O garanhão que encontrei atrás da cachoeira
Enfiei a cabeça pelo lado da cachoeira esperando encontrar uma caverna vazia. O que achei lá dentro mudou completamente a minha tarde.
Enfiei a cabeça pelo lado da cachoeira esperando encontrar uma caverna vazia. O que achei lá dentro mudou completamente a minha tarde.
Escrevi para ele: “porta entreaberta, se você tiver coragem” e apaguei quase todas as luzes. Quando ele subiu a escada, soube que não havia mais volta.
Ela tinha a seriedade de quem conhece o efeito que provoca e escolhe administrá-lo gota a gota. Naquela noite, na maca, parei de fingir que só ia pelas costas.
Eu o ouvia todas as noites do outro lado da parede e imaginava estar no lugar da minha mãe, com aquele homem que me devorava com os olhos quando achava que ninguém via.
Ela tinha as malas no carro e a demissão nas mãos. Só faltava atravessar mais uma porta antes de recomeçar, e aquela porta mudou tudo.
Nós dois tínhamos parceiros e nós dois sabíamos disso. Mesmo assim, tirei o suéter no banco do passageiro e deixei que ele me olhasse como vinha querendo havia semanas.
Cheguei ao templo meio morta, convencida de que meu corpo era uma maldição. Naquela mesma noite, o sacerdote sussurrou que eu era, na verdade, uma escolhida.
Entrei naquela boate convencida de que eu mandava na situação. Três horas depois, um desconhecido tinha me desmontado por completo e eu implorava para ele não parar.
Comecei a dançar só para entreter meu marido, mas o olhar nervoso do rapaz do beliche da frente deixou claro que aquela noite não terminaria em dança.
Ele tinha salvado meu curso sem pedir nada em troca. Naquela tarde, decidi agradecer de um jeito que nenhum dos dois esqueceria jamais.
Eram oito e meia da noite, faltava meia hora para a ligação do cliente, e eu já sabia exatamente como queria que passássemos aquela espera.
A Sonia me esperava na porta do restaurante com um vestido tão curto que, a cada respiração, contava um segredo. E eu tinha ido disposta a contar o meu.
Começamos o dia com uma aposta boba e o terminamos no quarto de desconhecidos, com um telefone gravando tudo.
Descemos à garagem para brincar como quando éramos namorados. O que não esperávamos era que naquela noite houvesse mais alguém acordado entre os carros.
Tinha vinte e dois anos e um trabalho final que valia a disciplina inteira. O que não estava em plano nenhum era a oferta que aquele senhor me faria no caminho para casa.
Há anos eu queria ir a uma praia de nudismo, mas nenhuma das minhas parceiras quis me acompanhar. Naquela manhã decidi ir sozinho, sem imaginar como terminaria.
Desci para tomar um café com a do quinto e voltei de boca aberta: ela me contou, em detalhes, o que fez com o homem casado do oitavo andar.
Quando tranquei a porta, ele se virou e me cobrou o beijo que eu tinha dado em outro homem. Não soube se era raiva ou desejo o que ardia nos olhos dele.
Reconheci o rosto dele no semáforo e soube que aquela semana de trabalho não terminaria como as outras. Só me faltava uma desculpa para bater na porta dele à noite.
Eu tinha curiosidade e um pouco de medo, mas quando me ajoelhei diante dele entendi que não ia voltar atrás. Naquela tarde, aprendi algo novo sobre mim.