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Relatos Ardientes

O passador que me abriu mais do que a fronteira

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Meu nome é Sofía, tenho 26 anos, sou de Córdoba e trabalho no setor administrativo de uma empresa de logística. Nada demais. Meu primo Hernán, de 35, e a mulher dele, Claudia, de 32, me convidaram para acompanhá-los até Encarnación, no Paraguai, para fazer o acabamento interno da Sprinter nova que tinham comprado. Lá sai muito mais barato do que aqui, e de quebra a gente ainda cumpria com esse mito do "amaciamento", a viagem longa para assentar o motor. Saímos num domingo à noite de Córdoba, calculando chegar a Posadas na tarde de segunda e cruzar no dia seguinte.

A viagem foi longa mesmo. Oitocentos quilômetros de estrada provincial e nacional, com paradas em postos de gasolina, café aguado e conversas que se apagam e acendem como o rádio. Hernán dirigia, Claudia ia de copiloto e eu atrás, meio dormindo encostada no vidro. Chegamos a Posadas perto das seis da tarde, exaustos e com fome. Entramos num hotel simples, mas limpo, comemos alguma coisa no refeitório lá embaixo e fomos dormir.

No dia seguinte cruzamos a Ponte Internacional antes do meio-dia. Encarnación é uma bagunça organizada: lojas de eletrônicos empilhadas até o teto, vendedores te chamando da porta, perfumes de marcas que em Córdoba custam o dobro. Compramos tudo o que Hernán precisava para a van e eu aproveitei a viagem: um celular novo, dois perfumes e algumas roupas. Como sempre acontece nessas cidades de fronteira, para evitar dor de cabeça na alfândega — taxas, demora, confisco — as próprias lojas recomendam um passador. Gente que tem contato com os aduaneiros e passa as coisas sem problema. Na última loja onde comprei, separaram o pacote, chamaram o passador deles e me disseram que eu o teria no hotel naquela mesma noite.

Voltamos a Posadas, jantamos leve e às dez já estávamos nos quartos. Às onze me ligaram da recepção: "Senhorita Sofía, seu pedido chegou". Desci de pijama curto e uma camiseta larga sem sutiã porque o calor de Misiones naquela noite era impossível. Nem pensei em trocar de roupa.

Lá estava ele.

Ramón tinha trinta e oito anos e era, sem exagero, o homem maior que eu já tinha visto de perto na vida. Alto como uma porta, com uma camiseta que parecia prestes a se render aos braços dele, mãos enormes, pele morena, uma calma no corpo que contrastava com o tamanho. Me estendeu as sacolas com um sorriso que começava justamente no canto direito da boca, mais de um lado do que do outro.

—Tá tudo certo com as compras, che ra'y? Sou Ramón, pra qualquer coisa que precisar — disse, com aquele sotaque paraguaio que arrasta as vogais.

Eu respondi que sim, obrigada, muito bem. E fiquei parada como uma idiota.

Ele também não foi embora. Puxou conversa: de onde eu vinha, se era minha primeira vez em Encarnación, o que eu tinha comprado. Não era um papo ansioso, mas algo mais tranquilo, como quem tem todo o tempo do mundo. Eu fui respondendo sem saber muito bem por que não me despedia. O saguão era fresco, as luzes tinham aquela intensidade baixa dos hotéis do interior às onze da noite, e ele me olhava com aqueles olhos que não faziam nenhum esforço para disfarçar o que viam: os mamilos marcados sob a camiseta, as pernas nuas, a linha do pijama curto.

—Quer que amanhã cedo eu te mostre um pouco da cidade? Te convido pra tomar alguma coisa antes de você voltar — disse, direto.

Eu devia ter dito não.

Dei meu número e subi para o quarto com o coração mais acelerado do que seria adequado para uma transação de compras. Hernán e Claudia dormiam. Nem perceberam. Entrei no banho com o pijama ainda vestido da cintura para baixo e me toquei pensando nas mãos daquele homem, em como meus dedos marcariam se ele me segurasse de verdade. Gozei mordendo o lábio contra o azulejo.

