A noite em que provei o leite da minha melhor amiga
Marisol estava sentada na beira da cama com o bebê no peito, completamente nua, quando empurrei a porta. O leite escorria sozinho e ela não me pediu para ir embora.
Marisol estava sentada na beira da cama com o bebê no peito, completamente nua, quando empurrei a porta. O leite escorria sozinho e ela não me pediu para ir embora.
Elas chegaram à meia-noite de vestido curto, meia arrastão e um perfume que me atingiu como um soco. Em três semanas, minha casa virou outra coisa.
Quando me sentei ao lado dela naquela oficina, não imaginei que aquela mulher triste e discreta acabaria sussurrando, nua na cama, que jamais tinha sentido algo parecido.
Qualquer um pensaria que, depois do banquete da noite anterior, estaríamos saciados. Nesta casa, o desejo nunca descansa, e aquele domingo ia transbordar.
De dia, assinava como Tomás e ninguém suspeitava de nada. A pasta aberta por acidente no tablet do meu chefe ia romper, de uma só vez, dezoito meses de silêncio.
Ele passou anos colando o ouvido em paredes de motéis baratos. Numa noite, encontrou um fórum que prometia algo maior: cabines com vista para o prazer alheio.
Mariana me perguntou se eu nunca tinha sentido curiosidade de beijar outra mulher. Eu respondi com um impulso que mudou para sempre o que éramos.
Subi as escadas mal conseguindo andar, com o vestido cheirando à noite inteira. Eu não sabia que minha mãe estava acordada, me esperando no corredor.
Quando entrei no banheiro e encontrei as flores e aquele cartão, soube que aquele verão me marcaria para sempre, embora eu ainda não imaginasse como terminaria.
Acordei com o corpo em chamas e a mão entre as pernas. Jamais imaginei que naquela manhã minha irmã abriria a porta… nem o que viria depois.
Quando apagamos as luzes e nos enfiamos sob o mesmo cobertor, não imaginei que aquela pergunta boba sobre beijos terminaria com os dedos dela procurando os meus no escuro.
No primário, ela me queria mais do que eu era capaz de retribuir. Vinte anos depois, a voz dela no telefone era a mesma, e minhas mãos tremeram.
Era a primeira vez que eu a via pessoalmente. Eu ia contar sobre a piscina e o salva-vidas, mas a mão dela na minha coxa mudou a conversa antes que eu terminasse a frase.
Quando entrei na sala dos professores, umas mãos me envolveram por trás e uns lábios desceram pelo meu pescoço. Reconheci o perfume dela na hora.
O carro ia tão lotado que só sobrou um lugar: os joelhos do filho. Marisol não imaginava que cinco horas de estrada bastariam para cruzar a única linha que jamais deveria ter cruzado.
Bruna se ajoelhou no chuveiro diante da prima e nenhuma das mulheres do banheiro conseguiu desviar o olhar. Nem mesmo a mãe, que já tinha a mão debaixo do vestido.
Quando entrei na sala vazia para trocar de roupa, a porta se abriu atrás de mim. Era ela, a presidente do centro de estudantes, e não vinha só com palavras.
Bastou uma fração de segundo — uma toalha escorregando, a pele dela molhada sob a luz da varanda — para eu entender que nunca mais conseguiria olhá-la como antes.
Eu vinha redigindo o anúncio mentalmente havia meses; levei doze minutos para escrevê-lo, e meia hora depois já tinha sete respostas. A dele foi a quinta.
Por baixo daquela roupa larga e discreta havia uma fêmea com o desejo intacto. Eu só precisava esperar que ela parasse de fingir diante do marido.