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Relatos Ardientes

A desconhecida do chat noturno despertou algo em mim

4.6(10)

Vou ser honesta: eu não estava procurando ninguém. Eu tinha acabado de sair de um relacionamento de mais de um ano com um cara que, olhando em retrospecto, nunca me fez sentir nem a metade do que senti naquela primeira noite conversando com uma completa desconhecida através de uma tela.

Meu nome é Renata e tenho vinte e três anos. Naquele momento eu estava terminando dois cursos técnicos, trabalhando meio período numa livraria no centro e dedicando as noites à única coisa que me mantinha sã: um jogo de realidade virtual em que eu podia ser eu mesma sem explicações. Criava meu avatar, entrava em salas temáticas, conversava com gente de todos os lugares. Nada sério, nada comprometido. Eu só precisava de companhia sem peso.

Naquela noite entrei numa sala que tinha a decoração habitual da comunidade. Bandeiras coloridas, luzes suaves, música lo-fi ao fundo. Havia quatro ou cinco pessoas conversando num canto, e uma garota sozinha sentada num sofá virtual, com um avatar de cabelo curto e uma jaqueta de couro que lhe dava um ar despreocupado.

— Oi — ela me escreveu antes que eu dissesse qualquer coisa —. Bonito avatar.

— Obrigada. O seu parece saído de um filme francês — respondi sem pensar.

— Gostei de você ter dito francês e não americano. Isso diz muito sobre você.

Foi assim que tudo começou.

***

O nome dela era Camila. Ou pelo menos esse foi o nome que me deu naquela noite. Tinha a minha idade, morava em outro país e sua voz, quando passamos do texto para o áudio, era rouca e pausada, como se escolhesse cada palavra com cuidado antes de soltá-la. Falamos de livros, de séries que ninguém mais assistia, do absurdo que era se sentir sozinha numa época em que todo mundo estava conectado.

Às duas da manhã descobrimos que as duas tinham chorado com o mesmo filme. Às três, que as duas escreviam em segredo. Às quatro, que nenhuma das duas tinha dormido bem em semanas.

— Por que você não dorme? — ela me perguntou.

— Porque a minha cabeça não cala. E você?

— Porque eu ainda não tinha encontrado alguém com quem conversar a essa hora.

Senti algo no estômago. Não borboletas, mas algo mais denso, mais quente. Como quando você abre o forno e o calor bate no seu rosto de uma vez. Uma pulsação baixa, no cu, que me fez cruzar as pernas debaixo da escrivaninha.

Trocamos redes sociais. A foto de perfil dela era de costas, em frente a um lago, com o cabelo castanho caindo até a cintura. Tinha a pele bronzeada, os ombros de fora. Não dava para ver o rosto, mas algo naquela imagem me fez engolir em seco.

— Essa é você? — perguntei por mensagem.

— Decepcionada?

— Muito pelo contrário.

***

As primeiras semanas foram um turbilhão. Camila me escrevia o tempo todo. Bom dia com fotos do café dela, comentários sobre músicas que lembravam a mim, áudios que eu ouvia com os fones de ouvido debaixo dos lençóis, na escuridão, sentindo a voz dela tão perto que parecia que ela estivesse deitada ao meu lado.

O problema era que eu não conseguia parar. Acordava e a primeira coisa que fazia era procurar o nome dela na tela. Na aula eu não conseguia me concentrar porque a última mensagem dela ficava rodando na minha cabeça. No trabalho eu cometia erros porque ficava de olho no celular. Dormia três, quatro horas no máximo, porque nossas conversas se estendiam até o amanhecer e nenhuma de nós queria ser a primeira a dizer boa noite.

Uma madrugada, depois de duas semanas sem dormir direito, juntei coragem para contar a ela.

— Camila, eu preciso descansar. Não é que eu não queira falar com você, é que eu estou ficando sem energia e estou falhando em tudo o resto.

Houve um silêncio longo. Depois um áudio.

— Eu entendo. Me desculpa. É que isso nunca tinha acontecido comigo com ninguém e eu não sei lidar com o que estou sentindo.

O que estou sentindo. Essas três palavras me tiraram o sono por motivos completamente diferentes.

***

Camila respeitou meu espaço. Parou de me escrever às três da manhã, parou de mandar quinze mensagens seguidas. E, curiosamente, essa distância fez com que eu sentisse mais saudade dela. Que eu a procurasse. Que fosse meu dedo quem iniciasse a conversa toda noite, como se meu corpo soubesse o que minha cabeça ainda se recusava a aceitar.

