A sereia que descobri na enseada proibida
Ela achava que estava sozinha em sua enseada particular. Escondido atrás das dunas, decorei cada curva de seu corpo antes que as ondas a vestissem outra vez.
Ela achava que estava sozinha em sua enseada particular. Escondido atrás das dunas, decorei cada curva de seu corpo antes que as ondas a vestissem outra vez.
Ele disse que me buscaria às cinco e que eu não fizesse perguntas. O que eu não imaginava era o que teria de esconder enquanto caminhávamos entre as pessoas.
Bastou vê-lo surgir ao sol, com a pele reluzente, para eu saber que o homem do bangalô ao lado não me deixaria dormir tranquila naquelas noites.
Quando subia para estender as roupas, nem sempre era isso que fazia. Começou com uma mão na cintura no terraço e terminou com as chaves na sua caixa de correio e esta carta sobre a mesa.
Ele não me pediu para parar. Pediu um lugar atrás da porta entreaberta, em silêncio, para olhar o que já não sabia dar à própria mulher.
Eu via como ele me olhava sempre que ia à casa dele. Naquela semana na praia, longe de todos, decidi descobrir até onde o pai do meu namorado iria.
Naquela manhã, enquanto se vestia sem pudor diante de mim, entendi que o verdadeiro jogo não era o sexo: era quanta gente ela queria que olhasse para ela.
Eu passava anos fingindo na cama do meu marido. Naquela noite, um rapaz com metade da minha idade sussurrou um bolero em meu ouvido, e tudo que eu julgava adormecido despertou de repente.
Aos sessenta, prometi a mim mesmo uma vida tranquila. Então a porta da frente se abriu, e ela apareceu, com duas mechas brancas e um sorriso que prometia problemas.
O namorado dela sempre tinha me atraído, mas ele era da minha amiga. Naquela madrugada, quando ela caiu de sono por causa do álcool, ele voltou nu para a sala e tudo mudou.
Bati à porta do banheiro com o coração disparado. Eu sabia que só ia olhar. Também sabia que estava mentindo para mim mesma.
Minha amiga prometeu que naquela noite eu realizaria uma fantasia que só tinha ousado confessar a ela. O que eu não imaginava era até onde nós duas chegaríamos.
Beijei-o no carro como se tivesse desejado aquilo a vida inteira, e só então entendi que o garoto que vi crescer já não era uma criança.
Entediada em casa, aceitei tomar alguma coisa com ele. Não contava que aquela cerveja terminaria comigo de joelhos e, depois, no quarto de hotel dele.
Dançávamos quando ele se aproximou do meu ouvido e me lembrou do que tinha visto naquela outra noite. Meia hora depois, eu entrava na caminhonete dele no fim do corredor.
Achei que a casa estivesse vazia, mas os murmúrios vinham do andar de cima. Fiquei imóvel na escada, sem coragem de subir ou ir embora.
Durante anos, ela foi invisível para todos. Mas, presos pela tempestade em uma cabana, minha sogra deixou de ser apenas a esposa do meu sogro.
Anos atrás, escrevi dez mandamentos para não prejudicar ninguém. O primeiro é nunca intervir. O segundo, permanecer escondido. Esta é uma das noites que jamais confessarei.
Não escolhi os três ao mesmo tempo. Aconteceu aos poucos, até que uma noite descobri que eles trocavam mensagens para tirar uns aos outros do caminho.
Sentaram-se uma de cada lado, certas de que me desmontariam com seus joguinhos. Passei o jantar inteiro deixando-as acreditar nisso e apenas cinco minutos virando o jogo.