A dupla que apanhamos no caminho de volta
Quando paramos ao lado deles, a garota já mexia os quadris ao som de uma música. Mateo usava as unhas pintadas. Aquela viagem não ia acabar como tínhamos planejado.
Quando paramos ao lado deles, a garota já mexia os quadris ao som de uma música. Mateo usava as unhas pintadas. Aquela viagem não ia acabar como tínhamos planejado.
Eu sabia que ele era o pai da minha amiga. Sabia que era loucura. Mesmo assim, meus pés me levaram até a porta dele, quilômetro após quilômetro.
O cartaz prometia resultados garantidos. Não dizia que incluiriam amarras, descargas e um ano trancada sem poder sair. Mesmo assim, assinei.
Eu estava ali, com o balde de champanhe nas mãos, ouvindo cada gemido, cada rangido da cama. E não fui capaz de me afastar.
Sabia o que ele faria se achasse que estávamos sozinhos. O que eu não podia prever era que meu marido estava vendo tudo do outro lado do vidro.
Quando Bruno puxou as cartas sobre a mesa de centro, eu não imaginava que aquela partida ia terminar com nós quatro largados no tapete da sala.
A cela cheirava a umidade e tabaco barato, e quando os olhos dele se cravaram nos meus eu soube que o processo acabaria no chão.
Há cinco anos dividíamos a sala. Numa noite, com a terceira taça de vinho, Andrés deixou escapar uma frase que mudou tudo entre nós.
Achei que sabia a que me expunha quando comecei. Mas o que alguns clientes me pediram, o que alguns fizeram, ainda me acorda à noite.
Quando o capitão desligou os motores naquela enseada escondida, entendi que a reunião estratégica era só uma desculpa e que o verdadeiro plano estava começando.
Quando Camila desligou o filme e me disse «às vezes eu vejo pornô gay quando estou sozinha», soube que aquela frase ia partir minha vida em duas.
Fazia três anos que eu lia cada palavra dele sem dar like, sem comentar, sem me atrever a nada. Até a madrugada em que tudo mudou quando a mensagem dele apareceu.
Na primeira noite, jurei voltar para casa. No sétimo dia, já não lembrava por que tinha comprado a passagem de volta. Isto é o que aconteceu entre aquelas duas noites.
Há meses fico pensando nisso. Três pessoas diferentes caíram numa única semana na parada da estrada. A última fui eu, e ainda não consigo me explicar.
Ela entrou na sala andando devagar, com o rosto pálido e um gesto de dor ao se sentar que não dava para disfarçar. Levei dias para arrancar a verdade.
Há seis anos, entrei no quarto do meu irmão mais velho numa noite de agosto. Não fui para conversar. Eu sabia exatamente o que queria fazer.
Vi minha ex beijando outro no bar. Naquela noite, cruzei uma linha que nunca tinha cruzado e passei meses cobrando para dar prazer a desconhecidos.
Me chamam de homem fiel, mas há dois que sabem o que eu sou de verdade. Isto é o que nunca poderei contar à mulher que eu amo.
Éramos dois na cama, a luz baixa, suas pernas sobre as minhas. Eu disse que vinha pensando havia semanas em algo que não sabia como pedir.
Éramos dois sócios casados, um utilitário esportivo caro e duzentos quilômetros pela frente. Eles tinham vinte anos e uma atitude que mudou tudo.