Uma noite, enquanto conversávamos por videochamada, ela apareceu com o cabelo molhado e uma camiseta branca colada ao corpo. Não estava usando sutiã; os mamilos escuros marcavam a tela úmida da roupa, dois círculos duros que me fizeram esquecer qualquer coisa que eu estivesse prestes a dizer. Não foi de propósito. Ou talvez tenha sido. Com Camila eu nunca tive certeza de onde terminava a coincidência e onde começava a intenção.

— O que você está lendo? — ela perguntou, recostando-se na cama.

— Um livro de contos. Mas não consigo me concentrar.

— Por quê?

— Porque você está me olhando assim.

Ela sorriu. Aquele sorriso lento, de canto, que me fazia sentir como se alguém passasse um dedo pela minha coluna vertebral.

— Assim como?

— Como se você soubesse de alguma coisa que eu ainda não sei.

— Talvez eu saiba — disse ela, e a voz baixou meio tom —. Talvez eu saiba que você passou semanas querendo me perguntar uma coisa e não teve coragem.

Ela tinha razão. A pergunta estava ali, entre nós, desde a primeira noite. Mas colocá-la em palavras tornaria tudo real, e o que é real dá medo.

— O que nós somos? — deixei escapar, e minha voz saiu mais frágil do que eu queria.

— Somos duas garotas que se gostam e que ainda não sabem o que fazer com isso — respondeu sem hesitar —. Mas eu já sei o que quero fazer.

— E o que é? — sussurrei, apertando as coxas sob o lençol.

— Quero enfiar meus dedos no seu cu até você gritar meu nome — disse, sem mudar o tom, como se estivesse me dizendo as horas —. E quero lamber você inteira até você não conseguir andar no dia seguinte.

Meu fôlego falhou. Senti o rosto arder e, entre as pernas, comecei a ficar molhada tão rápido que a calcinha grudou na minha boceta em questão de segundos.

***

O que veio depois foi uma escalada lenta e deliberada. Camila não tinha pressa, mas também não tinha medo. Começou com perguntas. Perguntas que, no início, pareciam inocentes, mas iam deixando um rastro de calor por onde passavam.

— Você já ficou com uma garota?

— Não. Mas pensei nisso.

— Quando você pensa nisso?

— À noite. Ultimamente, muito.

— Está pensando em alguém em particular?

Não respondi. Não precisava. Meu silêncio era a resposta mais honesta que eu podia dar.

— Você se toca pensando em mim, Renata? — insistiu, em voz muito baixa.

— Sim — admiti, e senti aquela palavra queimar minha garganta —. Quase todas as noites.

— Me conta como.

— Eu enfio a mão por baixo da calcinha e imagino que é a sua. Carinho meu clitóris devagar, com dois dedos, até gozar pensando na sua voz.

Ouvi a respiração dela do outro lado, profunda. Um silêncio pesado, molhado.

— Caralho, Renata — disse, e pela primeira vez a voz dela soou fora de controle —. Você não sabe a vontade que eu tenho de estar aí.

Depois daquela conversa, alguma coisa mudou. As videochamadas ficaram mais longas, mais íntimas. Camila me falava com a luz apagada, só com a tela iluminando o rosto, e a voz dela assumia um tom diferente, mais grave, mais próximo. Ela me contava coisas que nunca tinha contado a ninguém. Eu fazia o mesmo. Era como se despir em camadas, começando pelas que pesam mais.

Uma noite ela me mandou uma foto. Não era totalmente explícita, mas sugeria tudo. Ela estava deitada de lado, com a camiseta levantada até as costelas, mostrando a curva da cintura, a sombra do quadril, o início de um seio pequeno e redondo. A pele dourada. A borda do elástico da calcinha mal visível, e uma mancha escura de umidade marcando o tecido entre as coxas.

Fiquei olhando aquela foto por dez minutos. Senti a boca seca. O coração pulsando nos ouvidos. Um calor concentrado no ventre que descia devagar, como mel quente. Meti a mão dentro da calça sem pensar e me encontrei encharcada, tão molhada que os dedos deslizaram para dentro sem resistência.

— Você não precisa me enviar nada de volta — ela escreveu —. Só queria que você soubesse como eu fico quando penso em você. Estou molhando a calcinha enquanto escrevo isso.

Quando penso em você. Fechei os olhos e deixei aquelas palavras percorrerem meu corpo inteiro enquanto meus dedos entravam e saíam da minha boceta no ritmo da voz imaginária dela.

