O que uma travesti não esquece da sua primeira vez
Para o mundo, éramos dois amigos no bar. Só eu sabia que usava uma calcinha fio dental preta por baixo do jogger — e que ele também sabia.
Para o mundo, éramos dois amigos no bar. Só eu sabia que usava uma calcinha fio dental preta por baixo do jogger — e que ele também sabia.
Um vídeo de poucos segundos foi o bastante para fazer minhas pernas tremerem. Desde então, ensaio cada detalhe na mente: o quarto, ele e o que vem depois.
Rodrigo a segurava pelos quadris durante o treino e ela fingia não notar sua ereção. Quando encontrou as calcinhas dele no quarto, já não pôde ignorar o que estava acontecendo.
Naquela manhã, Rodrigo fechou a porta da sala dele e tirou uma pequena sacola dourada. Dentro havia algo que mudaria para sempre as manhãs do escritório.
Lorena tinha fama de gostar de mulheres. Eu nunca tinha dado importância, até aquela manhã de primavera em que nós duas ficamos presas.
Vinte anos, zero experiência e uma prima que o olhava como se soubesse exatamente o que ele tinha na cabeça. O verão prometia ser longo.
Quando eu disse que podia chamar alguém para acompanhá-lo, ele foi comprar cigarros. Trinta minutos depois, Sofía desceu a escada de salto.
A loja estava vazia e o garoto era jovem. Eu vinha imaginando aquele momento exato havia dias e não ia desperdiçá-lo.
Nos sentamos uma de frente para a outra com um martíni cada. Uma regra: olhar, falar, cheirar. Tocar, proibido. E ela tinha um cubinho de gelo na mão.
Subi no elevador de salto e peruca, rezando para não cruzar com ninguém. Ele abriu de roupão e me chamou de puta antes de eu dizer oi.
Eu já fazia tempo que queria fazer isso: escolher um homem em um lugar público e levá-lo para a cama. Naquela tarde no café, enfim tomei coragem.
Quando ela disse que eu a atraía, não acreditei. Depois veio a mensagem com o nome do hotel e a hora exata. Aí entendi que era tudo real.
Eu tinha um quarto secreto atrás da minha loja de lingerie. Naquela tarde, Andrés já estava nu quando eu cheguei. Não esperávamos mais ninguém.
Eu a encontrei no quintal me olhando com os olhos arregalados. Eu estava com a calcinha dela e a minissaia preta. Ela não gritou. Só sorriu e disse que sempre quis ter uma irmãzinha.
Sair de tanga e sutiã sob as leggings era meu ritual secreto. Eu não esperava que alguém tivesse coragem de me seguir. Nem que eu quisesse tanto que isso acontecesse.
Eu morava na fazenda e podia usar roupa de mulher o dia inteiro sem ninguém me incomodar. Até que um desconhecido escreveu dizendo que gostava das minhas fotos.
A primeira vez que calcei um par de saltos alheios soube que a imagem no espelho era a versão mais honesta de mim mesma. Levei anos para aceitar.
O chat pegava fogo com fotos de lingerie e promessas de fogo. Seis pessoas, três casais, uma cabana. O que aconteceu naquele fim de semana não contamos a mais ninguém.
Estávamos completamente nuas, com as pernas cruzadas e as xícaras na mão, e foi aí que Sofía me perguntou se eu queria morar com ela.
Apertei a campainha com os dedos trêmulos. Sabia que do outro lado daquela porta me esperava alguém capaz de me transformar no que eu sempre sonhei ser.