Minha primeira ordem: ir para a aula sem nada por baixo da roupa
Nunca tive coragem de me expor. Até hoje. Amanhã vou para a aula sem nada por baixo da roupa, e deixar isso escrito aqui já parece sua primeira ordem.
Nunca tive coragem de me expor. Até hoje. Amanhã vou para a aula sem nada por baixo da roupa, e deixar isso escrito aqui já parece sua primeira ordem.
Entrei por aquela porta convencida de conhecer meus limites. Três horas depois, entendi que eu mal começava a descobri-los, tremendo entre o medo e uma vontade que eu não sabia nomear.
Quando baixou os olhos para aqueles tênis brancos e suados, soube que obedeceria a qualquer coisa que aquela garota lhe pedisse. E aquilo era apenas o começo.
Eu levava semanas treinando com os plugs, decidida a sentir dois paus ao mesmo tempo. Naquela tarde, chamamos a única pessoa em quem podíamos confiar para conseguir isso.
Um carro freou ao meu lado e me perguntou o preço. Eu tinha trinta e sete anos, era advogada e, pela primeira vez, decidi não dizer não à loucura.
Era meu melhor amigo, meu confidente. Naquela noite de feira, entre vinho e risadas, a mão dele na minha cintura acendeu algo que eu jamais tinha sentido por ele.
Achei que era um jogo inocente de olhares no semáforo. Não imaginei que, num sábado de manhã, eu bateria à porta dele com a desculpa mais idiota do mundo.
Sempre soube que minha mãe era diferente das outras, mas só naquela madrugada entendi o quanto — e até onde eu estaria disposto a ir.
Esperei as portas se fecharem. Diego já beijava a namorada sem disfarce, e a irmã dela me olhava de lado, mordendo o lábio, sem saber o que fazer com as mãos.
Nunca fiz isso, mas conheço cada detalhe: o café, o elevador, as mãos dele. Esta é a fantasia que se repete e que eu nunca me animo a contar em voz alta.
Eu tinha jurado que a virgindade dela era inegociável. Naquela manhã, no apartamento emprestado por um amigo, ela me mostrou até onde estava disposta a ir.
Começou com um tornozelo torcido na quadra e terminou muitas semanas depois, numa noite em que a casa dela ficou vazia e já não houve motivo para segurar o desejo.
Eu a vi pela primeira vez incentivando da arquibancada, com o cabelo molhado e aquele riso fácil. Dez dias depois, atrás da quadra de frontão, ela me ensinou algo que nunca esqueci.
Tínhamos combinado de trocar algumas fotos. O que nenhum dos dois disse em voz alta é que aquele reencontro esperava havia meses para acontecer.
Durante anos eu me disse que era o típico cara hétero. Menti. Minhas punhetas eram dedicadas aos colegas do vestiário, e demorei demais para admitir.
Vim a Buenos Aires para juntar uns pesos para minha família. Nunca imaginei que a casa mais bonita do bairro mudaria minha vida do jeito que mudou.
Aos dezoito entrei em Medicina com a maior nota do país. Aos vinte e quatro ainda não sabia o que era gozar. Esta é minha história.
Naquele fim de tarde, com a casa em silêncio, um roçar acidental me revelou uma linguagem que meu corpo falava e que eu ainda não sabia ler.
Ao atingir a maioridade, Ignia é iniciada em um rito cósmico de prazer por suas duas mães, e o santuário inteiro se entrega ao êxtase.
Todas as minhas colegas suspiravam por ele, mas nenhuma sabia o que eu escondia sob o uniforme masculino que o mundo me obrigava a usar.