***

Não enviei foto nenhuma naquela noite. Nem na seguinte. Não porque eu não quisesse, mas porque o desejo que eu sentia era tão novo, tão grande, que eu precisava entendê-lo antes de agir. Com minhas parceiras anteriores, tudo tinha sido mecânico, previsível. Algumas estocadas desajeitadas, uma gozada rápida dele em cima de mim, e dormir. Isso era diferente. Isso me fazia tremer e me molhar só com uma frase na tela.

Passaram-se três dias sem que a gente conversasse. Os mais longos da minha vida. Pensei que ela tivesse ficado chateada, que tivesse interpretado meu silêncio como rejeição. Mas quando finalmente escrevi para ela, a resposta veio na hora.

— Eu estava te esperando.

— Você não está com raiva?

— Por que eu estaria com raiva? Você precisava de tempo. Eu te dou todo o tempo que você precisar. Mas quero que você saiba uma coisa: eu não vou desaparecer.

Naquela noite fizemos uma videochamada que durou até as quatro da manhã. Não foi como as outras. Algo tinha quebrado. Ou talvez algo tivesse se aberto. Camila estava deitada no escuro, e eu podia ver só o brilho dos olhos dela e o movimento da boca quando ela falava.

— Fecha os olhos — ela pediu.

— Pra quê?

— Confia em mim. E tira a roupa.

Hesitei por um segundo, mas obedeci. Tirei a camiseta, a calça, a calcinha. Me deitei nua sobre os lençóis, a pele arrepiada e a câmera apontada para o teto, respirando forte.

— Eu também estou nua — disse ela —. Fecha os olhos. Agora me escuta.

Fechei. E então ela começou a falar. Devagar. Descrevendo com uma precisão que me arrepiava o que faria se estivesse ali, na minha cama, ao meu lado.

— Primeiro eu beijaria sua boca. Forte. Sugaria sua língua até deixar você sem ar. Depois desceria para o seu pescoço e morderia bem embaixo da orelha até você gemer.

Um suspiro escapou de mim. Camila ouviu e continuou, mais devagar.

— Depois eu chupava seus seios. Um e depois o outro. Lambia seus mamilos até deixá-los duros como pedra e mordia só o suficiente para arrancar um grito de você. Eles estão duros agora?

— Estão — sussurrei.

— Toca neles por mim. Belisca. Forte.

Levantei as mãos e apertei os mamilos entre os dedos, torcendo-os com a força que ela me pedia. Um choque quente percorreu meu corpo do peito até o clitóris.

— Agora eu desço pela sua barriga com a língua — continuou ela —. Beijo cada centímetro. Mordo os ossinhos do quadril. Abro suas pernas com as mãos, devagar, e fico olhando como você está molhada.

— Estou escorrendo, Camila — confessei, e senti a vergonha me abandonar a cada palavra.

— Me mostra.

Desci a mão e passei dois dedos entre os lábios da boceta. Tirei-os brilhando, encharcados, e os ergui diante da câmera. Ouvi ela gemer baixinho do outro lado.

— Chupa os dedos — ela mandou —. Quero ver você se provar.

Levei os dedos à boca. Tinham gosto de sal e de algo doce, denso. Fechei os lábios ao redor deles e chupei como se fossem a língua dela.

— Boa garota — sussurrou —. Agora desce e toca seu clitóris. Círculos lentos. Como eu tocaria se tivesse meu rosto enterrado entre suas coxas.

Obedeci. Comecei com a ponta do dedo médio fazendo círculos suaves ao redor daquele ponto inchado, sentindo-o pulsar contra a minha mão. A voz de Camila marcava o ritmo, subindo quando eu devia apertar mais, descendo quando eu estava prestes a gozar e precisava aguentar.

— Agora enfia dois dedos na boceta — murmurou —. Devagar. Sem parar de tocar o clitóris com a outra mão.

Enfiei dois dedos e senti meu corpo inteiro se arquear. Eu estava tão molhada que eles entraram sem resistência até os nós dos dedos. Comecei a movê-los, entrando e saindo, enquanto a outra mão seguia desenhando círculos sobre o clitóris.

— Isso — disse ela —. Me escuta. Quando eu estiver aí, na sua cama, vou fazer exatamente isso, mas com a minha língua. Vou chupar seu clitóris enquanto enfiar meus dedos até o fundo. Vou comer seu cuzinho até você implorar para eu parar, e quando implorar eu não vou parar. Vou continuar até você gozar duas, três vezes seguidas contra a minha boca.

