Duas amigas, uma partida de pôquer e uma noite sem regras
Quando Bruno puxou as cartas sobre a mesa de centro, eu não imaginava que aquela partida ia terminar com nós quatro largados no tapete da sala.
Quando Bruno puxou as cartas sobre a mesa de centro, eu não imaginava que aquela partida ia terminar com nós quatro largados no tapete da sala.
Ela entrou na sala andando devagar, com o rosto pálido e um gesto de dor ao se sentar que não dava para disfarçar. Levei dias para arrancar a verdade.
Chegou olhando para o chão, abotoada até o pescoço. Foi ela quem deu as instruções assim que fecharam a porta do quarto seis.
Quando Sofía apoiou o corpo na cadeira e vi como seu rosto se retorceu de dor, soube que a gripe era mentira e que o ocorrido era muito pior do que eu imaginava.
Tínhamos ido àquele apartamento dizendo que era só para beber alguma coisa. Quando o baralho de pôquer apareceu, já era tarde demais para eu ser honesta comigo mesma.
A primeira vez eu tinha quinze anos. Cheguei mais cedo em casa e encontrei as duas no quarto. Sandra de bruços na cama, minha mãe massageando suas costas. As duas riam baixinho.
Era o namorado da minha melhor amiga: gato, tímido, religioso. Perfeito demais para eu não fazer alguma coisa a respeito.
Eu tinha quinze anos quando as surpreendi pela primeira vez. Hoje, com vinte e dois, já não consigo olhar aquelas lembranças da mesma maneira.
Eu vinha fantasiando com ela havia meses. Quando ela desceu do palco e pôs a boca na minha, entendi que aquela fantasia nunca ia desaparecer.
Naquela tarde, tudo parecia normal: um encontro entre amigos. Até ela abrir a porta do meu quarto e me olhar de cima a baixo, sem pedir permissão.
Valeria tinha vinte e cinco anos, era esposa do meu pai e me olhava como se não soubesse se devia me odiar ou me devorar. Eu também não sabia.
Passaram a vida sendo as mães responsáveis. Numa noite em uma casa com cheiro de sal e vinho, decidiram deixar de ser.
Fechei a geladeira devagar, com uma seringa na mão. Só eu sabia o que estava prestes a fazer naquela cozinha.
Quando as luzes do palco a iluminaram, parei de vê-la como minha amiga. Só via a mulher que eu desejava havia anos sem coragem de dizer.
Cinquenta e quatro anos, mala feita e uma semana no litoral. Não ia procurar nada. Mas aquele garçom de olhos azuis tinha um jeito de olhar que mudava tudo.
Lucas sugeriu entre um gole e outro, como se fosse brincadeira. Mas ninguém riu. E aquele silêncio dizia tudo.
A villa era perfeita para uma aventura: quatro quartos, maridos pescando em alto-mar e dois homens chegando às sete. Até que às seis tocou o portão.
Éramos sete mulheres naquele apartamento, o vinho já tinha feito sua parte, e Camila começou a falar. O que ela contou naquela noite ninguém esperava.
Não tinha vindo a Málaga procurar nada. E, no entanto, Mateo apareceu com seus vinte e oito anos e aqueles olhos que fazem você sentir que o mundo lhe deve algo.
Éramos quatro pessoas de quarenta anos que nunca tinham quebrado um prato. Raquel disse que precisávamos fazer algo que não pudéssemos contar a ninguém.