As fantasias que Clara realizava toda sexta-feira
Às sextas, Clara se vestia para mim: nada sob o vestido, dedos entre as pernas a caminho do cinema e o capô do carro como cama na escuridão.
Às sextas, Clara se vestia para mim: nada sob o vestido, dedos entre as pernas a caminho do cinema e o capô do carro como cama na escuridão.
Quando abri a porta, o primeiro detalhe que notei foram os lábios dele. O segundo, o jeito como me olhou antes de entrar. Eu já sabia como a tarde ia terminar.
Sangrei dentro da minha meia rasgada, mas continuei andando até a porta dele. Eu precisava olhar nos olhos dele e saber se o que eu sentia era recíproco.
Às três da madrugada, fui ao banheiro com o cheiro dela ainda na pele e, ao voltar para a cama, vi uma fresta de luz na porta da frente. Estavam nos olhando.
Quando Roberto colou em Claudia na pista de dança, entendi que aquelas férias não iam ser o que a gente imaginava.
A borda dos sapatos perfurara minha meia-calça e cada passo ardia como uma penitência, mas não parei até tocar a campainha dele.
Quando aquele garoto de vinte anos apareceu no batente da minha porta pela segunda vez, com as mãos trêmulas e a voz cortada, eu soube que a noite mudaria.
Há semanas eu reparava nos braços dele. Na noite do show, entre cervejas e penumbra, resolvi me aproximar. O que veio depois mudou todas as regras.
Quando ele ergueu os olhos e me pegou olhando no vestiário, algo mudou entre nós. Eu só não sabia exatamente o quê, nem até onde iria.
Meus pais não estavam. A tarde era longa e o desejo, insuportável. Quando o nome 'Valeria_sola' apareceu na lista, algo me disse que aquela tarde seria diferente.
Eu tinha ensaiado a saia xadrez e a camisa amarrada no umbigo cem vezes na cabeça. Nessa tarde, com a casa vazia, enfim fiz de verdade.
Ela era famosa, perfeita e tinha cinquenta e poucos anos. Eu era o atacante do momento. Nessa noite subi à suíte dela e descobri o que é jogar fora da sua liga.
Eu estava há duas horas me revirando na cama. Sabia que ele dormia a três portas da minha e que aquela noite, pela primeira vez, eu não ia conseguir fingir.
Eu sabia que não era sensato. Mesmo assim contornei a ponte, desci pelo paredão e o encontrei dormindo exatamente onde o tinha deixado.
Quando entreguei a tanga dobrada como um bilhete, soube que não havia volta. Só restava esperar pela sexta-feira e abrir o envelope que ele me devolveria na aula.
Entrei no jogo para fazer amigos. Fiquei porque ali havia homens que queriam o mesmo que eu: algo real, sem nome e sem futuro.
Carmen dormia ao sol, nua, enquanto eu tomava a pior e melhor decisão da minha vida. Quando ela acordou e viu em que estado estava, não reagiu como eu esperava.
Quando passei pelo ponto, Seu Rodrigo me viu do ônibus. O que começou como cervejas de aniversário terminou de um jeito que eu não esperava.
Acordei no quarto dele sem lembrar como cheguei. Ele estava na cozinha, seminu e tranquilo, como se tudo fosse completamente normal.
Quando cheguei atrasado ao vestiário, ele já saía do chuveiro. Eu não devia ter olhado. Mas olhei. E ele viu. O que veio depois não estava em roteiro nenhum.