O vizinho de cima aprendeu a escutar minhas noites
A parede era fina, minha cama rangia contra ela e, numa manhã, encontrei uma nota enfiada sob minha porta. Alguém tinha escutado tudo.
A parede era fina, minha cama rangia contra ela e, numa manhã, encontrei uma nota enfiada sob minha porta. Alguém tinha escutado tudo.
Fechei os olhos para imaginar um desconhecido, mas quando os abri descobri que metade da obra me observava do andaime. E eu não quis parar.
Aos trinta anos, ninguém nunca tinha me beijado. Na noite em que espreitei meu colega pela fresta da porta dele, algo dentro de mim finalmente despertou.
Naquela tarde eu não precisei de vídeo nenhum. Bastou fechar os olhos para viajar até uma varanda onde alguém me via gozar e o resto deixou de importar.
«Coloque a música que eu disse e comece a se despir devagar. Sem pressa: esta noite mando eu, mesmo que estejamos a centenas de quilômetros.»
São duas da manhã, não consigo dormir e estou sozinho. O calor aperta, a cama me queima e minha mente começa a vagar por nomes e corpos que eu achava esquecidos.
Naquela noite não pensei em ninguém. Apaguei a luz, me olhei nua na penumbra e entendi que o corpo que tantas vezes entreguei aos outros também podia ser só meu.
Eu ia esperá-lo de joelhos com o conjunto novo. O que eu não imaginei foi até onde eu iria sozinha, diante do espelho, antes que ele chegasse.
Estacionei atrás das árvores, estendi a toalha no banco de trás e achei que estava completamente sozinho. Não imaginava o que veria ao ligar os faróis.
Estou nua sobre o tapete, diante do espelho, ainda tremendo do último orgasmo. E então decido reproduzir o que acabei de gravar de mim mesma.
Fechei os olhos acreditando que estava sozinha. Quando senti a sombra na porta, já era tarde para fingir que eu não estava pensando nele.
Hesitei por alguns segundos, mas as taças já tinham falado por mim. Tirei o vestido, sentei no sofá e deixei as outras se acomodarem no chão para olhar.
Eram nove da manhã, eu usava um vestido fácil de afastar e tinha um segredo vibrando entre as pernas. Nenhum motorista ao lado imaginava o que eu fazia.
«Você entra com o rosto coberto e dá prazer a ele na frente dele», ela me disse como se fosse a coisa mais normal do mundo. E eu, em vez de recusar, já estava imaginando.
Subi furioso para ralhar com ela pelo barulho, mas quando abri a porta e a vi assim, fui eu que fiquei sem palavras e sem vontade.
Do outro lado da parede, os gemidos da mãe não o deixavam dormir. E quando ela o chamou ao quarto no dia seguinte, Bruno soube que nada voltaria a ser como antes.
Quando a porta do escritório rangeu atrás de mim, soube que não estávamos sozinhos — e que a mulher escondida na sombra não ia embora.
Enfiei o dedo onde nenhum pai deveria tocar e senti ele tremer. Ele disse não, que era meu pai. Mas naquela noite descobri no que um homem se transforma quando lhe negam o que mais deseja.
Vi a silhueta dele recortada contra a luz da geladeira, descalça sobre o piso frio, e soube que aquela noite eu não tinha descido por um copo de leite.
Entrei para arrumar o quarto dele como qualquer mãe. Saí sabendo que meu próprio filho me desejava, e que uma parte de mim esperava exatamente isso havia meses.