O homem que me paga para se vestir de mulher
Quando o celular vibra às quatro da madrugada, eu sei que é ele, que ninguém mais quis ele esta noite e que ele vai pagar o que for para eu aparecer.
Quando o celular vibra às quatro da madrugada, eu sei que é ele, que ninguém mais quis ele esta noite e que ele vai pagar o que for para eu aparecer.
Eu estava com meu vestido favorito no dia em que esses dois homens entenderam, sem que eu dissesse uma palavra, exatamente o que eu estava disposta a lhes dar.
Quando Diego fechou a porta da van e desapareceu em direção às luzes do supermercado, eu soube que tinha meia hora para fazer tudo o que vinha imaginando havia meses.
Quando as luzes apagaram no 22º andar e eu soube que ficaríamos horas a sós com ele, não imaginei até onde ele seria capaz de ir.
Dei de cara com um turista na orla e ele me deixou um número com uma proposta impossível de ignorar. Naquela mesma tarde, liguei.
Quero colocar a peruca, me maquiar e me entregar a um desconhecido que tenha lido minhas histórias. Uma única noite, sem compromissos, antes que seja tarde.
Tinha quarenta e sete mensagens dela quando voltei ao jogo, e todas terminavam com a mesma captura: o avatar dela sentada no banco vazio, me esperando em horas diferentes.
Carla entrou no banheiro isolado do festival apertando como pôde e ficou hipnotizada com os pelos rosas da desconhecida que mijava à sua frente.
Cheguei cedo à piscina com um biquíni que deixava pouco à imaginação. Queria saber se a garota do sorriso safado topava algo a mais.
A chave caiu na água e a porta de trás travou. Presos num metro quadrado, algemados e semidespidos, descobrimos algo que nenhum dos dois imaginava.
Meus amigos passeavam rindo entre vitrines. Eu parei diante da dela e, pela forma como me devolveu o olhar, soube que aquela noite não era para eles.
Disse a mim mesma que era só curiosidade. Subi quatro fotos, usei um nome falso e esperei para ver se ainda me olhavam. Na mesma semana apareceu Matías.
Subi na van de um grupo de gringos sem pensar duas vezes. Meu namorado levaria dez minutos para voltar do supermercado. Eu só precisava de um.
Quando os dedos dela roçaram os meus sobre a mesa, soube que naquela noite eu ia recuperar algo que minha namorada vinha me fazendo esquecer aos poucos.
Eu passava dois dias fechando as cortinas para esconder o que fazia. Naquela última manhã, resolvi deixá-las abertas, e a mulher do uniforme ficou parada do outro lado do pátio.
Quando chegamos naquela noite, minha mulher já estava com o plug enfiado. O que não esperávamos era cruzar com um garoto de dezenove anos que mudaria a rotina.
Tínhamos jurado que no playroom seria só sexo oral. Não contávamos com o olhar do homem da cama ao lado, nem com as mãos da mulher dele nas minhas costas.
Conversamos durante semanas sem trocar uma única foto, até ela me dizer que queria ser a primeira a fazer isso comigo, pessoalmente, na cama dela.
Queria que olhassem para ela. Que a devorassem com os olhos. O que eu não esperava era que um dos desconhecidos do fundo ousasse procurá-la no chuveiro.
Fechei os olhos no vestiário vazio e deixei a fantasia me levar mais longe do que eu imaginava. Quando os abri, não havia mais volta.