Pular para o conteúdo
Relatos Ardientes

O charro maduro que me mudou naquela semana

4(11)

Tinha dezenove anos da primeira vez que visitei os parentes da minha mãe no norte. Era uma cidadezinha nos arredores de Zacatecas, do tipo que parece intacta há quarenta anos: ruas de paralelepípedo, portões de madeira e uma praça com quiosque onde os velhos se sentam para ver o tempo passar. Chegamos numa terça-feira. Para o fim de semana havia festa patronal.

Meu tio Bernardo era a alma dessas comemorações. Fanático por charreada e cavalos, passava meses organizando o evento principal. O que mais o emocionava era ter conseguido trazer um dos charros mais reconhecidos do circuito nacional. Ele pronunciava aquele nome com o mesmo tom que minha família reserva para falar dos santos. Eu nunca tinha ouvido falar dele, mas logo aprendi que isso não importava: todos os outros conheciam, sim.

Ele chegou na quinta-feira à tarde enquanto eu estava no meu quarto desfazendo a mala. Não o vi chegar. Só ouvi a algazarra do lado de fora, as vozes das minhas primas aumentando de volume, e fui até a janela ver um homem baixinho, de compleição sólida, descendo de uma caminhonete com o chapéu na mão. Movimentos calmos, sem pressa nenhuma. Não parecia o que eu tinha imaginado.

***

Na noite anterior à charreada eu não conseguia dormir. O calor era daquele tipo seco que não cede com o anoitecer, que entra entre os lençóis e não deixa o corpo quieto. Levantei pouco depois da meia-noite, descalça, com a camisola curta que eu usava no verão. Queria água. Talvez também quisesse algo mais que ainda não sabia nomear.

Da janela da cozinha dava para ver o quintal dos fundos. Havia uma figura ali, de costas, encostada na cerca de madeira com a postura de quem não tem nenhuma pressa. A ponta acesa de um cigarro se movia na escuridão. A fumaça subia em linha reta para o céu sem nuvens.

Quando ele se virou, me encontrou olhando. Me cumprimentou com um movimento lento de cabeça. Repeti o gesto.

Alguns minutos depois ouvi os passos dele no corredor. Entrou na cozinha sem fazer barulho e me perguntou, com uma cortesia tranquila, se me incomodava que ele pegasse água. Eu disse que não, que, se quisesse, eu podia preparar um café. Ele aceitou com um sorriso que não era bem um sorriso, só uma dobra em um canto da boca.

Enquanto eu preparava, pude estudá-lo melhor. Devia ter uns quarenta anos, talvez um pouco mais. Moreno, de traços marcantes, com uma barba por fazer de vários dias que ninguém tinha pensado em aparar. Usava uma camisa de trabalho aberta no colarinho. Cheirava a tabaco, a sabonete sem marca e a mais alguma coisa que eu não soube identificar, mas que meu corpo recebeu de imediato, como um sinal direto. Os homens que eu conhecia cheiravam a perfume caro ou a aftershave de designer. Aquele cheiro não tinha nada disso. Era mais honesto, mais imediato. Meu sexo já estava úmido sob a camisola e ele nem sequer tinha me tocado.

Levei a xícara até ele. Minhas mãos não estavam totalmente firmes.

Conversamos um pouco. Foi ele quem conduziu a conversa sem nenhum esforço aparente: perguntou de onde eu vinha, quanto tempo eu ia ficar, se era a primeira vez que assistia a uma charreada. Respondi sim a tudo. Também disse que, até aquele momento, não era algo que me chamasse especialmente a atenção.

—Você vai ver amanhã — disse ele. Sem se gabar. Como quem enuncia um dado.

Foi então que perguntei o nome dele. Ele o disse com a mesma naturalidade com que dizia tudo o resto, e aquele nome bastou para que eu entendesse de repente por que toda a minha família estava tão empolgada havia semanas. Era ele. O charro que todos esperavam. Não se parecia em nada com o que eu tinha imaginado: nem grande, nem imponente, nem vaidoso. Só aquele homem tranquilo com uma xícara de café e uma barba por fazer.

Quando se despediu para ir dormir, apertou minha mão. A dele era grande, áspera, forte de um jeito que não tinha nada a ver com academia. Era a mão de alguém que trabalha de verdade com o corpo, durante anos. Soltou a minha devagar.

—Amanhã, na charreada, minha atuação vai ser dedicada a você — disse antes de sair.

Subi para o meu quarto. Levei mais uma hora para dormir.

