Minha melhor amiga me ensinou a obedecer naquela noite
Sempre achei que não havia nada mais sujo do que uns pés. Numa noite, descalça e nervosa na cama da minha amiga, descobri o quanto eu estava errada.
Sempre achei que não havia nada mais sujo do que uns pés. Numa noite, descalça e nervosa na cama da minha amiga, descobri o quanto eu estava errada.
Ninguém no escritório imaginava o que minhas botas escondiam naquela manhã de chuva, nem por que eu não quis tirá-las o dia inteiro.
Eu só queria sentar na penumbra e me tocar um pouco. Não contava que um completo desconhecido, a três poltronas de distância, me faria perder a cabeça.
Havia anos eu o imaginava em silêncio, sem contar a ninguém. Naquela noite, no bar de um hotel desconhecido, uma mulher desconhecida decidiu por mim.
Eu ainda estava nua sobre a cama quando a porta se abriu, e por um segundo nenhum dos dois soube o que fazer com o que o outro acabara de ver.
Quando desci a mão para me tocar, o que encontrei entre as pernas não era o que eu fora me deitar para dormir. E o pior foi que eu não quis tirá-la de lá.
Tranquei a porta e foi como apertar um interruptor: pela primeira vez eu ia me despir diante da câmera para que alguém, do outro lado, me desejasse.
Reservei dois ingressos para uma sala quase vazia e dei um deles a uma desconhecida que me lia. Eu não sabia se ela viria, até vê-la procurar o assento na penumbra.
Peguei a primeira saída da rodovia sem pensar. O que ela acabara de me contar não me deixava dirigir, e eu ainda não tinha confessado o que realmente queria.
Eu ia com pouca roupa, quase nua, quando algo enorme e úmido se soltou da mata e me prendeu os braços antes que eu pudesse gritar.
«Só existe uma forma de descobrir», disse ele, aproximando-se do cavalete. Eu tinha ido para ele me tirar a cenoura, não para gozar na frente de um desconhecido de jaleco.
Quando vi a foto dela, soube que aquela noite não dormiria: despirei-a com a mente e deixei minha imaginação cruzar os quilômetros que o corpo não podia.
A agarrada ao corrimão do vagão, eu só podia olhá-lo de canto e imaginar tudo o que nunca aconteceria entre nós.
Voltava ao confessionário toda semana pelo mesmo motivo, e sempre calava a parte mais importante: o homem do outro lado da grade era dono de todos os seus pecados.
Há meses eu repito a mesma cena na minha cabeça durante a volta para casa. Hoje, quando o assento ao lado foi ocupado, quase perdi o fôlego.
Saí de bicicleta sem calcinha, com o celular vibrando de mensagens que eu não devia ter aberto. O caminho estava vazio, mas eu me sentia observada por todos.
Fechei os olhos por um segundo e, quando os abri, uma sombra enorme tapava o sol. O que aconteceu depois só existia na minha imaginação… até aquela tarde.
Cheguei em casa, joguei os saltos pelo ar e deixei minha imaginação fazer o que eu jamais me atreveria a fazer no escritório.
Tinha o coração acelerado e os lençóis encharcados aos sete graus da madrugada. O problema não era o frio: era com quem ele tinha sonhado.
Ela não buscava amor nem companhia. Buscava ser olhada, desejada, imaginada nua sob o vestido. Naquela noite, decidiu ser puro fogo.