— Camila…

— Enfia mais um dedo. Três. Quero te ouvir.

Enfiei o terceiro e soltei um gemido longo. Eu estava tão cheia, tão tensa, que sentia cada batida do coração entre as pernas.

— Agora se fode rápido. Pensa que sou eu que estou te abrindo no meio. Pensa na minha língua chupando seu clitóris enquanto eu te penetro com os dedos.

Acelerei. Os dedos entrando e saindo com um som úmido que enchia o silêncio do quarto, o clitóris queimando sob a outra mão, a voz de Camila dizendo safadezas no meu ouvido como se estivesse lambendo minha orelha.

— Goza pra mim, Renata. Agora. Goza pensando na minha boca.

E eu gozei. Um orgasmo violento que me sacudiu de cima a baixo, que me fez fechar as pernas ao redor da minha própria mão e morder o travesseiro para não acordar os vizinhos. Um grito abafado, longo, que saiu de um lugar que eu não conhecia, que eu nem sabia que existia dentro de mim. Senti minhas coxas tremerem por um minuto inteiro depois, com os dedos ainda dentro de mim, encharcados até o punho.

Depois houve silêncio. Só nossas respirações descompassadas, separadas por milhares de quilômetros, mas mais próximas do que nunca. Ouvi ela também terminando, um gemido preso entre os dentes, um suspiro longo e depois um suspiro que soou como rendição.

— Você está bem? — ela perguntou.

— Estou melhor do que bem — sussurrei —. Estou desperta.

***

O que aconteceu naquela noite mudou tudo. Já não era curiosidade, já não era amizade com contornos difusos. Era desejo puro, concreto, com nome e sobrenome. Eu a queria. Queria as mãos dela de verdade, não só a voz. Queria saber a que gosto seu cuzinho tinha, como a língua dela se sentia contra meu clitóris, que cara ela fazia quando era ela quem perdia o controle com a cabeça entre as minhas pernas.

Comecei a planejar a viagem sem dizer nada a ela. Juntei dinheiro durante três semanas, pedi dias de folga no trabalho, inventei uma desculpa para minha família. E uma tarde, enquanto ela me falava de um livro que estava lendo, escrevi uma única linha.

— Qual é o seu endereço?

Houve uma pausa longa. Depois um áudio que era só a risada dela, nervosa, incrédula, e no fim a voz dela se quebrando:

— Você está falando sério?

— Nunca falei tão sério na minha vida.

***

O aeroporto era pequeno e estava meio vazio às onze da noite. Saí puxando a mala e com o coração batendo na garganta. Procurei ela com os olhos entre as poucas pessoas que esperavam na saída e a vi antes que ela me visse.

Ela era mais alta do que eu imaginava. Usava jeans escuros, uma blusa preta sem mangas e o cabelo solto, exatamente como naquela foto do lago. Quando me reconheceu, o rosto dela se iluminou com aquele sorriso que eu já conhecia de cor, mas que ao vivo era mil vezes mais devastador.

Fui até ela e não disse nada. Não precisava. Ela me abraçou e tinha cheiro de jasmim e algo cítrico, e quando se afastou só alguns centímetros, me olhou nos olhos e disse:

— Eu não acredito que você está aqui.

— Eu também não — sussurrei.

E a beijei. Ali, no meio do terminal, com a mala ainda na mão. Beijei como se passasse meses ensaiando aquele beijo na escuridão do meu quarto. Os lábios dela eram macios e tinham um gosto doce, como fruta madura, e quando a língua dela roçou a minha senti meus joelhos fraquejarem. Ela enfiou a mão na minha nuca e me colou ao corpo dela, e percebi os seios pequenos dela pressionando os meus através da roupa.

— Vamos sair daqui — murmurou contra a minha boca —. Antes que eu te coma no banheiro do aeroporto.

***

O apartamento dela era pequeno, cheio de plantas e livros empilhados no chão. Ela não acendeu a luz. Só a luminária da mesa de cabeceira, que banhava tudo num tom âmbar que fazia a pele dela parecer de ouro.

Sentamos na cama porque não havia sofá. Nos olhamos com aquela mistura de nervos e fome que só se sente quando algo que você desejou durante meses está finalmente ao alcance da mão.

— Estou com medo — admiti.

— Eu também — disse ela, e passou a mão no meu rosto com o dorso dos dedos —. Mas o medo bom. O que significa que o que vem pela frente importa.

