O que ouvi naquela noite no corredor do hotel
Quando os primeiros gemidos atravessaram a porta do 412, ela ainda segurava o balde de champanhe com as duas mãos. Dez minutos depois já não pensava mais no hotel.
Quando os primeiros gemidos atravessaram a porta do 412, ela ainda segurava o balde de champanhe com as duas mãos. Dez minutos depois já não pensava mais no hotel.
Eu o observava no vestiário havia meses sem coragem de chegar perto. Naquela tarde, quando ele me chamou para subir ao apartamento, eu soube: era agora ou nunca.
Eu vinha ignorando os olhares dele havia semanas. Naquela noite no hotel, depois da piscina e de dançar com desconhecidos, já não consegui continuar.
Naquela tarde me visitaram quatro homens. Nenhum sabia dos outros. Eu era a única com o quadro completo e não sentia culpa nenhuma.
Havia noites em que eu nem olhava para o rosto de quem entrava. Contava o dinheiro e esperava acabar. Mas uma vez tudo foi completamente diferente.
Não tinha vindo a Málaga procurar nada. E, no entanto, Mateo apareceu com seus vinte e oito anos e aqueles olhos que fazem você sentir que o mundo lhe deve algo.
Quando Diego parou o carro em frente ao motel, eu soube que aquela conversa de madrugada sobre minha fantasia mais secreta tinha tido consequências.
Ela usava botas até o joelho e aquele tipo de olhar que têm as mulheres que já sabem o que querem. Levantei para lhe dar meu cartão antes que o momento se perdesse.
Éramos quatro pessoas de quarenta anos que nunca tinham quebrado um prato. Raquel disse que precisávamos fazer algo que não pudéssemos contar a ninguém.
Ele entrou procurando o banheiro e ficou parado no limiar me olhando. Vinte anos, cara de nervoso, e uma pergunta que eu não esperava.
Ela escolheu o homem. Eu organizei os encontros. Nenhum de nós sabia exatamente como terminaria aquela noite de primavera em Barcelona.
Me agarraram por trás sem que eu visse chegando. Em segundos eu estava de joelhos em plena luz do dia, com o parque inteiro olhando.
Colocamos uma música baixinha, apagamos as luzes e prometemos que o que fosse dito naquela noite não sairia dali. A promessa mais difícil de cumprir.
Cheirava a tabaco e a campo. Não era bonito, mas desde a primeira vez que o vi, algo em mim deixou de funcionar normalmente.
Disse a mim mesma que seria só um café. Que eu podia controlar a situação. Mas quando ele abriu a porta antes de eu tocar a campainha, já não havia volta.
Quando minha colega de casa me disse «me leva com você», eu soube que aquela noite ia me fazer perder mais do que a timidez. O que eu não imaginei foi que ele apareceria.
O brinquedo vibrava dentro de Clara enquanto ela dançava com desconhecidos. Andrés a controlava da mesa. Ninguém no bar sabia de nada.
Quatro homens poderosos mortos da mesma forma. Todos nus, exaustos. Alguém os escolhia, os seduzia e os levava ao limite exato antes do fim.
Desci à cozinha à meia-noite sem imaginar que ele ainda estivesse acordado. Estava no jardim fumando, com aquele ar que não se aprende. Ele me olhou e eu não fiz nada para ir embora.
Atrás daquelas caixas, pensei que ninguém poderia me ver. A câmera vermelha no teto e os passos à porta diziam o contrário.