***

No dia seguinte eu disse que ia caminhar sozinha um pouco pelo centro de Posadas, que precisava me mexer. Atravessei a ponte de novo. Ramón me esperava com a moto grande em frente a um bar da orla, encostado no banco com os braços cruzados. Subi na garupa como se já tivesse feito aquilo outras vezes.

Ele me levou a um mercado coberto onde vendiam especiarias a granel e verduras que eu não sabia nem nomear. Me mostrou uma feira perto do rio, compramos chipa quente de uma senhora na esquina, tomamos tereré sob um telhado de zinco com o barulho da cidade ao fundo. Ele falava bem, contava histórias do trabalho — como funcionam os aduaneiros corruptos, o que pode passar e o que não pode, a lógica daquele sistema que todo mundo conhece e ninguém nomeia — e, enquanto ele falava, eu sentia o calor do corpo dele a trinta centímetros do meu e a fricção daquele contato cada vez que a moto fazia uma curva. Cada freada apertava meus peitos nas costas dele e cada aceleração me fazia sentir a bunda dura dele contra meu púbis. Cheguei ao mirante com a calcinha encharcada.

Paramos num mirante sobre o Paraná. O rio estava largo e marrom, da cor espessa dos rios grandes depois da chuva. Ele apoiou os braços no corrimão e ficou calado por um instante olhando a água.

—Você é linda, Sofía. Essas tuas curvas têm muito onde pegar.

Fiquei corada. Não disse nada. Ele virou a cabeça e me olhou por um segundo antes de encurtar a distância entre nós, devagar, esperando que eu me afastasse. Não me afastei. Me beijou com firmeza, sem pressa, com as mãos no meu rosto. Quando se separou, elas estavam apoiadas nos meus quadris e me apertava com os polegares como se medisse o volume do que segurava. Desceu uma mão e apertou uma nádega inteira com a palma aberta, e eu senti o volume da rola se esmagando contra meu ventre por baixo do jeans. Era grande. Grande de verdade, ainda guardada, ainda dormindo.

—Vamos pra minha casa — disse. Não era uma pergunta, mas também não era uma ordem. Era uma porta aberta.

Assenti.

***

Ele morava num bairro tranquilo de Encarnación, a dez minutos de moto. Uma casinha pequena e arrumada, quintal de terra com duas cadeiras de plástico, um quarto com cama de casal e ventilador de teto girando na velocidade máxima. Assim que fechei a porta atrás de mim, ele me encostou nela e começou a me beijar o pescoço enquanto me puxava a camiseta com as duas mãos até o pescoço. Ele chupou um seio por cima do sutiã, mordendo o tecido até o mamilo ficar duro sob a renda, e depois o outro, sem pressa, deixando a camiseta enrolada nas axilas.

As mãos dele cobriam mais do que deviam. Coloquei as minhas no peito dele enquanto ele tirava a camiseta e então ficou claro o tamanho daquele homem: peito largo, abdômen com tensão visível mesmo sem ser o tipo esculpido de academia. Algo funcional, de trabalho. Ele abriu a calça sem tirá-la por completo e eu olhei para baixo e minha boca secou. O volume na cueca era uma coisa que não combinava com a minha experiência anterior. Marcava inteiro, comprido, com a ponta dobrada para cima contra o elástico, esticando o tecido.

Ele arrancou meu sutiã, apoiou as mãos nos meus peitos e os segurou por um instante como se estivesse medindo. Depois baixou a cabeça e colocou um mamilo inteiro na boca, chupando com uma pressão lenta e constante, a língua trabalhando em círculos ao redor da ponta, o que me fez dobrar involuntariamente os dedos dos pés. Passou para o outro mamilo e deu uma mordida de leve antes de chupá-lo também. Desceu a mão para o meu jeans, desabotoou, puxou junto com a calcinha até os joelhos e enfiou a mão inteira entre minhas pernas.