***

Na manhã seguinte me arrumei com mais cuidado do que costumava. Um vestido floral azul e branco, o cabelo penteado com o tempo que raramente eu dedicava, sandálias de salto baixo. Minha prima Daniela me olhou de cima a baixo, mas não disse nada. Fomos todos para o lienzo charro onde o evento acontecia.

Como meu tio era um dos organizadores, tínhamos lugares preferenciais nas primeiras filas. Passaram vários charros antes de chegar a vez dele. Alguns faziam tudo com desembaraço; outros saíam da arena com cara de dor e o orgulho um pouco amassado. A música, o pó, o cheiro de couro e de terra quente formavam um ambiente que eu não conhecia e que foi me prendendo sem eu perceber.

Quando o anunciaram, o público se levantou quase em bloco. Ele entrou na arena caminhando sem pressa, parou no centro e saudou com o chapéu. Procurou nas arquibancadas até nos encontrar. Quando me achou, fez um gesto que não era para a família, mas só para mim. Minha tia me cutucou com o cotovelo. Minhas primas riram. Eu mantive o rosto impassível.

Depois tirou o chapéu, deixou-o de lado e se preparou.

Não vou conseguir descrevê-lo direito. O touro era grande e violento, e ele não parecia domá-lo, e sim manter uma conversa em um idioma que só ele entendia. O corpo dele — moreno, compacto, coberto de suor em questão de segundos — absorvia cada sacudida com uma naturalidade que não parecia aprendida. Não era espetáculo. Era algo mais antigo e mais sério do que isso. Algo que te atingia no estômago antes de a cabeça processar.

Quando terminou e o touro ficou quieto sob ele, o público gritou. Ele desceu de um salto, agradeceu com a mesma calma de sempre e me olhou do centro da arena.

Tive que cerrar os dentes. E também as coxas, porque meu sexo estava tão molhado que eu sentia a umidade descendo pela parte interna do vestido.

***

Voltamos para a fazenda quando a noite já caía. O jantar foi longo e barulhento, como todos os daquela família. Eu estava em outro lugar. Subi para o meu quarto antes mesmo de terminarem as sobremesas.

Não dormi. O calor persistia e minha cabeça também não cedia. Me mexi na cama durante uma hora, pensando na mão áspera dele sobre a minha, na forma como tinha me olhado da arena, em como ele tinha cheirado naquela noite na cozinha. Sem conseguir ignorar o que meu corpo pedia havia horas, enfiei uma mão sob os lençóis. Levantei a camisola até a cintura e separei as pernas. O sexo estava encharcado, os lábios inchados, o clitóris pulsando só de eu roçá-lo. Massageei com dois dedos em círculos lentos, imaginando que era a boca dele. Enfiei o dedo médio dentro de mim e o curvei, procurando o ponto exato, e quando o encontrei me escapou um gemido que abafei no travesseiro. Continuei com o polegar no clitóris e dois dedos entrando e saindo, imaginando a pica dele no lugar dos meus dedos, imaginando o peso do corpo dele sobre o meu. Gozei mordendo o lençol, com o nome dele na cabeça e meu sexo se contraindo ao redor dos meus próprios dedos. Não foi suficiente. Nem de perto.

À uma da manhã eu ainda estava acordada. Estava com sede. Era uma desculpa válida e eu a usei.

Desci até a cozinha descalça, sem acender as luzes do corredor.

Eu o vi antes de chegar. De novo no jardim, outro cigarro, a mesma postura de alguém que não tem nenhuma pressa. Como se aquele jardim pertencesse a ele.

Desta vez ele não me cumprimentou de longe. Se virou, me viu na janela e ficou parado me olhando. Eu também não me mexi. Éramos duas pessoas que sabiam exatamente o que estava acontecendo sem precisar dizer.

***

Ele entrou um minuto depois.

Não falou. Cruzou a cozinha devagar, parou na minha frente e me segurou pela nuca com uma mão. Os olhos dele ficaram fixos nos meus quando se inclinou. Pensei, por uma fração de segundo, em dar um passo para trás. Não dei.

Ele me beijou devagar. Sem urgência, sem pressa. Só a boca dele sobre a minha, o gosto de tabaco e aquela mão na minha nuca que não apertava, mas que não deixava dúvida de para onde aquilo ia. Enfiou a língua sem pedir permissão, e a minha foi ao encontro da dele. Senti a outra mão descer da minha cintura para a bunda, pegar uma nádega por cima da camisola e apertar com uma força tranquila, de alguém que sabe o que tem nas mãos. Quando separei os lábios, fui eu. Ele deixou que fosse assim.

