A noite de fantasias em que ultrapassei meu último limite
Eu usava um chapéu de caubói e não tinha a menor intenção de voltar sozinha. Não imaginava que um desconhecido me proporia algo que eu nunca ousara experimentar.
Eu usava um chapéu de caubói e não tinha a menor intenção de voltar sozinha. Não imaginava que um desconhecido me proporia algo que eu nunca ousara experimentar.
Aos quarenta e quatro anos eu achava que nada mais podia me surpreender, até que um homem com as mãos sujas de graxa me olhou como ninguém fazia havia anos.
Escreveu dizendo que queria ser minha modelo, minha musa. Não imaginava que naquela tarde aprenderia que desejo e câmera são a mesma coisa.
Durante vinte anos fingi estar satisfeita. Na noite em que parei de fingir, descobri que uma mulher experiente assusta muito mais que uma garotinha.
Quando vi os bilhetes que minha irmã escondia na gaveta, soube que nossa vida naquele ponto estava prestes a mudar para sempre, e que nada mais seria inocente entre nós.
Desci para a pista achando que controlava a situação. Três horas depois eu era só um observador de algo que já não me pertencia.
Quando suspenderam o confinamento, eu já estava tempo demais aguentando. Saí para a rua decidido a encontrar o que precisava, sem imaginar que seriam três ao mesmo tempo.
Alguns me pedem fotos antes mesmo do oi. Outros me chamam de coisas que eu não autorizei. Aqui estão as pérolas que guardo na caixa de entrada, com nomes trocados.
Subi a escada com o coração batendo como o de um adolescente. Ela me esperava lá em cima, e eu ainda não sabia que aquela seria a noite que me deixaria sem nada.
Tinha vinte anos e um namorado me esperando em casa. Naquela tarde de calor, junto à piscina, descobri o quanto o corpo pode arder quando alguém decide se deixar levar.
Há semanas eu tinha uma única ideia fixa na cabeça, e naquele domingo, na arquibancada do campo de rúgbi, encontrei a forma de realizá-la.
Ele se agachou para me mostrar suas pulseiras, e seu olhar desceu até meus seios. Naquele instante, soube que não sairia daquela praia sendo a mesma mulher.
Há coisas que uma nunca conta a ninguém. Esta é a que guardei por anos, a que ainda me faz tremer quando passo em frente àquele cinema.
Eu passava semanas me masturbando toda noite, imaginando o que ela vivia na pele. Até que numa quinta eu me pus diante do espelho e decidi parar de imaginar.
Naquela noite descemos vinte e dois degraus até o porão onde o saxofone tocava. O que aconteceu lá embaixo ainda não contei para ninguém.
Quando Carla me perguntou se eu queria repetir, eu já sabia a resposta antes de ela terminar a frase. O que eu não sabia era até onde estava disposta a ir naquela noite.
Abri a porta para ele se abrigar do dilúvio. Não imaginei que acabaria de joelhos diante dele, nem que os quatro amigos dele também bateriam.
Chamei à porta do sétimo com o balde na mão e o coração disparado. Nenhum dos dois já acreditava na desculpa da limpeza, e eu deixei de me importar.
Cruzei os braços para esconder o que o frio da sala tinha denunciado em mim. Então ele se sentou ao meu lado, sem pedir permissão, como se a poltrona fosse dele.
Desci as escadas daquele porão com o coração na garganta e, antes de pensar duas vezes, já estava de joelhos na cabine do fundo.