O que meu marido deixou escrito na tela naquela noite
Encontrei uma taça de vinho, uma máscara preta e um texto incendiário na tela. Li devagar e entendi que naquela noite meu marido tinha decidido realizar seu maior desejo.
Encontrei uma taça de vinho, uma máscara preta e um texto incendiário na tela. Li devagar e entendi que naquela noite meu marido tinha decidido realizar seu maior desejo.
Ele fingia esperar alguém na entrada quando as três se aproximaram rindo. Uma delas me perguntou se eu tinha a noite livre. Não imaginei até onde tudo ia chegar.
Meu marido me incentivou com o olhar a ir embora com aquele desconhecido. O que nenhum dos dois sabia era que aquele homem não pretendia nos deixar em paz.
Subir o vídeo foi só o começo. Naquela madrugada de sábado, entendi que olhar já não me bastava: eu queria que um desconhecido me tocasse de verdade.
Paguei a entrada, procurei a cabine do fundo e achei que seria só um minuto. Então ouvi aquela voz grave perguntando se tinha alguém do outro lado da parede.
Eu disse que tudo seria adiantado. Ele sorriu, transferiu metade e me marcou num apartamento onde ninguém faria perguntas. Eu subi pronta para cobrar cada minuto.
Tínhamos pulado o gradil de uma chácara vazia. Ele marcava meu ritmo com a mão na minha nuca e eu me deixei levar sem pensar em mais nada.
Eram seis da manhã, eu ainda estava com o vestido de noiva e meu marido roncava inconsciente lá em cima. O garçom ainda não tinha ido embora, e eu já não pensava em dormir.
Aos quarenta e nove anos, eu achava que já tinha visto de tudo, até que aquele desconhecido encharcado tirou a camiseta no meu quintal e eu soube que a tarde não terminaria com jardinagem.
Passei anos cuidando para que ninguém a olhasse demais. Naquele fim de tarde, escondido entre as ervas altas, eu não conseguia parar de olhar.
Nunca pensei que me sentir observada por completos desconhecidos me excitasse tanto. Naquela noite, atrás do vidro, descobri o que eu realmente gostava.
Tinha vinte e sete anos, uma namorada e uma vida regrada. Então aquele vizinho o olhou no ônibus como se soubesse algo que Tobías ainda não ousava nomear.
Ele me pediu que segurasse umas ferramentas de cócoras. Eu sabia perfeitamente o que ele estava fazendo, e mesmo assim não me levantei.
Desliguei o motor no canto mais escuro do posto, retoquei os lábios no retrovisor e soube que naquela noite eu não iria embora sozinha.
Acreditávamos que brincávamos às escondidas na areia, até que um estranho se aproximou e confessou que nos observava havia horas. E trazia uma proposta.
Ela me pegou olhando para ela enquanto folheava um Cortázar. Sustentou o olhar por três segundos, sorriu de lado e eu soube que aquela tarde na livraria não terminaria entre livros.
Quando os quatro caras entraram no apartamento às cinco da manhã, eu soube que viveria algo que nunca contei a ninguém.
Não me importou que ele tivesse trinta anos a mais. Com o balanço da estrada, a mão dele encontrou minha cintura na escuridão e eu parei de fingir que aquilo não me agradava.
Cheguei tarde ao jantar, mas não por causa do trânsito. Foi pelo desvio que fizemos até aquele terreno baldio a cinquenta metros do restaurante.
Vesti o biquíni mais pequeno que tinha e desci para o jardim só para ver a cara dele. Eu sabia exatamente o que estava fazendo, e não ia parar.