Os dedos dele eram grossos. Um só me preenchia mais do que dois de qualquer outro. Ele abriu meus lábios com o polegar e o indicador e começou a me acariciar o clitóris com o médio, apertando em círculos lentos, com aquela pressão de quem sabe exatamente onde está e não tem pressa alguma. Depois enfiou dois dedos e os curvou para frente, procurando o ponto lá dentro com a mesma calma metódica.

—Você já tá toda molhada — disse, sem insulto nem elogio. Só como constatação. Um fio do meu gozo escorria pelo pulso dele.

Ele me comeu com os dedos contra a porta, dois dentro e o polegar no clitóris, até eu começar a tremer. Me fez gozar ali de pé, com a cara enterrada no pescoço dele, apertando os lábios para não gritar com alguém que eu conhecia havia doze horas. Senti meu cu se fechando ao redor daqueles dedos gordos e ele riu baixinho contra minha orelha.

—Assim, apertadinha. Vamos ter que ir com cuidado.

Levei ele cambaleando até a cama, com o jeans ainda enroscado nos tornozelos. Ele se sentou na beirada e eu me ajoelhei entre as pernas dele e terminei de baixar a calça e a cueca. O que apareceu me travou por dois segundos. Grande em todos os sentidos: comprida e grossa, com as veias marcadas subindo pelo tronco, a cabeça roxa e inchada, muito mais do que eu tinha lidado antes. Envolvi a base com a mão e não consegui fechar os dedos ao redor. Estava quente, dura como pedra, e pulsava suavemente contra minha palma.

Segurei com as duas mãos e movi devagar, subindo e descendo, olhando como a mandíbula dele se tensionava. Baixei a cabeça e passei a língua no freio, depois por baixo da coroa, depois coloquei a ponta na boca. Tentei engolir mais, empurrando com a língua para acomodá-la, mas logo bati no fundo do céu da boca e tive ânsia. Me afastei, cuspi, agarrei com a mão bem molhada e tentei de novo. Chupei o melhor que pude, o que era bem menos da metade, enquanto com a outra mão eu apertava e batia punheta no tronco que não cabia na boca. Ele apoiou a mão na minha cabeça sem pressionar, só guiando, com os dedos enroscados no meu cabelo, enquanto soltava um som grave pela garganta.

—Assim, ra'y, assim. Chupa devagar. Que você não tá com pressa.

Chupei a rola dele por vários minutos, alternando entre a boca e a mão, levando saliva até os ovos e depois chupando-os um por um enquanto continuava a bater punheta. Quando senti a cabeça começar a saltar, ele se retirou.

—Ainda não — disse, e me levantou pelas axilas como se eu não pesasse nada.

Ele me deitou na cama e terminou de tirar meu jeans com a calcinha dentro. Ajoelhou-se entre minhas pernas, abriu-as com os cotovelos até ficarem bem escancaradas, e baixou a cabeça. Lambeu meu cu de baixo para cima com a língua toda plana, uma vez, duas, três, até os lençóis já estarem úmidos embaixo de mim. Se concentrou no clitóris e o chupou como se fosse um mamilo pequeno, sugando entre os lábios enquanto enfiava de novo dois dedos e os curvava lá dentro. Agarrei a cabeça dele com as duas mãos e apertei o rosto dele contra mim sem conseguir evitar. Gozei pela segunda vez em vinte minutos, com as pernas fechando ao redor das orelhas dele e um gemido longo que escapou sem permissão.

Quando ele abriu minhas pernas de novo e se acomodou por cima, já não restava muito espaço na minha cabeça para pensar. Ele segurou a rola com a mão e a passou de cima a baixo no meu cu, molhando a ponta com meu gozo, esfregando a cabeça contra o clitóris inchado até me fazer sacudir. Me olhou por um segundo como se pedisse permissão em silêncio e empurrou. O primeiro empurrão arrancou de mim um gemido curto, metade surpresa, metade dor. Ele entrou só com a cabeça e esperou. Depois empurrou mais um pouco. E mais um pouco. Era muito. Ele ia me abrindo de milímetro em milímetro, sentindo como cada centímetro novo ganhava terreno dentro de mim. Quando finalmente empurrou até o fundo, com o púbis contra o meu, soltei o ar de uma vez só. Ele me preenchia por completo e a sensação de estiramento era intensa, quase no limite, mas eu não pedi para parar. Me agarrei aos ombros dele e disse para continuar.