Ela me beijou devagar. Com uma ternura que eu não esperava, que me desarmou mais do que qualquer urgência. Mas a ternura durou pouco. No instante em que abri a boca para deixá-la entrar, o beijo ficou faminto, mordido, com a língua profunda procurando a minha como se carregasse meses de fome acumulada. As mãos dela percorreram meus ombros, meus braços, minha cintura, e de lá desceram direto para a minha bunda, apertando com força e me puxando contra o quadril dela.

Ela puxou minha camiseta de uma vez. Depois o sutiã, com uma destreza que me fez pensar que ela já tinha feito aquilo muitas vezes antes. Olhou meus seios nus à luz da luminária e respirou fundo.

— Caralho — sussurrou —. Eles são perfeitos.

Ela se abaixou e abocanhou um mamilo. Sugou primeiro, devagar, depois mordeu, e depois puxou com os dentes até eu soltar um gemido agudo. Com a outra mão ela beliscou o outro mamilo, torcendo-o entre o polegar e o indicador, e eu joguei a cabeça para trás sentindo o choque descer direto para a boceta.

— Você é mais linda do que eu imaginava — sussurrou contra minha clavícula, indo de um seio para o outro, deixando meus mamilos brilhando de saliva e tão inchados que doíam.

Ela me deitou de costas na cama e arrancou minha calça e minha calcinha num único movimento. Ficou de joelhos me olhando nua, com as pernas abertas diante dela, e vi quando ela lambeu o lábio inferior antes de falar.

— Olha como você está. Você está encharcada, Renata. Toda essa umidade é por minha causa.

— É — suspirei —. Toda por sua causa.

Ela abriu mais minhas pernas com as mãos, segurando por dentro das minhas coxas, e baixou a cabeça sem aviso. Senti a língua quente dela passar de baixo para cima num único movimento longo e lento, da entrada da boceta até o clitóris, e gritei tão alto que ela riu contra o meu sexo.

— Chssst. Você vai acordar o prédio inteiro.

— Não me importa — eu disse, agarrando o cabelo dela com as duas mãos —. Não para.

Camila enterrou o rosto entre minhas pernas e começou a comer meu cuzinho com uma fome que eu nunca tinha visto em ninguém. Sugava os lábios, mordia de leve, enfiava a língua o mais fundo que conseguia e depois subia para girar círculos ao redor do clitóris com a ponta. Alternava língua e lábios, chupando o clitóris como se fosse um doce, puxando-o com a boca até eu erguer os quadris da cama, buscando mais.

— Não para — pedi, e minha voz soou como a de alguém que passou a vida inteira esperando dizer essas duas palavras.

Ela enfiou um dedo primeiro. Depois dois. Curvou-os dentro de mim procurando aquele ponto que eu nunca tinha sabido encontrar sozinha, e quando tocou eu soube exatamente onde ele estava porque meu corpo inteiro levou uma sacudida. Começou a me bombear com os dedos, entrando e saindo num ritmo firme, enquanto continuava chupando meu clitóris sem parar.

— Camila… Camila eu vou gozar…

— Goza na minha boca — disse ela, com os lábios colados na minha boceta, e aquela vibração foi o que acabou de me quebrar.

Gozei gritando. Um orgasmo que arqueou toda a minha coluna, que fechou minhas coxas ao redor da cabeça dela, que me fez empurrar o rosto dela contra mim sem conseguir me controlar. Camila não se afastou. Continuou sugando, mais suave, com os dedos ainda dentro de mim se movendo devagar, arrancando espasmo atrás de espasmo até eu ter que implorar para que ela parasse porque eu não aguentava mais.

Quando levantou o rosto, o queixo e a boca brilhavam com a minha umidade. Lambeu os lábios sem tirar os olhos de mim, como se estivesse saboreando uma sobremesa.

— Você tem gosto delicioso — disse —. Eu podia comer você por horas.

Ela subiu devagar pelo meu corpo, beijando minha barriga, o esterno, o pescoço, e quando chegou à minha boca me beijou com os lábios ainda impregnados de mim. Provei meu próprio gosto misturado com a saliva dela e senti tudo se revirar dentro de mim de novo.

Depois a olhei e soube que era minha vez. Que eu queria conhecê-la como ela tinha me conhecido. Empurrei-a de costas e tirei a roupa dela sem pressa, beijando cada centímetro que ia descobrindo. A barriga lisa, a curva do quadril, a pinta que ela tinha bem embaixo do umbigo. Abri a blusa botão por botão, desabotoei o sutiã preto e fiquei olhando os seios pequenos e firmes, com os mamilos rosados apontando para cima.

