O que aconteceu com o homem trans do vestiário
Ele achou que o vestiário estava vazio ao entrar no chuveiro. Não contava com dois desconhecidos observando-o — nem com a tesão que isso despertaria.
Ele achou que o vestiário estava vazio ao entrar no chuveiro. Não contava com dois desconhecidos observando-o — nem com a tesão que isso despertaria.
Sentei no banco do copiloto só por curiosidade, mas naquela noite entendi que algumas decisões se tomam sem pensar demais.
Quando percebi que não estava com a carteira nem o telefone, o táxi já tinha ido longe demais. E o motorista começou a me olhar diferente pelo retrovisor.
Desci do carro para sentar na frente e, assim que vi o volume na calça dele, soube que aquele táxi não ia me levar direto para casa.
Escolhi a sessão mais vazia para ficar sozinho com meu cansaço, até que ela atravessou a sala e sentou duas poltronas à minha direita com um sorriso que prometia problemas.
Perdi meus amigos, perdi o rumo e, sem saber como, acabei ajoelhado entre duas mulheres que acabara de conhecer. Isso aconteceu de verdade.
Passei semanas pensando nela toda noite, até que aquele jantar terminou no banco do carro, com a mão dela buscando o que eu mal conseguia esconder.
Eu só ia tomar uma cerveja com ela enquanto esperava o casal com quem ela tinha combinado. Nunca tinha pisado num clube assim, e a curiosidade venceu.
Ela cruzou as pernas, me olhou por cima do livro e eu soube que aquela mulher estava há anos sem pedir permissão para nada. A hora morta do metrô virou outra coisa.
Ela levantou o vestido, me lançou um sorriso e começou a se tocar para o caminhoneiro que seguia ao nosso lado. Era só o começo de uma viagem inesquecível.
A cento e cinquenta metros da minha sombrinha, ela o acariciava sem disfarçar. Soube que voltaria pelas dunas para não perder nada do que viria depois.
Eu vinha imaginando isso há meses: um vestido preto, saltos brilhando sob as luzes e eu parada numa esquina, à vista de todos que passassem.
Eu te disse que a viagem começava às quatro da madrugada. O que não contei é que metade do prazer estaria em quem nos visse pelo caminho.
Quando minha amiga abriu a bolsa, não havia uniforme nenhum: só umas asas, uma cinta-liga e meias arrastão. E a carreta já estava esperando para sair.
Pintei os lábios encostada no tronco, certa de que estava sozinha. Então ouvi o estalo de umas folhas e soube que alguém me observava havia um tempo.
Fecho a porta do depósito, troco de roupa e viro outra. Ninguém na minha rua suspeita do que vou fazer esta noite, e é justamente isso que mais me excita.
Eu estava casada havia sete anos e nunca tinha olhado para outro homem. Até que meu marido pegou minha mão e confessou o que realmente desejava.
Sentei na borda do cais sem buscar nada, mas o olhar de um homem que sabe o que quer me desmontou antes de eu dizer uma só palavra.
Eu estava secando as costas quando a porta se abriu de repente. Ela me viu inteiro, pediu desculpas e saiu correndo. Não imaginei que voltaria a encontrá-la ainda naquela manhã.
Assinei minha renúncia sem olhar para trás. Naquela noite seria a última transa da minha vida como homem, e eu pretendia aproveitá-la antes de começar a ser quem Carla sempre quis.