Confessei ao meu marido o que fiz com o irmão dele
Meu marido me observava no escuro por trás do espelho falso. Ele esperava ver o irmão se render a mim. Eu ia confessar algo muito pior.
Meu marido me observava no escuro por trás do espelho falso. Ele esperava ver o irmão se render a mim. Eu ia confessar algo muito pior.
Quando ele ergueu os olhos e me pegou olhando no vestiário, algo mudou entre nós. Eu só não sabia exatamente o quê, nem até onde iria.
Eu tinha ensaiado a saia xadrez e a camisa amarrada no umbigo cem vezes na cabeça. Nessa tarde, com a casa vazia, enfim fiz de verdade.
Era a primeira vez que eu ia à base de transporte procurá-lo. O que eu não sabia é que Rodrigo já me esperava com um sorriso nada inocente.
Toda manhã eu acordo com o mesmo fogo. Não é amor, não exatamente. É outra coisa, mais urgente, e nenhum alívio dura o bastante para apagá-lo por completo.
Eu estava há duas horas me revirando na cama. Sabia que ele dormia a três portas da minha e que aquela noite, pela primeira vez, eu não ia conseguir fingir.
Eu sabia que não era sensato. Mesmo assim contornei a ponte, desci pelo paredão e o encontrei dormindo exatamente onde o tinha deixado.
Debaixo da água do chuveiro, os dedos dela terminaram o que ele tinha começado naquela sala. E ela soube que três dias não seriam suficientes.
Quando entreguei a tanga dobrada como um bilhete, soube que não havia volta. Só restava esperar pela sexta-feira e abrir o envelope que ele me devolveria na aula.
Entrei no jogo para fazer amigos. Fiquei porque ali havia homens que queriam o mesmo que eu: algo real, sem nome e sem futuro.
Abri a carta no meu escritório, sozinha, e soube que algo ia mudar antes de terminar de ler. O que eu não esperava era que a mudança viesse do meu marido.
Naquela noite, entendi que ensinar alguém a sentir o próprio corpo pode ser o ato mais íntimo de todos.
Quando cheguei atrasado ao vestiário, ele já saía do chuveiro. Eu não devia ter olhado. Mas olhei. E ele viu. O que veio depois não estava em roteiro nenhum.
Rodrigo me disse que seriam seis. Eu me levantei e fui embora. Nove dias depois, liguei de volta para dizer que tinha pensado e que sim.
Eu guardava seus textos em uma pasta privada e os relia à noite com a luz apagada. Passei meses assim antes de me atrever a escrever para ele.
Cada vez que ela aceitava uma condição, surgia a seguinte. No fim do dia, nenhum dos dois sabia bem o que tinha acontecido, mas ambos queriam repetir.
Quando saí do ginásio, achei que ia direto para casa. Não sabia que ele me esperava encostado na grade, com um cigarro aceso e outra coisa em mente.
Quando Mateo saiu da água com a sunga encharcada, eu soube que minha esposa não deixaria aquela tarde passar sem morder algo que não lhe pertencia.
Andei quinze minutos até o hotel dele com o vestido mais curto que eu tinha. Eu sabia exatamente para quê estava indo e não me importava que desse pra perceber.
Quando meu marido fechou a porta às três e me encontrou na cozinha com o chá entre os dedos e a renda preta colada ao corpo, soube que ele não ia ficar em silêncio.