O segredo da minha mãe e da amiga de toda a vida dela
Eram vinte fotos e um vídeo guardados numa pasta com uma única letra. Abri achando que seria qualquer coisa, menos o que estava prestes a ver.
Eram vinte fotos e um vídeo guardados numa pasta com uma única letra. Abri achando que seria qualquer coisa, menos o que estava prestes a ver.
Aos 49 anos, minha mãe continuava sendo a mulher que todos olhavam na rua. Eu, por outro lado, aprendi cedo demais o que era me sentir invisível ao lado dela.
Encontrei minha amiga tremendo no banheiro daquela festa. Quando perguntei quem a deixou assim, jamais imaginei que ela dissesse o nome do nosso professor mais temido.
Me vesti com a roupa mais sem graça que tinha para não dar pistas. O que eu não calculei foi que naquele apê eu não ia encontrar só meu ex — e que eu ainda era a mesma de antes.
Aos quarenta e cinco, oito anos sem tocar num homem, Inés achava que já tinha visto tudo. Até que suas duas amigas mais recatadas chegaram chorando com a verdade.
Quando perguntei o que realmente a excitava, ela sentou montada em mim e começou a contar uma noite que nunca tinha confessado a ninguém.
Lembro dela na porta da livraria, com o cabelo quase branco e aqueles olhos impossíveis. Dez anos se passaram até eu voltar a tê-la perto, e dessa vez eu não ia deixá-la ir.
Quando passei em frente ao banheiro entreaberto e a vi nua de costas, soube que aquela noite na minha casa não ia terminar como duas velhas conhecidas tomando chá.
Quando entrei no carro dela naquela sexta-feira, soube que já não íamos falar do meu futuro. Havia outra coisa entre nós, e as duas passávamos semanas fingindo que não.
Abri o baú sem saber que dentro me esperava o segredo de outra mulher: sua lingerie, seu diário e a prova de que ela também amou quem não devia.
Tive as mãos geladas na sala de embarque, mas não era por causa do frio: em poucas horas eu a veria de novo e não sabia se correria para abraçá-la ou me esconder.
Faltavam seis dias para o meu casamento quando a vi sair da cafeteria. Eu não a via havia anos, mas meu corpo a reconheceu antes de mim.
Eu estava há três meses sem as mãos dela, sem a boca dela, sem as tetas dela sobre as minhas. Nessa noite, servi uma taça de vinho, me despi e decidi que o prazer não precisava esperar o retorno dela.
Escrevo isto sabendo que você vai ler, embora finja que não. E sabendo também a forma exata como seu corpo respondia quando achava que ninguém estava olhando.
Eram quase onze quando ela entrou pela porta com aquele sorriso que eu conhecia bem demais, o mesmo que fazia quando algo proibido acabava de acontecer entre as pernas dela.
Mal fechei a porta, uma silhueta ruiva se pendurou no meu pescoço e me beijou como se o tempo não tivesse passado. A recepção mal tinha começado.
Baixei a voz para contar como um austríaco me fotografou nua na praia, sem imaginar que aquela história nos levaria a viver o mesmo juntas.
Disse ao meu marido que só iríamos tomar uns drinks com outro casal. Na verdade, eu já vinha planejando há dias o que acabaria acontecendo naquele apartamento.
Ela me beijou o pescoço, me olhou nos olhos e soltou a frase que vinha guardando havia semanas. Não era uma pergunta: era um convite para quebrar todas as regras.
Nós tínhamos sido o primeiro amor um do outro. Dez anos depois, ela voltava à cidade, e eu ainda não sabia que naquela noite aprenderia a odiar o sorriso fácil do meu melhor amigo.