—Me come — eu disse, e me surpreendi com a própria voz —. Me come forte.

Ele começou a se mexer. No início devagar, saídas longas e entradas até o fundo, me deixando sentir cada centímetro na retirada e no retorno. Eu estava tão molhada que dava para ouvir o barulho a cada empurrão, um barulho obsceno misturado com meus gemidos. Ele pegou minhas duas mãos e as apoiou acima da minha cabeça contra o travesseiro, entrelaçando os dedos nos meus, e acelerou o ritmo. Agora sim ele me comia de verdade. Cada investida me levantava na cama, me batia no fundo, me fazia a garganta soar.

Fodemos por bastante tempo. Mudamos de posição várias vezes. Ele me pôs de barriga para cima com as pernas sobre os ombros dele, dobrada quase ao meio, e dali ele entrava tão fundo que eu sentia a ponta batendo contra alguma coisa que eu não sabia que tinha. Me virou e me colocou de quatro, com a cara no travesseiro e a bunda bem empinada, e segurou meus quadris com as duas mãos para meter e tirar com investidas que faziam os ovos dele baterem no meu clitóris. Deu uma palmada na minha bunda uma vez, sem força, e senti o ardor do tapa misturado com a profundidade da penetração e gritei contra o tecido.

—Você gosta assim, cordobesa? — ele me perguntou, com a voz rouca —. Gosta de como essa rola paraguaia te enche?

—Sim — respondi, sem me reconhecer —. Sim, continua, não para.

Depois ele me sentou em cima dele com as mãos no peito dele, e dali quem mandava era eu. Comecei a subir e descer devagar, sentindo como a rola dele entrava e saía com meu próprio peso, marcando o ritmo. Ele me olhava de baixo, com as mãos nos meus quadris me ajudando, olhando meus peitos quicando na cara dele a cada descida. Ele me esticou e chupou meus mamilos sem deixar de empurrar de baixo para cima. Gozei pela terceira vez ali, em cima dele, com os quadris se movendo sozinhos, sem voz por vários segundos, com o cu apertando ao redor daquela rola enorme em espasmos longos que me deixaram tremendo.

Desabei sobre o peito dele, respirando forte. Ele ainda estava duro dentro de mim. Não tinha gozado ainda.

Foi depois disso, quando meu corpo ainda vibrava e a pele estava colada à dele de suor, que ele perguntou em voz baixa, com os lábios na minha orelha:

—Você deixa por trás?

Pensei em dizer não. Na verdade, eu já estava havia um tempo pensando que sim.

—Vai — eu disse.

Ele tirou um pequeno frasco da gaveta da mesa de cabeceira. Não era suficiente, eu soube depois, mas naquele momento era o que havia. Pediu que eu me pusesse de quatro outra vez, com a cara apoiada de lado no travesseiro e a bunda bem aberta, arqueando as costas. Senti como ele separava minhas nádegas com as duas mãos e ficou olhando por um instante antes de esguichar um jato de lubrificante frio direto no meu anel. Me arrepiei.

Ele me preparou com os dedos devagar, um primeiro, dando voltas ao redor do anel antes de empurrar até a junta, enquanto eu respirava fundo contra o travesseiro e tentava relaxar uma parte do corpo que não tinha muito treino nisso. Enfiou o segundo dedo com paciência, abrindo e fechando em tesoura dentro de mim, me alargando. Colocou mais lubrificante e continuou trabalhando, um dedo e outro entrando e saindo, até o músculo ceder e parar de resistir.

—Você vai ver, ra'y — murmurou —. Vai ver como vai gostar.

