O que aconteceu no motel com minha tia naquela noite
Há anos explico em aula que o tabu não desaparece, só se disfarça. Nunca entendi tão bem isso quanto naquela noite no motel.
Há anos explico em aula que o tabu não desaparece, só se disfarça. Nunca entendi tão bem isso quanto naquela noite no motel.
Naquela noite eu entrei na sala com o coração disparado. Eu sabia o que queria e sabia que ele também queria. Só faltava dar o primeiro passo.
A porta do meu quarto não fechava totalmente pelo lado esquerdo. Ela sabia. Eu também. Durante semanas fingimos que não.
Lá fora, a neve caía sem parar. Dentro, do outro lado da parede, alguém gemia. E eu tinha minha tia dormindo ao meu lado, com o roupão mal fechado.
Ficamos sozinhos em casa, com febre e tédio. Na terceira noite, com as luzes apagadas, Marcos me confiou o que ninguém mais sabia sobre ele.
Passei meses desejando-a em silêncio, lendo suas mensagens privadas, seguindo seus passos. Quando a marquei no hotel usando uma máscara, ela não sabia que era eu.
Quando entrei no meu quarto, a encontrei sentada no canto, nua, com a cabeça inclinada e uma pergunta nos olhos que nenhum dos dois esperava.
Quando o sistema piscou verde e a tela ganhou nitidez, o último que eu esperava ver era Camila se aproximando nua da poltrona onde meu marido lia o jornal.
Viver sob o mesmo teto com dois homens famintos e ser a única mulher da casa tem suas consequências.
Matías vinha me olhando de outro jeito havia semanas. Quando finalmente disse em voz alta, o chão sumiu sob os meus pés. Era proibido.
Ele segurou meu maxilar com uma mão e me olhou direto nos olhos. Era meu primo. Éramos família. E nenhum dos dois deu um passo atrás.
Entrei no quarto sem bater e a encontrei completamente nua. Em vez de sair, fechei a porta. O que aconteceu depois mudou tudo.
Eu sabia que entre dom Rodrigo e eu nunca poderia acontecer nada. Mas encontrei um jeito de tornar isso real, ainda que fosse só uma vez, ainda que ninguém mais soubesse.
Eu sabia antes de sair o que ia fazer. Subi no primeiro caminhão que parou e entendi que aquele dia não ia acabar cedo.
Ninguém falou do que aconteceu naquela semana. Não precisava. As três sabíamos que alguma coisa entre nós tinha mudado para sempre.
Faz cinco anos que eu não a via. A mulher que entrou no quintal naquela tarde não tinha nada a ver com a prima adolescente que eu lembrava.
Ela negociou os termos por mensagens de voz. Ao cruzar a porta da casa, soube que a negociação havia acabado para sempre.
Ninguém respondeu quando toquei a campainha. Entrei, percorri o corredor e, ao chegar à garagem, fiquei paralisado diante do que vi.
Entrei para pegar roupa na gaveta dela e encontrei mais do que esperava. O que aconteceu depois mudou nós três para sempre.
Meus amigos não entendem por que eu volto todo ano para esse fim de mundo. Se vissem o que tem na minha galeria, não precisariam perguntar.