O café onde o olhar dela deixou de ser meu
Faziam seis semanas que eu não dormia direito e ainda carregava o cheiro dela nos lençóis. Naquele dia, no café da avenida, entendi o custo de perder alguém que ainda cheira a você.
Faziam seis semanas que eu não dormia direito e ainda carregava o cheiro dela nos lençóis. Naquele dia, no café da avenida, entendi o custo de perder alguém que ainda cheira a você.
Ela subiu no banco de trás com a mulher do patrão pensando que ia me procurar. Desceu pensando em quando poderia vê-la de novo.
Tirei a roupa por causa do calor, fechei os olhos e, de repente, ela estava ali, com sua lingerie preta, sentando sobre mim na minha cama vazia.
«Coloque a música que eu disse e comece a se despir devagar. Sem pressa: esta noite mando eu, mesmo que estejamos a centenas de quilômetros.»
A caixa escondida sob a árvore não era para mim. Era para ela, e quando ela me pediu para ensiná-la a usar, eu soube que a noite já não seria nada parecida com a que havíamos planejado.
Hesitei por alguns segundos, mas as taças já tinham falado por mim. Tirei o vestido, sentei no sofá e deixei as outras se acomodarem no chão para olhar.
Renata entrou no gabinete esperando uma suspensão. A decana trancou a porta, mandou que ela se levantasse e disse que o castigo seria bem diferente.
Eu estava entediada, estressada e com tesão quando uma garota de cabelo lavanda apareceu no meu privado e perguntou se eu queria mais que um simples chat de jogo.
Senti o clique da tranca atrás de mim. Quando me virei, ela sorria com a calma de quem planejou cada passo desde o primeiro olhar na mesa.
Quando vi o rosto dela na câmera do portal, soube que a presa tinha seguido o rastro até a caverna. Só faltava decidir se eu a deixava atravessar a linha.
Eu estava meio dormindo, me tocando, quando senti uma mão que não era a minha. O que veio depois quebrou todos os limites que eu achava respeitar.
A mãe dela nos viu brincando na cama e, em vez de gritar, sorriu pra mim. Naquela mesma noite entendi que naquela casa nada era inocente — e eu também não queria ser.
Achei que seria uma tarde tranquila diante da TV, até o pé descalço da minha meia-irmã começar a subir pela minha coxa e uma pergunta mudar tudo.
Apaguei a luz e, ao me ajeitar, senti um volume sob os lençóis: era o short que eu tinha emprestado. Levei-o ao rosto sem pensar e meu corpo entendeu antes da minha cabeça.
Conversávamos todos os dias há um ano. Na quinta noite em Sevilha, jogando no celular no sofá dela, toquei sua mão sem querer. Nenhuma de nós nunca tinha ficado com uma mulher.
Quando todas foram dormir, ela se aproximou do sofá, me olhou fixamente e disse algo que eu nunca esperei ouvir de uma amiga.
Compramos o cinto dizendo que era para praticar e depois ensinar eles. O que não esperávamos era acabar tremendo uma contra a outra.
A banheira estava pronta, eu fechei os olhos e, quando os abri, ela já estava nua no batente, oferecendo uma massagem que não acabou nos ombros.
Imagino uma mulher parecida comigo: a mesma pele macia, a mesma boca. Nos acariciamos devagar até não haver mais volta e eu finalmente realizo o que sonhei sozinha por tantas noites.
Estava sozinha naquele vilarejo perdido havia quase um ano. Até que duas amigas mais novas a convidaram para vinho, pizza e confissões que mudariam tudo.