As mãos dele percorreram meu corpo por cima da camisola. Apertou meus seios, primeiro um, depois o outro, encontrou os mamilos através do tecido e os beliscou com dois dedos até endurecerem. As minhas foram para a camisa dele, buscaram os botões, abriram um a um. O peito dele estava coberto de pequenas cicatrizes, o tipo de marcas que o trabalho com animais deixa ao longo dos anos. Passei os dedos por elas enquanto ele levantava a camisola e a deixava cair no chão. Fiquei nua diante dele, sem roupa íntima por baixo, com o sexo já brilhando de umidade.

Ele me estudou por um momento em silêncio. Os olhos foram dos seios para o púbis e voltaram a subir.

—Você está molhada — disse, quase sem voz.

—Desde ontem à noite — respondi.

Depois ele se ajoelhou.

Me sentou na borda fria da bancada de mármore, abriu minhas pernas com as duas mãos e apoiou-as nos ombros dele. A primeira lambida foi lenta, plana, de baixo para cima, da entrada da vagina até o clitóris, e me fez tremer inteira. Depois outra igual. E outra. Ele tomou seu tempo, como se tivesse a noite toda, como se ninguém dormisse a dez metros dali. Abriu meus lábios com dois dedos e passou a língua entre eles devagar, me saboreando. Quando chegou ao clitóris, ficou ali, chupando com os lábios, girando a ponta da língua, aprendendo o que me fazia apertar as coxas contra as orelhas dele.

Enfiou o dedo médio dentro de mim sem parar de chupar meu clitóris. Depois dois. Curvava-os para cima, procurando o mesmo ponto que eu estivera tocando na cama uma hora antes, mas ele o encontrou mais rápido e com mais precisão. A cozinha estava completamente em silêncio e toda a casa dormia a poucos metros. Tive que morder o lábio com força para não fazer barulho nenhum. Cobri a boca com as duas mãos quando senti que estava chegando, e quando gozei precisei morder o dorso da mão para não gritar. Meu sexo se contraiu ao redor dos dedos dele, minhas pernas se fecharam em torno da cabeça dele, e ele não parou. Continuou chupando, continuou enfiando os dedos, continuou curvando-os.

Ele me levou ao segundo orgasmo antes que eu antecipasse o primeiro. Este foi mais longo, mais fundo, e quando terminei eu estava tremendo inteira e com o queixo molhado dele, e ele com a boca e o queixo brilhando de mim.

Quando me ergui, levei as mãos ao cinto dele. Ele mesmo o abriu, sem pressa. Baixei a calça até os joelhos e depois a cueca. O que encontrei nas minhas mãos era grosso e duro, mais grosso do que eu esperava, com as veias marcadas e a cabeça vermelha e inchada. Agarrei com as duas mãos e ainda assim sobrava. Percorri-o devagar, aprendendo pelo modo como a respiração dele mudava o que ele gostava. Movimentos firmes perto da base, mais suaves na ponta, o polegar passando sobre a glande a cada subida. Depois me ajoelhei também.

Levei-o à boca com cuidado. Primeiro só a ponta, chupando-a como um doce, passando a língua por baixo da coroa. Depois mais, o quanto cabia, e com as mãos o que não cabia. As mãos dele se apoiaram no meu cabelo, sem forçar, apenas guiando. Ele gostava da lentidão. Gostava de me ver enquanto eu fazia aquilo. Aprendi isso nos primeiros minutos e usei bem. Olhava nos olhos dele com a pica enterrada na minha boca, e ele me olhava com a mesma calma de tudo o resto, só que agora respirando forte pelo nariz. Tirei a pica da boca e passei a língua por toda a extensão, da base à ponta, e depois chupei os ovos um a um enquanto continuava masturbando-o com a mão. Quando voltei a enfiá-la até o fundo, ele soltou um rosnado bem baixo. A respiração dele foi ficando mais densa, mais contida.

—Levanta — disse, com a voz muito baixa —. Se continuar assim eu vou gozar na tua boca e ainda não.

Fiquei de pé. Ele me segurou pelos quadris, me virou com suavidade e me inclinou sobre a mesa da cozinha. A madeira ficava na altura da minha cintura. Apoiei os cotovelos, arqueei as costas, abri as pernas. Senti a ponta da pica passando pelos lábios da vagina, me molhando, procurando a entrada sem pressa.

