A entrevista em que aprendi a obedecer
«Se ficar, deixa de ser a estudante perfeita», ele me disse sem me tocar ainda. Olhei para a porta trancada. Minhas pernas não se moveram.
«Se ficar, deixa de ser a estudante perfeita», ele me disse sem me tocar ainda. Olhei para a porta trancada. Minhas pernas não se moveram.
Naquela manhã, decidi levar eu mesma o café até a sala dele, diante de todos, para que entendessem que tipo de mulher eu pretendia ser ao lado dele.
Ela tinha todas as provas sobre a mesa. Podia me destruir com uma única ligação. Em vez disso, trancou a porta e mandou que eu me ajoelhasse.
Mandei duas fotos escondida no banheiro para provocá-lo. A resposta dele não foi um elogio: foi uma ordem para eu abrir a gaveta que sempre mantinha trancada.
Aos vinte e nove anos, ela ainda tinha cara de moça direita, mas naquela manhã entrou no meu escritório sabendo exatamente o que teria de fazer para que o pai dormisse em casa.
Quatro manchas violáceas nos meus quadris tinham o formato exato dos dedos dele. Vesti-me como uma executiva impecável, mas os dois sabíamos a quem meu corpo já pertencia.
Eu vinha evitando ela há semanas, convencido de que o nosso caso tinha acabado. Então o telefone tocou e a voz dela bastou para eu saber que eu ia cair de novo.
Quando ela enfiou a mão sob a minha mesa, eu soube que naquela manhã não resolveria uma só incidência. Só conseguia pensar nela e no que acabara de me deixar.
Estávamos há três anos respeitando uma única regra entre sócios. Naquela noite fria, com o vestido verde dela e a sala escura, soubemos que íamos quebrá-la.
Passei dos cinquenta, sou casada há trinta anos e nunca fui fiel. Estas são as escapadas secretas que mantiveram meu casamento vivo.
Pedi que ela se vestisse para provocar e, no quarto dia, ela voltou para casa com a voz trêmula e uma história que não podia me contar vestida.
Meu marido passou duas décadas esperando que eu cruzasse essa linha. Nunca imaginei que faria isso numa tarde qualquer, contra a parede do meu próprio escritório.
Subiram até o segundo andar com uma bandeja de doces. Nenhuma imaginou que naquela tarde aprenderiam quanto desejo dormia entre as três.
Passávamos meses fantasiando com a ideia. Naquela noite, enquanto ela subia a escada atrás da garçonete, eu soube que veria tudo da sala ao lado.
Eram quase onze quando o elevador me deixou diante do estacionamento vazio. Eu não imaginava que aquelas chaves me custariam tão caro — e tão barato ao mesmo tempo.
Mandei a secretária para casa, aumentei o aquecimento e deixei só o blazer sobre o sutiã transparente. Eu queria que Mariela visse tudo o que eu vinha buscando há semanas.
Desci ao jardim para procurá-la e a encontrei atrás do vidro, sentada na cadeira, com seu assistente beijando suas pálpebras como se eu não existisse.
De dia, assinava como Tomás e ninguém suspeitava de nada. A pasta aberta por acidente no tablet do meu chefe ia romper, de uma só vez, dezoito meses de silêncio.
Ele tinha uma reunião e me deixou sozinha a tarde toda. Entediada, abri uma pasta no computador dele que eu não deveria abrir... e não consegui parar de olhar.
Por baixo daquela roupa larga e discreta havia uma fêmea com o desejo intacto. Eu só precisava esperar que ela parasse de fingir diante do marido.