, que minha irmã dormia a três metros dali, mas ele insistiu em silêncio. Não imaginei que ela abriria aquela porta justamente então.
Saí para fumar no escuro e vi: agachado atrás da palmeira, com o olhar cravado na janela onde ela se despia sem saber que estava sendo olhada por dois.
Abri as cortinas, acendi a luminária do canto e soube que ele estaria espiando da varanda vizinha. Naquela noite íamos dar a ele algo que não ousaria pedir.
Passamos horas bebendo cerveja em volta da piscina. Quando entrei na casa procurando gelo, os gemidos vinham de dentro e não eram só dela.
Eu me vesti para deixar meu namorado de queixo caído. Quem abriu a porta foi o irmão mais velho dele, e os olhos dele me atravessaram inteira antes de me cumprimentar.
Quando o primeiro se aproximou do carro, minha mulher já estava com a saia levantada e a blusa aberta. O que veio depois eu vi tudo de um sofá, copo na mão, sem respirar.
Às duas da manhã, naquela sala com luzes vermelhas, parei de fingir que tinha ido só acompanhar meu marido. Eu estava olhando. E estava gostando demais.
Eu a observava havia semanas da mesa do canto, com uma calma que bagunçava algo dentro de mim. Quando ela se sentou na minha frente no meu descanso, não veio sozinha.
Os óculos escuros nos deram a permissão perfeita: ele olhava as garotas de topless, eu olhava os homens, e os dois sabíamos o que viria depois.
Quando ele tirou a camisa para trocar de roupa, eu soube que não ia conseguir me concentrar em nada do que ele dissesse sobre parafusos e prateleiras.
Eu era o diretor invisível de uma peça proibida: vi minha mulher se transformar diante do pintor sabendo que eu a espionava do outro lado da câmera.
A cerveja tinha nos deixado carinhosos e o terraço parecia vazio. Até eu ver o brilho de uns binóculos nos mirando do morro.
Desci do avião sabendo que teria que encará-lo. O que eu não sabia é que, naquela mesma noite, entre lágrimas, eu ia pedir a ele algo que nunca tive coragem de dizer.
Reservei o quarto três semanas antes. Quando ela mordeu o lábio no patamar do segundo andar, soube que não havia mais volta para nenhum dos dois.
Quando Camila saiu do quarto fantasiada de diabinha, com um tridente na mão, eu soube que naquela noite não dormiríamos virgens.
Passei o verão inteiro esperando a enseada esvaziar. Encontrei-a deserta, sim, mas o vento me trouxe uns gemidos atrás das dunas que precisei ir buscar.
Meu marido não aguentava me ver assim, distante do meu próprio corpo. Pediu ajuda ao ginecologista. O que ele receitou naquela noite mudou tudo entre nós três.
Cheguei ao hotel do norte com a ideia de descansar antes do trabalho. Naquela mesma noite, sentada diante dele de robe, soube que não iríamos dormir até o amanhecer.
Quando me agachei para pegar uma revista na prateleira mais baixa, senti o ar frio entrar inteiro entre minhas pernas. Três pares de olhos se ergueram ao mesmo tempo. Não baixei a saia.
Pedi que ela apalpasse os músculos do meu pescoço para estudar anatomia. Não esperava que a aula terminasse com ela virando meu rosto e me beijando como se esperasse por aquilo havia anos.