Ele se posicionou atrás de mim. Senti a ponta da rola encostar no meu anel, quente, muito mais grossa do que os dois dedos juntos. Empurrou só um pouco. O anel esticou. Empurrou mais um pouco. Eu apertei o lençol com as duas mãos. Quando ele empurrou a cabeça de verdade, com pressão firme e constante, doeu. Um ardor concentrado e profundo que me fez apertar o tecido com as duas mãos e morder o travesseiro.

—Relaxa — ele murmurou, sem se mexer ainda. Acariciou minhas costas com uma mão, longa e devagar, dos ombros até as nádegas —. Respira. Já passou a pior parte.

Respirei. Cedi. Entrou.

Senti como ele me abria por dentro de outro jeito, não como o cu. Mais apertado, mais profundo, um preenchimento que não era prazer nem dor, mas outra coisa. Ele ficou parado assim que entrou inteiro, com os quadris colados às minhas nádegas, me dando tempo. Eu respirava forte pela boca. Os primeiros minutos foram pura administração: respirar, não tensionar, deixar o corpo processar a pressão de algo para o qual claramente não estava preparado nessa escala.

Ele começou a se mover. Muito devagar, saídas curtas, entradas curtas, deixando que eu me acostumasse. Mas depois a dor foi abrindo caminho para outra coisa. Uma pressão densa que ia para a frente, um calor que eu não sabia que existia, um formigamento estranho que me subia pela espinha. Quando ele começou a se mover com mais ritmo, eu já não contava os minutos. Ele enfiou uma mão por baixo e encontrou meu clitóris com dois dedos, e começou a acariciá-lo em círculos enquanto me comia pelo cu, e então tudo mudou.

—Mais — ouvi minha própria voz dizer, e por um segundo não reconheci quem tinha pedido aquilo —. Mais forte.

Ele me deu. E eu aceitei. Começou a empurrar com mais força, com investidas mais longas, e eu empurrava para trás com os quadris para me encontrar com ele. Sentia os ovos dele baterem no meu cu a cada estocada, e os dedos movendo-se no clitóris no mesmo ritmo, e algo se acumulava dentro de mim que era diferente dos orgasmos anteriores, mais lento, mais denso, vindo de mais fundo.

—Assim, linda — disse ele, com a voz quebrada —. Assim você toma essa rola toda no cuzinho, olha como você engole ela.

E eu continuei pedindo até que em algum ponto, sem aviso, senti um ardor diferente. Mais agudo. Mais localizado. Não o ardor do esforço, mas algo rompido.

—Para — eu disse.

Ele parou na hora. Se retirou devagar, com cuidado, e olhou.

—Tem sangue — disse em voz baixa.

Não muito. Mas tinha. Ele foi buscar suas coisas, me ajudou a levantar e disse que havia uma salinha de primeiros socorros a quatro quadras. Eu não protestei.

***

A sala cheirava a álcool e desinfetante de piso. O ventilador de teto girava sem convencer ninguém. A médica de plantão se chamava Beatriz: quarenta e tantos anos, cabelo escuro preso com um grampo que estava caindo, uniforme justo de tanto uso. Tinha um rosto que dizia já vi de tudo sem precisar abrir a boca.

Ela me atendeu sozinha, pediu que eu baixasse a calça e me deitasse de lado com os joelhos no peito. Colocou as luvas.

—O que aconteceu, querida?

Contei. Com mais detalhes do que eu gostaria, mas há algo nas macas e nas luzes brancas que funciona como confessionário.

—Me comeram pelo cu. O homem era muito grande, tinha a rola muito grossa, e no fim comecei a sangrar. Usamos lubrificante, mas acho que não foi suficiente. Durou bastante tempo e em algum momento eu parei de querer que parasse, mesmo já doendo.

—Quanto tempo, mais ou menos?

—Uma hora, talvez mais. No começo doeu muito. Depois se misturou com outra coisa e eu não quis parar. Quando senti o ardor diferente, cortei.

Beatriz aplicou gel frio e começou a examinar com cuidado, separando minhas nádegas com uma mão enluvada e apalpando com a outra. Estalou a língua.

