A porta entreaberta que mudou tudo
Eu tinha voltado cedo do bar. O corredor estava escuro e a porta do quarto dele, entreaberta. Parei só um segundo. Aquele segundo mudou tudo.
Eu tinha voltado cedo do bar. O corredor estava escuro e a porta do quarto dele, entreaberta. Parei só um segundo. Aquele segundo mudou tudo.
Eu a vi surgir ao fundo da rua e soube que aquela noite não seria como as outras. Ela não tinha vindo para conversar.
Quando ela disse que eu a atraía, não acreditei. Depois veio a mensagem com o nome do hotel e a hora exata. Aí entendi que era tudo real.
Eu limpava as salas do corredor quando a encontrei sozinha, com o decote aberto e o pescoço tenso. Ofereci uma massagem. Nenhuma de nós imaginava o quanto iríamos longe.
Eu o esperei com uísque e quase nada de roupa. Ele não sabia que aquela noite era só o começo de um plano que eu vinha montando em silêncio há semanas.
Há tardes em que o maior prazer é não fazer nada. Deitei no sofá, abri os braços e disse que ela mandasse.
A TV ligada, as luzes apagadas, uma manta cobrindo nós três. Ninguém disse nada. Foi meu amigo quem moveu a mão primeiro, devagar, como se já esperasse aquele momento.
Encontrei-a dançando com um desconhecido quando ela devia estar com as amigas. Eu a segui, me escondi, e o que vi atrás daquela cortina mudou tudo.
Entrei no quarto dele e o encontrei com os olhos marejados. Ele ia cancelar a visita da namorada por medo da primeira vez. Não pude deixá-lo assim.
Ele carregava um caderno de versos debaixo do braço e sorriu como se soubesse o que eu estava pensando. Eu não deveria ter voltado pelo caminho. Mas voltei.
Faziam dias que Luciana tinha tido sua estreia bissexual e já pedia mais. O que planejamos naquela noite em Buenos Aires mudou tudo para ela.
Quando ela trancou a porta e ficou atrás de mim, eu soube que aquela revisão de nota não terminaria como eu esperava.
Desci para buscar água e a encontrei inclinada sobre a mesa, esperando. Fazia semanas que ela me dizia que não, e naquela noite decidiu que sim.
Caminhei sozinha por ruas escuras, com a raiva de quem acabara de ver o namorado com outra. Não procurava nada. E, ainda assim, encontrei algo.
O app no celular escondido dizia três homens, um hotel, sem romantismo. Só precisava escrever «sim». Fiz isso antes de pensar duas vezes.
Daniela me pediu uma carona até o bairro dela. Ao chegarmos, dois vizinhos bebiam cerveja na rua. Um escondia um segredo que minha amiga já suspeitava. Eu decidi confirmar.
Resolvi uma crise na aduana e o cônsul me convidou para sua residência. Não imaginei o que me esperava no fundo do jardim, nem o que viria depois.
Ele chegou encharcado, ainda com as marcas da última sessão pulsando sob a roupa. Ninguém na cidade sabia que o homem mais temido vinha se ajoelhar diante de mim.
Propus que ela dormisse no meu quarto para não ficar sozinha com o medo. Não imaginei o que aconteceria quando ela se deitou na minha cama.
Quando vi as luzes daquela caminhonete piscando no estacionamento, soube que o café da manhã em família ia esperar.