Eu sabia que alguém nos observava do edifício em frente
Deixei a cortina entreaberta de propósito. Naquela tarde não era só para Adrián e para mim: alguém mais esperava o espetáculo do outro lado da rua.
Deixei a cortina entreaberta de propósito. Naquela tarde não era só para Adrián e para mim: alguém mais esperava o espetáculo do outro lado da rua.
Na primeira tarde, eu ainda nem tinha desfeito a mala e já sabia que ali ninguém desviaria o olhar. E o pior era isso: eu estava começando a gostar.
Coloquei o vestido vinho que ele tinha escolhido, respirei fundo e entendi que aquela noite seria o verdadeiro presente: sentir-me, enfim, a mulher que sempre fui.
Fui à casa dele para que deixasse minha namorada em paz. Saí de lá sabendo que voltaria no domingo seguinte, e no outro, e em todos os que viessem.
Estava há cinco anos transando com homens e, de joelhos outra vez, fiz as contas exatas de quantos tinham passado pela minha boca. Naquela noite entendi que algo tinha quebrado.
Havia um único limite que Marisa nunca ultrapassava, e eu aprendera a respeitá-lo. Até que, certa manhã, encontrei um jeito de contorná-lo sem que ela sofresse.
Me olho no espelho com a cinta-liga e as meias de arrastão, e sorrio: perdi a aposta e sei exatamente o que ele vai me pedir esta tarde.
As paredes eram de papel. Nós a ouvimos gemer no quarto ao lado e entendemos que ela nos escutava o tempo todo, esperando um convite.
Ninguém no banco, na farmácia ou na padaria imaginava o que eu escondia sob a roupa. E essa era justamente a parte que mais me excitava.
Passei anos cuidando para que ninguém a olhasse demais. Naquele fim de tarde, escondido entre as ervas altas, eu não conseguia parar de olhar.
Cruzamos essa porta sabendo que, ao fazê-lo, deixávamos de ter vontade própria até segunda-feira. Nenhum de nós quis voltar atrás.
Acreditávamos que brincávamos às escondidas na areia, até que um estranho se aproximou e confessou que nos observava havia horas. E trazia uma proposta.
As paredes do apartamento eram de papel, e a melhor amiga da minha namorada dormia parede com parede. Naquela primeira manhã fingimos não lembrar que ela estava ali.
Saí da água tremendo de frio e a vi ajeitando o biquíni ao sol. Nenhum de nós sabia que aquela manhã mudaria tudo entre a gente.
Naquela tarde, não planejávamos nada. Mas quando ele baixou as calças na minha frente, eu soube que ia provar algo que nunca tinha provado.
Não tinham passado nem cinco minutos do filme quando a mão dele já procurava debaixo do meu short, e eu, em vez de afastá-la, rezei para que ninguém na sala virasse para nos olhar.
Tínhamos assinado o contrato sabendo que o sábado seria pior que a sexta-feira. O que não imaginávamos era até onde ela pretendia nos levar na floresta.
Saí do banho e ela estava ali, olhando entre minhas pernas com aquele sorriso que eu já conhecia. Sabia exatamente onde apertar para eu parar de discutir e começar a obedecer.
Disse para ela escolher onde passar o creme depilatório. Jamais imaginei que ela apontaria justamente para o lugar que mais ia me fazer sofrer.
Se eu gozasse no segundo exato, ela me deixaria fazer. Se eu errasse, prometia um castigo que eu temia e desejava havia semanas.