Uma confissão de verão que nunca esqueci
Debaixo da jaqueta dele, algo se movia. Eu devia ter ido embora. Em vez disso, deslizei a mão e o que veio depois mudou aquele verão para sempre.
Debaixo da jaqueta dele, algo se movia. Eu devia ter ido embora. Em vez disso, deslizei a mão e o que veio depois mudou aquele verão para sempre.
Vi ele pela primeira vez no vestiário e soube que o queria para mim. Semanas depois, eu estava de joelhos diante dele no próprio apartamento.
Quando Valentina entrou na cozinha naquela manhã, ele estava apoiado na ilha com o café na mão e um olhar que não tinha nada de fraternal.
Caminhei descalça pelo corredor e encostei a testa na porta do quarto. Sabia que ele viria atrás. E sabia exatamente o que ele faria comigo ali.
Rodrigo apresentou seus três amigos. Cada um trouxe um envelope e um presente. Valentina olhou para eles e disse que já podiam começar.
Na segunda, só descobri que ele não conseguia tirar os olhos de mim. Na sexta, me deu a chave da biblioteca e me marcou às seis.
A tampa traseira aberta, o vale em chamas ao fundo e ele perguntando se eu queria transar ali. Aquela tarde foi exatamente o que nenhum dos dois esperava.
Ele tinha vinte e um anos e me olhava havia meses de um jeito que eu fingia não notar. Nessa noite, meu filho foi dormir e ficamos sozinhos.
Duas mulheres separadas, um apartamento arrumado demais e um baralho que ninguém deveria ter encontrado naquela noite.
Estava há um mês pensando naquela noite, e contei tudo a Sandra sem filtros. Ela ouviu em silêncio e no fim disse: tenho inveja. Foi assim que tudo começou.
Fazia um mês que eu não conseguia tirar daquele canto do Industria da cabeça. Nessa madrugada, decidi voltar, mas desta vez não iria sozinha.
Quando ele me chamou à mesa e pediu que eu parasse de distraí-lo, eu soube que na sexta-feira minha tanga não voltaria para casa comigo.
Desde que entrei no carro, os olhos dele voltavam ao espelho uma e outra vez. Era óbvio que ele estava me olhando. Decidi fazer algo a respeito.
Ela a viu entrar e algo se deteve em seu peito. Não soube explicar, mas desde aquele instante só conseguia pensar nela.
Quando a vi na porta, soube que aquele jantar não terminaria como qualquer outro. Vera tinha aquele olhar que dizia tudo sem dizer nada.
Fui ao aeroporto com um vestido vermelho apertado demais e um segredo entre as pernas. Naquela noite, o vermelho entrou na nossa pele, na nossa boca, em tudo.
Ela apareceu sem avisar no início do semestre e, desde o primeiro dia, me encarou sem vergonha. Não sei quando comecei a precisar que ela fizesse isso.
Eu estava andando sozinha quando Ernesto se debruçou pela janela do ônibus e me chamou pelo nome. Eu devia ter seguido em frente, mas algo na voz dele me fez parar.
Marcos tinha o corpo que eu tinha na idade dele. Naquela noite, com todo mundo dormindo, senti que havia algo mais do que calor entre nós naquela cama estreita.
Eu caminhava sem rumo quando ele ergueu o rosto do segundo andar e sustentou meu olhar como se soubesse, antes de mim, que acabaríamos enroscados nos lençóis dele.