Abaixei-me e chupei um, depois o outro, dedicando a eles o mesmo tempo que ela tinha dedicado aos meus. Ouvi quando ela arqueou debaixo de mim e mordeu o próprio lábio.

— Não sabia que você seria tão boa — murmurou —. Continua.

Arrastei o jeans e a calcinha dela para baixo de uma vez. Vi-a nua pela primeira vez e fiquei um segundo em silêncio, memorizando-a. O monte coberto por pelos curtos e escuros, os lábios da boceta inchados e brilhantes, o cheiro quente e almiscarado que subia do meio das coxas dela.

Abri as pernas dela e baixei o rosto. A primeira passada da minha língua foi com medo, com curiosidade, e o gosto dela me atingiu em cheio. Salgado, denso, íntimo. A segunda passada eu fiz com fome. A terceira eu já nem lembro, porque a partir daí perdi a cabeça.

Chupei o clitóris dela como ela tinha chupado o meu. Enfiei a língua na entrada, mexi dentro em círculos, tirei e voltei a subir para chupar. Ela começou a mover os quadris contra meu rosto, marcando o ritmo com as mãos enterradas no meu cabelo, e quando me atrevi a enfiar dois dedos nela e encontrar o ponto por instinto, ouvi um gemido longo e rouco que era o meu nome.

— Renata… assim… não para… continua assim…

Continuei. Aprendi em tempo real, lendo o corpo dela, ajustando a pressão quando a respiração acelerava, segurando quando sentia que ela estava chegando, empurrando de novo quando o momento passava. Sentia as coxas dela tremerem perto das minhas orelhas, as mãos apertarem mais meu cabelo, os quadris subirem para buscar minha boca.

Quando ela gozou, foi com um grito rouco que ficou preso na garganta, um espasmo violento que apertou meus dedos por dentro com uma força que eu não esperava. Continuei lambendo devagar até ela me afastar com cuidado, porque o clitóris dela tinha ficado tão sensível que já não aguentava o contato.

Quando minha boca voltou à dela e eu a ouvi gemer meu nome com aquela voz rouca que tinha me feito me apaixonar através de uma tela, soube que nada na minha vida voltaria a ser igual.

Não paramos por aí. Nos comemos por horas, revezando, trocando de posição, nos aprendendo com a boca e com os dedos. Ela sentou de frente para minha cara e me obrigou a lamber sua boceta enquanto se segurava na cabeceira, mexendo-se devagar, fodendo minha boca até gozar de novo sobre a minha língua. Eu a montei ao contrário, com meus seios contra os dela, roçando nossas bocetas uma contra a outra até as duas gemermos ao mesmo tempo, encharcadas, escorregadias, apertando uma à outra até já não sabermos de quem era cada umidade.

Perdi a conta de quantas vezes gozei. Perdi a conta de quantas vezes a fiz gozar. Em algum momento, quando já não aguentávamos mais, ficamos abraçadas de barriga para cima, suadas, com os lençóis encharcados e o cheiro de sexo preenchendo todo o quarto.

***

Ficamos abraçadas até a luz do amanhecer entrar pela janela. A cabeça dela no meu peito, meus dedos enroscados no cabelo dela. O silêncio mais confortável que eu tinha sentido em anos.

— Sabe o que mais me surpreende? — perguntei.

— O quê?

— Que eu não me sinto diferente. Eu me sinto eu. Mais eu do que nunca.

Camila ergueu a cabeça e me olhou com aqueles olhos escuros que durante meses tinham sido só pixels e que agora estavam ali, a centímetros dos meus, reais, brilhantes, cheios de alguma coisa que eu estava começando a reconhecer.

— Fica — disse ela.

— Meu voo de volta é na quinta.

— Não estou falando de hoje. Estou falando para ficar. Na minha vida. Não desaparece.

Beijei a testa dela, as pálpebras, a ponta do nariz, os cantos dos lábios.

— Eu não vou desaparecer — prometi, usando as próprias palavras dela daquela noite —. Nunca fui boa em fugir das coisas que importam para mim.

Ela sorriu e se aconchegou de novo contra meu corpo. Lá fora, a cidade começava a despertar. Lá dentro, eu acabava de descobrir que o que eu tinha confundido a vida inteira com estar completa era só estar confortável. E que a diferença entre as duas coisas cabia exatamente na distância entre a pele dela e a minha.

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