Ele me penetrou devagar da primeira vez. Muito devagar. Senti cada centímetro e não me importei. Ele me abriu por dentro aos poucos, parando quando eu respirava forte, avançando quando meu corpo relaxava, até sentir os quadris dele contra os meus e os ovos roçando meu clitóris. Ficou quieto por um momento, inteiro dentro, me deixando sentir o quanto ocupava. As mãos dele nos meus quadris eram firmes e ásperas, e ele começou a se mover com um ritmo que pareceu encontrar de imediato, como se já me conhecesse de antes. Saía quase por completo e voltava a entrar até o fundo, com uma cadência longa e regular que não tinha pressa. As tábuas da mesa rangiam levemente a cada impulso. Lá fora, os grilos continuavam a cantar. O mundo era exatamente o mesmo de dez minutos antes. Eu não.

Uma das mãos dele subiu pela minha coluna, encontrou meu cabelo e o agarrou em um punho, não com força, só firme. Ele puxou um pouco minha cabeça para trás e, com essa nova posição, as investidas entravam mais fundo. Senti que ele me golpeava por dentro a cada uma. A outra mão desceu, procurou meu clitóris e começou a esfregá-lo em círculos no mesmo ritmo dos quadris. O orgasmo seguinte veio antes que eu o antecipasse. Cobri a boca com o dorso da mão e, mesmo assim, um gemido rouco escapou. Meu sexo apertou em torno dele com tanta força que ele sentiu e freou, colou os quadris aos meus e esperou eu terminar antes de se mover de novo, cerrando os dentes para não gozar ali mesmo.

Ele me virou. Me levantou pelos quadris e me sentou sobre a mesa com as pernas abertas e ele de pé à minha frente. Nós nos olhamos. A barba dele estava molhada de mim, o peito brilhando de suor, a pica avermelhada e pingando.

—Bem? — perguntou.

—Sim — disse eu —. Enfia de novo.

Ele voltou a entrar em mim de uma só vez, até o fundo. Daquele ângulo o efeito era diferente, e nós dois sabíamos disso. Agarrei a nuca dele com uma mão e me aproximei da boca dele. Nos beijamos enquanto ele me penetrava, com as línguas para fora, respirando um no outro. Ele chupou um seio, depois o outro, mordendo meus mamilos na medida certa. Eu agarrei a borda da mesa com as duas mãos e não soltei. Ele me fodia com mais força agora, sem quase sair, movendo-se em golpes curtos que me faziam bater a bunda na madeira. Passei as pernas por trás da cintura dele e o apertei com os calcanhares para que entrasse mais fundo. Ele me olhava nos olhos o tempo todo. Eu também não conseguia desviar o olhar.

Quando ele esteve perto de terminar, me avisou. Perguntou onde. Eu indiquei que não com a cabeça, mostrei meu ventre. Ele saiu, pegou a pica com a mão direita e se masturbou por alguns segundos na minha frente, com os olhos cravados no meu sexo aberto e nos seios. Gozou sobre o meu ventre com um som breve e contido que foi o mais alto de toda a noite, jatos grossos e quentes que chegaram até entre os seios. Eu o vi fazer isso. Quando terminou, passei dois dedos pelo sêmen no ventre e levei-os à boca. Ele viu e fechou os olhos por um segundo, como se aquilo o tivesse afetado mais do que tudo o resto.

Ficamos quietos por alguns segundos. Depois ele pegou um pano de prato limpo da prateleira de cima e me entregou, sem nenhuma teatralidade. Como alguém que sabe o que precisa ser feito e simplesmente faz.

***

Desci da mesa e peguei a camisola do chão. Vesti-a pela cabeça. Ainda sentia as pernas trêmulas.

Ele acendeu outro cigarro encostado no balcão e me olhou da mesma forma que alguém olha para algo de que gosta sem precisar possuir.

—Boa noite — disse ele, quando eu já ia embora.

—Boa noite.

Subi as escadas em silêncio e me deitei. Ainda me sentia aberta por dentro, e o cheiro dele continuava na minha pele. Dormi até as dez da manhã como não dormia havia meses.

À tarde, a caminhonete já não estava na fazenda. Ninguém me disse quando ele tinha ido embora. Ninguém me perguntou nada. E eu também não perguntei.

Ver todos os contos de Maduras

Avalie este conto

4(11)

Comentários

Seja o primeiro a comentar.

Deixe um comentário

Entrar ou criar conta

Escolha como quer continuar.