O que imagino toda noite antes de dormir
Apago a luz, abro o relato e deixo minha mão descer. Na minha cabeça sempre tem alguém no canto do quarto, me olhando, esperando a hora de entrar.
Apago a luz, abro o relato e deixo minha mão descer. Na minha cabeça sempre tem alguém no canto do quarto, me olhando, esperando a hora de entrar.
Colocaram a fita azul no meu pescoço, a única diferente das demais, e desci aquelas escadas sabendo que aqueles seis homens iam descobrir o que eu escondia.
Marcos me deixou passar primeiro, como um cavalheiro com o sorriso torto. Lá dentro, sobre uns caibros, dois desconhecidos me olhavam com a mão já no zíper.
Só me visto quando tenho um encontro, sempre num quarto de hotel, e naquela noite o desconhecido que me esperava não fazia ideia do que encontraria sob meu vestido.
Passada a meia-noite, coloquei os saltos vermelhos, abri o portão com o controle e saí para caminhar. Só queria me sentir vista. Não esperava que alguém parasse.
Ele me observava da poltrona enquanto eu me ajoelhava diante do desconhecido que eu tinha escolhido no balcão do bar. Era minha primeira noite sendo puta.
Cheguei às duas da manhã com a boca seca e uma única ideia na cabeça: naquela noite eu não colocaria limite nenhum, acontecesse o que acontecesse entre os pavilhões.
Eu já tinha tentado antes e só sentira dor. Numa noite de hotel com um desconhecido, descobri o quanto eu estava enganada.
Eu gostava de me sentir olhada, desejada, escolhida entre todas. Nessa noite um homem do campo me tirou da pista e me levou a um lugar sem volta.
Segui a moça para a rua convencido de que seria só mais uma noite. Não imaginava o que ela escondia sob aquele vestido colado nem até onde iria me levar.
Só queria sol e silêncio. Não procurava ninguém, muito menos um homem que me esperou na beira do mar só para dizer que não pretendia me deixar ir.
Pedi que ela abrisse as pernas no posto e o frentista quase arregalou os olhos. Naquela manhã entendemos que o tesão de ser observados podia com a gente.
Saí do trabalho sem calcinha e com a blusa entreaberta. Só queria sentir o ar entre as pernas. Não imaginava quem encontraria no vagão.
Essa madrugada eu vesti a tanga vermelha, as meias arrastão e a peruca diante do espelho do hotel, e pela primeira vez não reconheci o garoto de sempre.
Ninguém sabe. Nem mesmo a pessoa com quem durmo todas as noites. Mas, quando fecho os olhos, me vejo diante do espelho, transformado em outra, pronta para ele.
Eu estava de quatro, tremendo, com o cu empinado e meu próprio pau pingando sozinho. Ele mal tinha enfiado a ponta e eu já implorava para ele me arrebentar inteira.
Ninguém naquela casa sabia o que eu escondia sob o vestido preto. Ninguém, exceto ele, o desconhecido de máscara a quem eu entreguei isso num corredor escuro.
Baixei o vidro, troquei duas palavras com ela e a convidei para subir. Não imaginava que aquela morena da esquina sem luz me esperava com uma surpresa entre as pernas.
A menos de cem metros da música e do champanhe, ela abriu as pernas ao sol sem saber que alguém vinha pelo caminho. E, quando o viu, já era tarde demais para fechá-las.
Tinha vinte e dois anos e nunca tinha estado com outro homem. Quando empurrei a porta entreaberta do 5B, soube que aquela noite não sairiam de mim como entrei.