A tarde em que finalmente dei em cima de um desconhecido
Eu já fazia tempo que queria fazer isso: escolher um homem em um lugar público e levá-lo para a cama. Naquela tarde no café, enfim tomei coragem.
Eu já fazia tempo que queria fazer isso: escolher um homem em um lugar público e levá-lo para a cama. Naquela tarde no café, enfim tomei coragem.
Quando apertei a campainha com o cachorro ao meu lado, não imaginei que aquela estranha de olhar esquivo me levaria até o quarto ainda naquela tarde.
Eu a vi surgir ao fundo da rua e soube que aquela noite não seria como as outras. Ela não tinha vindo para conversar.
Disseram-me que o cliente era especial. Não disseram que era o homem mais temido da cidade — nem que, assim que o amarrei, ele começaria a se quebrar de verdade.
Ele carregava um caderno de versos debaixo do braço e sorriu como se soubesse o que eu estava pensando. Eu não deveria ter voltado pelo caminho. Mas voltei.
Marcos era voyeur e passava anos querendo vê-la com outro homem. Na tarde em que tentaram pela primeira vez, dois desconhecidos no restaurante mudaram tudo.
Caminhei sozinha por ruas escuras, com a raiva de quem acabara de ver o namorado com outra. Não procurava nada. E, ainda assim, encontrei algo.
O app no celular escondido dizia três homens, um hotel, sem romantismo. Só precisava escrever «sim». Fiz isso antes de pensar duas vezes.
Daniela me pediu uma carona até o bairro dela. Ao chegarmos, dois vizinhos bebiam cerveja na rua. Um escondia um segredo que minha amiga já suspeitava. Eu decidi confirmar.
Ele voltou da corrida no fim da tarde e a encontrou nas dunas. Ela não estava sozinha. Nunca esteve.
Quando vi as luzes daquela caminhonete piscando no estacionamento, soube que o café da manhã em família ia esperar.
Vesti as roupas de Camila como uma brincadeira. Acabei no apartamento de um desconhecido, sem saber como chegara ali nem o que aconteceria.
Nunca paguei por sexo, ou era o que eu pensava. Naquela noite, no terreno abandonado, aprendi que o desejo não pergunta antes de agir.
Quando Roberto apontou que eu era o marido, o senhor Kanamoto sorriu pela primeira vez. Entendi então que meu papel naquela tarde não seria o de esposo.
Foi a noite em que fui mais longe sozinha e sem uma peça de roupa. Cães, homens, motos e o parque central: vi tudo com a pele nua.
Foi quando ela me pediu que eu abrisse o vestido. Só isso. Depois tranquei a porta, e tudo mudou.
Nunca tinha estado com uma mulher trans. Encontrei o anúncio num portal, liguei sem saber o que esperar, e no sábado subi três andares rumo a algo sem nome.
Não soube se o que senti foi ciúme ou excitação. Provavelmente as duas coisas ao mesmo tempo, e isso me assustou mais do que qualquer outra coisa.
Quando apontou a câmera pela primeira vez, disse a si mesmo que era a última. Seis semanas depois, ainda gravava. E Laura ainda sorria do outro lado da lente.
Eu andava sozinha na chuva, com a roupa grudada no corpo, quando ele me viu da obra. Nenhum dos dois disse muita coisa. Não foi preciso.