A tarde em que finalmente dei em cima de um desconhecido
Eu já fazia tempo que queria fazer isso: escolher um homem em um lugar público e levá-lo para a cama. Naquela tarde no café, enfim tomei coragem.
Eu já fazia tempo que queria fazer isso: escolher um homem em um lugar público e levá-lo para a cama. Naquela tarde no café, enfim tomei coragem.
Ele voltou da corrida no fim da tarde e a encontrou nas dunas. Ela não estava sozinha. Nunca esteve.
Nunca tinha ficado com uma mulher. Quando abri a porta e a vi parada ali, soube que naquela noite algo em mim mudaria para sempre.
Nunca achei que depilar o corpo inteiro fosse mudar alguma coisa. Mas quando ele passou a cera nos meus glúteos e mandou eu ficar de quatro, algo acendeu em mim.
Sair de tanga e sutiã sob as leggings era meu ritual secreto. Eu não esperava que alguém tivesse coragem de me seguir. Nem que eu quisesse tanto que isso acontecesse.
Natalia estava com as pernas abertas na maca e o médico fingia aplicar creme. Eu observava do canto, imóvel, sem querer que ele parasse.
Eu morava na fazenda e podia usar roupa de mulher o dia inteiro sem ninguém me incomodar. Até que um desconhecido escreveu dizendo que gostava das minhas fotos.
Eu havia filtrado dezenas de perfis até chegar a Marcos. Tudo o que eu pedia, e a paciência que nunca sobra. Mas sempre alguém chega cedo demais.
Quando ela se aproximou de mim no bar, eu soube que aquela mulher faria o que quisesse comigo. E eu queria exatamente isso.
Faziam três semanas que eu tinha sido deixado. Naquela noite entrei no bar sem vontade de nada e saí com a certeza de que não sabia nada sobre prazer.
Sandra e eu os encontramos no jacuzzi. Pablo estava comendo Lucía, minha garota, sem perceber que tínhamos plateia. A noite ainda nem tinha começado de verdade.
Quando Rodrigo abriu a porta, eu soube que não havia volta. Minha vida estava prestes a mudar de um jeito que eu nunca tinha imaginado.
Chegamos sem saber o que nos esperava. Saímos diferentes. Uma fazenda, sete homens e um desconhecido que decidiu que eu seria dele naquela noite.
Fiquei na soleira com a taça de vinho na mão e o olhei de longe. Ele ergueu a vista. Eu sorri. Não foi preciso dizer mais nada.
Conversamos por meses no chat antes de nos vermos ao vivo. Quando o vi na entrada do teatro, soube que aquela noite não terminaria como eu planejava.
Cada vez que ela apertava minha mão, eu entendia: estava cruzando as pernas devagar para que ele pudesse vê-la por inteiro.
Eu não sou do tipo que transa com desconhecidos no banheiro de uma boate. Ou não era. Naquela noite em Barcelona, uma saia curta e um erro mudaram tudo.
Cruzei a soleira do palácio com a máscara dourada e o coração disparado. Naquela noite, várias mãos mascaradas me esperavam enquanto ele observava das sombras.
Estávamos conversando havia três semanas sem nos vermos. Quando finalmente atravessei a porta do apartamento dele naquela noite, soube que não sairia dali igual.
Quando atravessei a ponte e vi a mulher do sobretudo preto me esperando, soube que nada do que eu escrevesse na minha matéria poderia contar a verdade daquela semana.