—Fissura anal. Não é grave, mas é real. Com repouso e os cuidados necessários, fecha sozinha. Vou te passar creme cicatrizante e anti-inflamatórios.

Trabalhou em silêncio por um momento. Depois, sem levantar os olhos:

—O homem se chama Ramón?

Fiquei imóvel.

—Como você sabe?

Ela sorriu sem muito entusiasmo.

—Porque já passaram duas garotas este ano com a mesma descrição. Passador, moto, mirante sobre o rio. Ramón tem um método. E uma rola que, se não for bem trabalhada, acaba aqui. — Fez uma pausa —. Não é uma má pessoa. Só não calcula bem.

Continuou aplicando o creme com movimentos metódicos quando acrescentou, quase no mesmo tom tranquilo:

—A mim também aconteceu algo parecido.

Eu não soube o que dizer.

—Meu marido dirige caminhões de longa distância — continuou —. Passa semanas fora. Eu tenho meus próprios assuntos. Há dois anos me envolvi com um médico do hospital público daqui, Ernesto se chama, 47, casado. A gente se vê uma ou duas vezes por mês no consultório dele, no fim do expediente, quando já não tem ninguém. Ele me põe na maca, abre bem as minhas pernas, usa gel caro, chupa meu cuzinho até eu ficar relaxada e escorrendo, me prepara o cu com os dedos com paciência, e só então me mete. Mas a primeira vez mesmo assim eu terminei com ardor durante dias. A diferença agora é que eu sei quanto lubrificante tem que usar, e ele também sabe. Com o tempo você aprende: muito gel, bem devagar no começo, Kegel para fechar depois, e sempre alguém tocando seu clitóris ao mesmo tempo. O prazer é outra coisa quando é feito direito. Você acaba gozando como nunca na vida.

Colocou a gaze, cobriu tudo e me ajudou a me vestir.

—Dois dias sem atividade. Se voltar a ver Ramón, traga seu próprio lubrificante. Um de silicone, que dura mais. E se masturbe com calma antes, assim você fica mais relaxada. — Ela me entregou a receita —. E se continuar sangrando, volte.

Ela piscou para mim e deu uma batidinha leve no meu ombro, igual todas as médicas de plantão fazem quando se despedem de seus pacientes mais estranhos.

***

Saí mancando um pouco. Ramón me esperava do lado de fora, encostado na moto, com os braços cruzados e cara séria. Perguntou como eu estava. Eu disse: fissura, nada grave, preciso descansar.

Ele me levou até a ponte sem dizer muita coisa. Antes de eu cruzar, me segurou pelo braço:

—Se você voltar por aqui, me avisa.

Não prometi nada. Atravessei andando devagar, com o cu ardendo e a cabeça cheia de imagens que se recusavam a se organizar cronologicamente. O tamanho das mãos dele. A grossura da rola dele quando eu a segurei com as duas mãos. A voz de Beatriz dizendo "a diferença é quanto lubrificante se usa antes". A sensação de ter cruzado um limite que eu não sabia que estava ali esperando por mim.

Hernán e Claudia estavam no saguão quando cheguei. Eu disse que tinha torcido o tornozelo numa escada. Eles acreditaram sem perguntar.

Naquela noite, de bruços na cama com o creme fazendo efeito e o ventilador se movendo devagar na escuridão, revisei cada momento dessas horas. Não com culpa. Com algo mais parecido com a curiosidade de alguém que descobriu um quarto novo numa casa que achava conhecer de memória. Enfiei uma mão por baixo de mim e me toquei só de leve no clitóris, sem força, mais para confirmar que ele ainda estava ali do que para buscar outro orgasmo, e gozei baixinho, mordendo o travesseiro, pensando na rola de Ramón entrando em mim de milímetro em milímetro.

No dia seguinte pegamos a estrada de volta para Córdoba. A Sprinter estava funcionando bem, Hernán estava contente com o serviço, Claudia dormia recostada no banco do acompanhante. E eu olhava a estrada com o frasco de lubrificante de silicone já anotado no bloco de notas do celular novo.

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