Minha confissão: aprendi a me desejar todas as noites
Comprei esse brinquedo quase por vergonha, escondida atrás de uma tela. Não imaginei que o corpo que eu tanto odiava acabaria me ensinando a me amar.
Comprei esse brinquedo quase por vergonha, escondida atrás de uma tela. Não imaginei que o corpo que eu tanto odiava acabaria me ensinando a me amar.
Começou com uma mensagem sobre um conto meu. Terminou comigo na cama, no escuro, obedecendo a tudo o que ela escrevia do outro lado da tela.
Não minto sobre minha idade nem sobre a academia, mas naquela cadeira reclinada tudo isso deixa de importar. Só fica a pressão suave do corpo dela contra o meu.
Estou nua enquanto escrevo isso. E quero que você saiba exatamente o que passa pela minha cabeça quando fecho a porta e ninguém pode me ouvir.
Entrei no banheiro por engano e o encontrei debaixo do chuveiro. Desde essa tarde, toda noite que fico sozinha volto a essa imagem e não consigo tirá-la da cabeça.
Cada vez que se acariciava, de seu corpo brotavam estrelas líquidas e flores novas. Nessa noite, os éons se cumpriam e ela estava prestes a arder como jamais.
Aceitei a fantasia do meu namorado acreditando que nós dois sairíamos ganhando. Nessa madrugada, enquanto eu gritava em um quarto, ele ouvia tudo do outro lado da porta.
Na última noite antes de se tornar mortal, ela se aninhou entre suas duas mães divinas sabendo que, ao amanhecer, teria de enterrar tudo o que era sob camadas de tecido comum.
Desceu do plano do prazer para um apê em Ruzafa e, no instante em que o desejo da rua roçou sua pele, soube que nem a roupa mais folgada conteria o que era.
Prometi a mim mesma não desistir até conseguir. O que eu não sabia era quanto tempo meu corpo levaria para me dar o que eu tanto pedi naquela noite.
Deitei nua achando que só queria dormir. Três horas depois, eu ainda descobria o quanto de prazer era capaz de me dar sozinha.
Baixei as persianas, desliguei o celular e, pela primeira vez, não parei para pensar no que era certo. Só segui o que meu corpo me pedia havia semanas.
Liguei o vibrador, abri o jogo de bingo e me prometi uma regra para cada bolinha. O que aconteceu depois levei semanas para contar a alguém.
Começou como um jogo solitário à meia-noite. Quando terminei, tinha descoberto algo sobre meu próprio prazer que eu jamais conseguiria fingir que não sabia.
Eu esperava a casa ficar em silêncio para apagar a luz, abrir a gaveta e descobrir até onde eu era capaz de chegar sozinha.
Eu tinha dezenove anos e nunca tinha me atrevido a me explorar. Naquela tarde, com a casa em silêncio, decidi imitar o que via na tela.
Nessa manhã não havia ninguém em casa para me ouvir. Só o espelho, meus saltos e a voz de um homem que vivia dentro da minha cabeça.
Adoro a soneca quando estou sozinha em casa. Hoje o frio da tempestade arrepiou minha pele e, sem perceber, só conseguia pensar em como você me olharia.
Chove, não tem ninguém em casa e a série que coloquei para dormir acabou virando outra coisa. Então me lembrei de onde guardava meu brinquedo vermelho.
Pensou nele o dia todo. Agora, sob os lençóis e com a chuva batendo no vidro, sua mão começa a percorrer o que a imaginação já havia prometido.