O que aconteceu na praia naturista ao cair do sol
Só queria ver o sol se pôr e fotografar o mar. Então ouvi outra bicicleta se aproximando pela areia, e soube que aquela tarde não terminaria como as outras.
Só queria ver o sol se pôr e fotografar o mar. Então ouvi outra bicicleta se aproximando pela areia, e soube que aquela tarde não terminaria como as outras.
A porta mal se fechou e já tenho a boca dele buscando a minha, ainda com o gosto da noite entre os dentes. Agora a cama é só nossa.
A cabeceira da cama batia na parede num ritmo constante, e eu, desperto no escuro, já não podia fingir que aquilo não me importava.
Assim que ouviu a chave girar na fechadura, Nico soube que a chegada do primo mudaria tudo, embora nenhum dos dois dissesse isso em voz alta.
Eu esperava nu junto à oliveira, com a mochila aos pés e o celular na mão, sem imaginar que aquela noite fria me deixaria dois sabores diferentes na boca.
Baixei o zíper do macacão na penumbra, convencido de que estava sozinho. Então senti o peso de uma mão ossuda pousando devagar sobre meu joelho.
Não conseguia parar de olhar o corpo de Bruno sob a água, e quando ele se virou de olhos fechados soube que aquela tarde cruzaria uma linha que evitávamos havia anos.
Entrou achando que os chuveiros estavam vazios, mas o vapor escondia outra pessoa. Seu companheiro de equipe não o tinha ouvido chegar, e ele já não conseguia desviar os olhos do que via.
Passava meses fingindo que não olhava quando ele saía do banheiro de cueca. Nestas férias, sozinho no apartamento, abri a sacola da roupa suja dele.
Eu tinha jurado que íamos só olhar. Mas quando aquele desconhecido pôs a mão no ombro de Eduardo, eu soube que também não conseguiria ficar parado.
O vagão estava vazio naquela hora da madrugada. Quando aquele homem sentou quase à minha frente e começou a me olhar sem disfarçar, eu soube que a viagem não seria como as outras.
Eu conhecia os horários dele, o barulho das botas, o momento exato em que tirava a camisa por causa do calor. O que eu não sabia era até onde essa obsessão ia me levar.
Elas ficaram ao lado do capacho, ainda mornas pelos pés descalços dela. Bastou minha filha se distrair um instante para eu cometer a loucura.
Os pés dela na borda da minha poltrona foram só o começo. Naquela noite, descobri até onde eu estava disposto a ir para agradá-la.
Na primeira vez em que ela me mandou pintar as unhas dos pés, minhas mãos tremiam. Não de medo: de vontade de obedecê-la.
Eu disse para ela trazer os modelitos mais exagerados que tivesse. Queria passeá-la pela cidade e, ao voltar ao hotel, me perder entre seus pés por horas.
Bastou que ela olhasse meus pés nus sobre os azulejos frios para entender, antes de mim, em que tipo de homem eu podia me tornar se ela ordenasse.
Desci ao banheiro com uma urgência simples e a encontrei lá, ensaboada e sorrindo, já sabendo a ordem que eu estava prestes a dar.
Levei três meses para chegar ao sofá de Mariana, tirar suas sapatilhas devagar e descobrir se ela realmente se importava com eu não conseguir parar de olhar seus pés.
Eu disse que gostava dos pés dela e ela riu. Não imaginava que, naquela tarde, enquanto cuidava das sobrinhas, eu estaria de joelhos diante da cama dela com os tênis nas mãos.