Voltei a encontrar o amante da minha comadre
Fazia cinco anos que eu não o via. Bastou ele gritar meu nome entre as vitrines para que o arrepio daquela tarde voltasse inteiro.
Fazia cinco anos que eu não o via. Bastou ele gritar meu nome entre as vitrines para que o arrepio daquela tarde voltasse inteiro.
Eu tinha trinta e quatro anos, dois términos nas costas e a certeza de que, se não fosse embora, acabaria me apagando num escritório. Então fui.
Ele não me pediu para parar. Pediu um lugar atrás da porta entreaberta, em silêncio, para olhar o que já não sabia dar à própria mulher.
Ele estava obcecado por uma única ideia, e eu brincava com fogo sempre que escapava para encontrá-lo longe dos olhares de todos.
Aos sessenta, prometi a mim mesmo uma vida tranquila. Então a porta da frente se abriu, e ela apareceu, com duas mechas brancas e um sorriso que prometia problemas.
Cruzei o olhar com uma mulher do outro lado do balcão. Ela me parecia muito familiar, mas eu não sabia de onde. Até ela se aproximar e dizer duas palavras que mudaram tudo.
Nunca imaginei que uma noite diante da tela, com a voz do meu parceiro no ouvido, acabaria desmontando tudo o que eu pensava saber sobre mim mesma.
Pedi que ele não voltasse. Mas, quando o vi outra vez na minha varanda, soube que seria eu quem ditaria as regras daquele jogo que não deveríamos jogar.
Quando a porta do banheiro se abriu, eu já estava com a pistola erguida e uma ideia muito clara de como dobraria aquele porco antes de irmos embora.
Dançávamos quando ele se aproximou do meu ouvido e me lembrou do que tinha visto naquela outra noite. Meia hora depois, eu entrava na caminhonete dele no fim do corredor.
Durante anos, ela foi invisível para todos. Mas, presos pela tempestade em uma cabana, minha sogra deixou de ser apenas a esposa do meu sogro.
Estávamos juntos havia meses quando criei coragem para dizer, com o sexo dele ainda em minha mão, que nunca desejei tanto um homem que entendesse o prazer.
Eu pedia que ele subisse como estivesse, com a camiseta no ombro e o cheiro do trabalho na pele. Nunca contei que era dele que eu sentiria mais falta.
Não escolhi os três ao mesmo tempo. Aconteceu aos poucos, até que uma noite descobri que eles trocavam mensagens para tirar uns aos outros do caminho.
Passei anos fingindo com meu namorado. Naquela noite, do outro lado do bar, estava o único homem que realmente sabia o que meu corpo vinha pedindo.
Desliguei o celular com sessenta chamadas perdidas do meu namorado, acendi as velas e esperei no alto da escada até a campainha de baixo tocar.
Voltei mais cedo, abri a porta de casa e entendi que o silêncio entre nós tinha um nome, uma voz grave e um sorriso que não era para mim.
Meu marido saía às seis da manhã. Ele chegava às sete. Aquela diferença de uma hora foi tudo de que precisei para começar a traí-lo sem culpa.
Fazia mais de quatro anos que eu não a via. Comprei um ingresso para a peça sem suspeitar do que aconteceria depois, já de madrugada, na minha casa.
Tomo a pílula, escolho bem e me deixo levar. O tesão não está no risco, mas em perder o controle com alguém que sabe exatamente o que quero.