O homem mais velho que espreitei atrás da porta entreaberta
Apenas espreitei por uma fresta da porta por um segundo. Foi o tempo de aquilo se gravar para sempre e arruinar todas as noites depois.
Apenas espreitei por uma fresta da porta por um segundo. Foi o tempo de aquilo se gravar para sempre e arruinar todas as noites depois.
Ela voltava de madrugada cheirando a tabaco americano e perfume novo. Eu me calava e guardava minhas suspeitas, até a noite em que decidi segui-la e descobrir com quem passava aquelas horas.
Acordo cedo para ter a academia só para mim. Mas, há três semanas, existe um motivo muito melhor para chegar antes de todo mundo: ele, e aquele sorriso de escândalo.
Aos quarenta e nove eu achava que já tinha visto de tudo, até aquele desconhecido encharcado tirar a camiseta no meu quintal e eu saber que a tarde não terminaria na jardinagem.
Ela me pegou olhando para ela enquanto folheava um Cortázar. Sustentou o olhar por três segundos, sorriu de lado e eu soube que aquela tarde na livraria não terminaria entre livros.
Não me importou que ele tivesse trinta anos a mais. Com o balanço da estrada, a mão dele encontrou minha cintura na escuridão e eu parei de fingir que não gostava daquilo.
Todas as tardes eu atravessava o jardim para ajudá-lo com as videiras, mas os dois sabíamos que eu ia por outro motivo: pela forma como aquele homem enorme me olhava.
— Quer que a gente teste antes de você decidir? — disse ele, e Mariana entendeu que naquela tarde nenhum dos dois falaria apenas do projetor.
Quando sentiu a brisa arrepiar sua pele, soube que aquela noite de lua cheia não terminaria à beira-mar. E ela não queria que terminasse.
Todas as manhãs eu o espiava pela janela sem admitir. Numa tarde de chuva, ele bateu à minha porta encharcado, e eu soube que não daria mais para fingir.
Desci para a cozinha para preparar um café e senti o olhar dele cravado nas minhas costas. Eu sabia o que ia acontecer, e pela primeira vez em meses não queria impedi-lo.
Nessa noite, enquanto eu corrigia os exercícios no quarto do hotel, senti o olhar dele cravado em mim e soube que já não conseguiria ser apenas sua professora.
Mal o conhecia, mas quando aquele desconhecido me agarrou na frente de todo mundo, o chofer deixou o copo no bar e se aproximou com uma calma que dava mais medo do que qualquer grito.
Não me parecia atraente, mas me excitava me sentir desejada. Quando ele subiu no banco para revisar o ventilador, eu soube exatamente como ia pagar o favor.
Quando a Sara saiu da adega de Don Aurelio, as pernas dela tremiam e ela não me olhava nos olhos. Eu sabia perfeitamente o que acabara de acontecer lá dentro.
Quando abri a porta de casa, soube que aquela senhora ia acabar com a minha noite. Não imaginava o quanto, nem onde ela terminaria, ajoelhada diante de mim.
O pedido vinha de um garoto tímido, amigo do meu sobrinho. Levei semanas para responder e um mês para admitir que queria ele na minha cama.
Havia seis meses agarrada a uma lembrança e às minhas noites solitárias. Na sexta, tirei a calcinha numa área de descanso e dirigi o restante do caminho tremendo.
Eu sabia que ela estendia a roupa às quintas no mesmo horário. Naquela manhã saí sem nada por cima só para ver a cara que ela faria. Não esperava que ela sorrisse assim.
Quando ela disse «indo», Tino entendeu que essa palavra pesava o mesmo que a dele: anos de lençóis frios. E, no meio da rua, decidiram resolver isso.