Vesti-me de mulher para um desconhecido à meia-noite
Eu nunca tinha saído à rua vestida de mulher. Naquela madrugada, pintei os lábios no banheiro de um posto e dirigi até ele sem pensar no que viria.
Eu nunca tinha saído à rua vestida de mulher. Naquela madrugada, pintei os lábios no banheiro de um posto e dirigi até ele sem pensar no que viria.
Fazia anos que fantasiávamos com isso em voz baixa. Naquela tarde, na cabana, minha mulher amarrou meus pulsos à cabeceira e disse que tinha uma surpresa.
Achei que Carla dormia enquanto uma loira se aproximava de mim na praia. Ao voltar, ela confessou que tinha visto tudo de olhos entreabertos.
Ela disse que eu voltasse às dez, quando fechasse a loja, e que me chuparia melhor que qualquer uma. Levei quatro noites para encontrá-la no caixa de novo.
Quando entrei no banco do carona e ele disse «olha como você me deixou», soube que naquela noite não sairia do táxi sendo o mesmo de antes.
Tirei o moletom na escada, esperei ouvir o chuveiro no andar de cima e voltei à cozinha decidida a fazer aquele homem parar de olhar para a geladeira.
Eu tinha vinte e seis anos e achava que conhecia meus limites. Bastaram um desconhecido na areia e o olhar cúmplice do meu marido para descobrir que eu não conhecia nada.
O apartamento era um congelador, então bati à porta dela para perguntar sobre o aquecimento. Ela saiu de pijama e me ofereceu um café que demorei a esquecer.
Contei sem pensar a um desconhecido que minha esposa dormia nua em casa, e aquela frase reacendeu algo que estava apagado havia anos entre nós.
Entrei naquela oficina dando ordens, como sempre faço. Não imaginei que aquele homem coberto de graxa me faria lembrar quem realmente mandava naquela tarde.
Anos atrás, escrevi dez mandamentos para não prejudicar ninguém. O primeiro é nunca intervir. O segundo, permanecer escondido. Esta é uma das noites que jamais confessarei.
Nunca imaginei que aquele zagueiro gigante que meu pai xingava da arquibancada acabaria compartilhando comigo a noite mais intensa da minha vida.
Subi sozinho ao apartamento para tomar banho antes dos outros. O que eu não esperava era que alguém, do outro lado do pátio, estivesse esperando exatamente aquele momento.
Marcos me pediu que eu não julgasse nem perguntasse nada quando o amigo dele chegasse. Naquela mesma noite, do quarto ao lado, entendi que tipo de visitas eles recebiam às sextas-feiras.
O marido nos abriu a porta de casa com uma única intenção: ver dois desconhecidos darem prazer à sua mulher. Ela fingia hesitar, mas seu olhar já havia decidido.
A tempestade de areia levou toda a caravana. Só ele restou, vagando entre dunas, até uma figura escura surgir no horizonte para salvá-lo.
Quando a porta violeta se fechou sob meus pés, soube que já não estava na minha cidade: aqui, os homens mandavam e elas só esperavam uma ordem.
Eu o vi sair do carro com aquele terno claro e soube que naquela noite não dormiria sozinha no apartamento emprestado.
Ouvi cada palavra suja que disseram sobre o meu corpo, convencidos de que eu não os entendia. Quando me levantei e falei no idioma deles, seus rostos ficaram vermelhos.
Tinha noventa florins, dois dias de viagem nas costas e uma filha dormindo. O que não tinha eram passagens para o navio, e o jovem do balcão já a olhara duas vezes.