Meu vizinho me descobriu nua no jardim
Eu estava há semanas deitada na minha rede, me besuntando de óleo e fechando os olhos, até que uma tarde senti que alguém me observava através dos ciprestes.
Eu estava há semanas deitada na minha rede, me besuntando de óleo e fechando os olhos, até que uma tarde senti que alguém me observava através dos ciprestes.
Subi ao terceiro andar com minhas meias de rede e meus saltos brancos, deixei a porta entreaberta e esperei o som dos meus passos despertar a fome dos homens do corredor.
Havia semanas que eu usava lingerie por baixo da roupa, mas naquela noite, sozinha em casa, decidi me tornar por inteiro a mulher que ele queria ver.
Ela nunca tinha ficado com alguém quinze anos mais velho. Naquela noite, no quarto do hotel, descobriu que a inteligência também seduz.
Quando me abaixei para acomodar a caixa no depósito, Adela se virou devagar e me deixou ver o rendado branco sob a blusa. Naquela noite soube que a rota tinha mudado para sempre.
Cheguei à casa dela uma hora antes da minha namorada. Minha sogra abriu a porta com camisola curta, uísque servido e um sorriso nada inocente.
Aos sessenta e quatro eu achava que essa parte de mim estava apagada para sempre. Bastou uma ligação e uma cenoura para provar o quanto eu estava enganada.
Achei que estava sozinho em casa. Deixei a porta do banheiro aberta, fechei os olhos e disse o nome dela em voz alta sem imaginar que ela já tinha voltado.
Marina desligou a televisão para dormir. Então começaram os sons sobre sua cabeça, e ela soube que naquela noite não ia pregar o olho por um motivo bem diferente do cansaço.
Ela subiu no banco de trás com a mulher do patrão pensando que ia me procurar. Desceu pensando em quando poderia vê-la de novo.
Há dez anos ninguém me tocava com aquelas intenções. Naquela tarde, de bruços na maca, descobri que meu corpo ainda sabia exatamente o que queria.
Apagar a luz teria sido o sensato. Mas naquela noite, no nono andar de um hotel vazio, a última coisa que eu queria era passar despercebida.
Renata entrou no gabinete esperando uma suspensão. A decana trancou a porta, mandou que ela se levantasse e disse que o castigo seria bem diferente.
Quando ela desceu descalça pelo corredor com aquele robe transparente, eu soube que nenhum dos dois ia fingir que nada tinha acontecido.
«Se você for um menino bonzinho, ganha prêmio», ela me disse antes de sair. Eu não imaginava que o prêmio seria compartilhado, nem que minha mãe ia gostar tanto de assistir.
Nadia levava anos sozinha, treinando para não pensar. O sobrinho era o único que a via como mulher, e naquela tarde de ressaca os dois pararam de fingir.
«Se você abrir essa caixa, eu não serei mais o menino que você cuida», eu a avisei. Minha irmã mais velha sustentou meu olhar por um instante e então rasgou o papel vermelho.
Quando a porta do escritório rangeu atrás de mim, soube que não estávamos sozinhos — e que a mulher escondida na sombra não ia embora.
Meu tio dirigia furioso, perdido pela enésima vez, e ela aproveitava cada buraco e cada solavanco para me enlouquecer sem ele notar nada.
Senti o clique da tranca atrás de mim. Quando me virei, ela sorria com a calma de quem planejou cada passo desde o primeiro olhar na mesa.