O que a recepcionista ouviu na 412
Vinte e dois anos mantendo a compostura atrás do balcão do hotel. Bastou uma hóspede de saltos vermelhos para descobrir o que se escondia sob o uniforme.
Vinte e dois anos mantendo a compostura atrás do balcão do hotel. Bastou uma hóspede de saltos vermelhos para descobrir o que se escondia sob o uniforme.
O presente de aniversário dela a esperava do outro lado de um buraco na parede. Só havia uma regra: eu ficava para assistir.
Eu usava um vestido curto demais e tinha o olhar de quem já havia tomado uma decisão. A porta dele estava entreaberta, exatamente como combinamos.
Sete anos de amizade fingindo não sentir nada. Naquela madrugada, entre dois carros num beco, nós dois paramos de fingir.
Eu tinha passado no vestibular por pouco e nunca tinha tocado numa garota. Em quatro dias descobri por que duas professoras guardavam segredos.
Naquela tarde de sexta-feira, com a segunda taça de vinho na mão, Valeria me olhou diferente e começou a me contar o que fazia nos fins de semana.
Durante três anos vendi meu corpo por dinheiro. O que vou contar nem meus amigos mais próximos sabem. Alguns clientes não eram clientes: eram predadores.
Li a carta no camarim com as mãos trêmulas. A oferta era indecente, a quantia obscena. Mostrei-a ao meu marido esperando sua fúria; ele sorriu e disse que eu aceitasse.
Há três anos aceitei a solicitação de um desconhecido que escreve poesia erótica. Desde então, todas as noites, leio suas palavras no escuro e nunca lhe escrevi.
Tinham passado três dias desde a primeira vez. Três dias imaginando, sentindo ardor toda vez que fechava os olhos. Naquela tarde, o clube estaria vazio.
Quando as duas nos ajoelhamos sobre o tapete, já não era pela aposta. Foi a primeira vez que soube o que queria fazer com o meu corpo.
Quando o vi entrar com os outros dois, soube que não me conteria naquela noite. Meus saltos vermelhos e o olhar dele bastaram para mudar tudo em minutos.
Entrei naquele bar do calçadão procurando frutos do mar e acabei fechando quinze dias com uma desconhecida. Três anos depois, ainda não contei isso a ninguém.
Nunca imaginei que meu colega guardasse os mesmos segredos que eu. Descobrimos isso naquela noite, com o bar quase vazio e vinho demais nas taças.
Quando ele chegou à minha porta achando que vinha ajudar, eu já tinha tudo planejado. Ele tinha vinte anos e a ingenuidade de quem não sabe o que o espera.
Eu estava sozinha com meu filho havia dois anos quando o banco enviou a carta. O gerente tinha uma proposta. Eu aceitei. O que não esperava era o que descobriria sobre mim mesma.
Eu tinha 18 anos e era tímido a ponto de nunca ter tocado numa mulher. O que começou como aulas de reforço acabou sendo minha verdadeira iniciação.
O corredor estava escuro quando decidi empurrar a porta dele. Eu sabia o que significava entrar. E entrei mesmo assim.
Quando a mão dela roçou a minha ao me passar o copo, ela não a retirou. Me olhou por cima dos óculos, mordeu o lábio e eu soube que estávamos esperando há tempo demais.
Não fiz por dinheiro. Fiz porque tudo me dava igual. Vê-la feliz com outro naquele bar foi o estopim de uma fase que eu não deveria ter vivido.