O que minha mãe me ensinou naquele verão
Ela não me ensinou por amor. Me ensinou porque ninguém mais faria isso, e porque, no fundo, era o que nós dois precisávamos.
Ela não me ensinou por amor. Me ensinou porque ninguém mais faria isso, e porque, no fundo, era o que nós dois precisávamos.
A mão dele estava onde não devia, e minha voz sussurrava coisas que nenhum filho deveria ouvir. Mas nenhum dos dois queria parar.
Quando ele me abraçava por trás e eu sentia o corpo dele contra o meu, os dois sabíamos que aquilo tinha um nome que ninguém ousava pronunciar.
Valeria tinha vinte e cinco anos, era esposa do meu pai e me olhava como se não soubesse se devia me odiar ou me devorar. Eu também não sabia.
Ela mostrou as fotos com um sorriso nervoso. Ele demorou três segundos para entender o que via e outros três para decidir que não ia parar.
Passamos três meses coordenando cada detalhe. Quando Diego abriu a porta e vi a mãe dele atrás, soube que não havia mais volta para nenhum dos quatro.
Cheguei exausta da universidade e me joguei na cama sem nem tirar os sapatos. Não sei quanto dormi. Quando abri os olhos, ele já estava sentado ao meu lado.
Assinei sem pensar. Era o rosto dela, o corpo dela, a voz dela. E eu, o pai dela, não conseguia tirar os olhos da tela.
Nadia chegou naquela manhã com uma sacola de refrigerantes e um jeans curtíssimo. Fazia anos que não ficávamos sozinhas de verdade. Eu não sabia que isso ia mudar.
Era tarde, estávamos sozinhos em casa, e mamãe começou a falar de algo que nunca devia ter nos contado. Quando quis detê-la, já não queria que ela parasse.
Vivíamos no mesmo apartamento, nus, sem poder nos tocar. Ele me olhava como se fosse me devorar. Um mês de abstinência antes de ele merecê-la.
Marcos chorava de raiva naquela cama articulada, convencido de que nunca mais sentiria uma mulher. Eu tranquei a porta e tirei a roupa.
Estávamos há dias trancados quando as conversas ficaram perigosas. A confissão dele na escuridão acabou com minhas mãos sobre ele.
Às três da madrugada, fui ao banheiro com o cheiro dela ainda na pele e, ao voltar para a cama, vi uma fresta de luz na porta da frente. Estavam nos olhando.
Quando minha mãe me ligou para dizer que passaria o fim de semana sozinha, eu não imaginava o que ela tinha pensado para mim naquela noite.
Quando a noite cai nesta casa, apago a luz do quarto dele, fecho a porta e deixo de ser apenas sua mãe para me tornar algo mais.
Eu estava há duas horas me revirando na cama. Sabia que ele dormia a três portas da minha e que aquela noite, pela primeira vez, eu não ia conseguir fingir.
Quando a cobri com a manta e minha mão roçou sem querer a curva de seu quadril, soube que demoraria muito para eu tirá-la dali.
Quando desci para a garagem, Valeria me esperava com uma calça de couro e um sorriso que não tinha nada de maternal.
Ela subiu na minha moto com aquele conjunto de couro apertado e pediu que eu fosse devagar. Mas nenhum de nós queria ir devagar naquela noite.