A desconhecida do elevador que ficou no escuro
Quando faltou luz e ficamos presos entre dois andares, soube que aquelas horas no escuro iam mudar tudo. E eu não fiz nada para evitar.
Quando faltou luz e ficamos presos entre dois andares, soube que aquelas horas no escuro iam mudar tudo. E eu não fiz nada para evitar.
Já tinham se passado doze meses desde a última vez. Virei uma esquina no centro e trombei com ela: o mesmo perfume, o mesmo olhar, a mesma vontade que eu achei ter esquecido.
Quando o treinador pediu que ela observasse os garotos, ela aceitou com um sorriso. Ninguém suspeitou que a mulher de terno azul já havia escolhido seus dois favoritos.
A varanda do motel se conectava à dele, e da penumbra uma voz grave me chamou de “bonito”. Eu devia ter entrado e trancado a porta. Não fiz isso.
Damián salvou metade da cidade e levou o novato para a suíte para comemorar. Tomás o admirava como a um ídolo, até descobrir quem mandava de verdade naquela noite.
Ofereci a janela à senhora do ônibus e ela nem me olhou. Eu não imaginava que a verdadeira viagem começaria no refeitório do hotel, diante de dois desconhecidos.
Fingi que estava dormindo para observá-lo. O que vi naquela noite na outra cama mudou completamente o rumo daquela viagem.
Visto a lingerie que ela jamais usaria e espero ele bater na porta do motel. Sei que ele vai voltar: em casa dele há um homem morrendo de fome.
Baixou a voz até um sussurro rouco do outro lado da divisória, e eu soube que jamais voltaria a me sentar diante dele numa reunião sem me lembrar.
Eu estava há três semanas na empresa quando ele se inclinou sobre a mesa e disse que eu tinha algo que chamava atenção. Naquela mesma tarde, eu o segui.
Quando aquele homem pousou as mãos nas minhas costas, soube que já não era sobre a febre nem o cansaço da viagem, mas sobre algo que eu evitava havia anos.
Eu disse para ela trazer os modelitos mais exagerados que tivesse. Queria passeá-la pela cidade e, ao voltar ao hotel, me perder entre seus pés por horas.
O recepcionista me entregou um pacote sem remetente. Dentro, um plugue de metal e uma nota com a letra dele: «Para o nosso encontro, quero que você o use».
Aceitei acompanhá-lo na viagem sabendo que seria sua mulher por alguns dias. O que eu não sabia era que meu corpo já fazia parte da negociação.
Nunca tinha tocado uma barriga assim sem a luva e o avental no meio. Dessa vez era a de Marisol, sua cunhada, e ela não conseguiu fingir que só buscava os chutes dos gêmeos.
Havia anos eu o imaginava em silêncio, sem contar a ninguém. Naquela noite, no bar de um hotel desconhecido, uma mulher desconhecida decidiu por mim.
Entrei no quarto de olhos vendados, quase nua sob o casaco, sem saber quem me esperava do outro lado da música. Só a voz do meu marido me guiava.
Quando voltamos ao quarto, já não aguentávamos esperar. Então a porta tocou: o presente que eu tinha preparado acabava de chegar, e você não sabia de nada.
Quando abri a mochila que ele me entregou no lobby daquele hotel de quinta, entendi que a reunião não era o que eu imaginava. E já era tarde para voltar atrás.
Ele me deixou sentada no sofá com uma venda e as mãos suando. Quando uma mão subiu pela minha perna e a música começou, eu soube que não esqueceria aquela noite.