O desejo que pedi na festa me transformou em mulher
Ninguém me olhava naquela festa. Esfreguei a lâmpada por tédio e pedi um corpo impossível de ignorar; jamais imaginei o preço desse desejo.
Ninguém me olhava naquela festa. Esfreguei a lâmpada por tédio e pedi um corpo impossível de ignorar; jamais imaginei o preço desse desejo.
Havia meses ela preparava o mesmo almoço para mim sem que eu entendesse a mensagem. Naquela tarde, cheguei em casa decidido a responder como ela esperava.
Era para Andrés, meu namorado. Mas o segundo tique azul apareceu em três segundos, e entendi, com o estômago gelado, que o havia enviado ao homem errado.
Ela disse que eu voltasse às dez, quando fechasse a loja, e que me chuparia melhor que qualquer uma. Levei quatro noites para encontrá-la no caixa de novo.
Entediada diante da televisão, sozinha numa cama grande demais, fechou os olhos e deixou que sua mão fizesse o que não se permitia havia dois anos.
Eu vinha olhando para ela de soslaio havia semanas, enquanto recolhia as lixeiras. Naquela noite, sozinhos no escritório, foi ela quem pediu minha ajuda.
Ela trancou a porta atrás de mim e, antes que eu pudesse protestar, seus dedos já procuravam meu cinto. Só disse: «Ouvi dizer que era seu aniversário».
Aceitei uma bebida depois do trabalho achando que seria algo inocente. Três horas mais tarde, entendi que nunca quis que fosse.
Eu sabia exatamente o que provocava ao cruzar as pernas diante da mesa dele. O que ele não sabia era a surpresa escondida sob minha saia.
Eu estava havia um mês na recepção quando a festa de sexta-feira mudou tudo: uma mão sob a mesa, uma decisão impensada e uma segunda-feira que deixou de ser trabalho.
Ele tinha a idade da minha filha mais velha e se esticava para olhar meu decote enquanto eu assinava. Não disse nada. No dia seguinte, escolhi o vestido pensando nele.
Todos no escritório falavam do corpo da mulher de Marcos. Eu só queria conferir com meus próprios olhos, mesmo que para isso tivesse de inventar uma demissão.
Ela tinha as malas no carro e a demissão nas mãos. Só faltava atravessar mais uma porta antes de recomeçar, e aquela porta mudou tudo.
Eu estava desempregada havia meses quando comecei a trabalhar no depósito dele. Não sabia que aquele homem sério de mãos grandes, o pai da minha melhor amiga, me desmontaria com um único olhar.
Eram oito e meia da noite, faltava meia hora para a ligação do cliente, e eu já sabia exatamente como queria que passássemos aquela espera.
Entrei na terceira fileira com um café frio e meu ceticismo dobrado no caderno. Não sabia que cada frase dela iria reescrever quem eu era, até o último botão.
Planejamos aquela noite por uma semana: o marido dela no futebol, minha mulher na aula. O que não calculamos foi quantas vezes seríamos interrompidos.
Sempre levei os comentários dele como uma brincadeira de escritório, até a noite em que fechei a mala, me maquiei diante do espelho e bati na porta dele.
Fechei o ferrolho, me ajoelhei sobre os azulejos frios e soube que ia obedecê-lo até o fim, mesmo com qualquer um podendo entrar no banheiro ao lado.
Ele era novo, tímido e educado. Não imaginou que, naquela tarde, quando todos saíram do escritório, uma única ordem minha bastaria para colocá-lo de joelhos.