A primeira vez que me fizeram mulher
Passei meses trocando mensagens com ele, sem saber se teria coragem. O dia chegou, e subi no táxi com as mãos tremendo e as meias na mochila.
Passei meses trocando mensagens com ele, sem saber se teria coragem. O dia chegou, e subi no táxi com as mãos tremendo e as meias na mochila.
Vinte anos, zero experiência e uma prima que o olhava como se soubesse exatamente o que ele tinha na cabeça. O verão prometia ser longo.
A primeira vez que entrei eu não sabia o que acontecia no escuro. Uma mão estranha roçou minha perna e mudou tudo para sempre.
Um homem comum descobriu que, sob as roupas da esposa, vivia outra versão de si mesmo, pronta para sair quando veio o confinamento.
Fui de calcinha e meias de cinta-liga por baixo da calça, sem saber se ia acontecer algo. Naquela noite, aconteceu tudo.
Quando eu disse que podia chamar alguém para acompanhá-lo, ele foi comprar cigarros. Trinta minutos depois, Sofía desceu a escada de salto.
A loja estava vazia e o garoto era jovem. Eu vinha imaginando aquele momento exato havia dias e não ia desperdiçá-lo.
Aquela semana inteira dormimos mal. Sabíamos o que nos esperava no sábado, e essa certeza transformava cada noite no prenúncio de algo que nenhum dos dois tinha coragem de nomear em voz alta.
Deitada na cama do hotel, com os olhos vendados, você ouve alguém entrar no quarto. Não sabe se é homem ou mulher. Só sabe que vocês estavam olhando perfis no aplicativo uma hora atrás.
Nunca tinha saído vestida para a rua. Naquela sexta, decidi que era a hora: minissaia, salto e o vagão mais lotado do ano. O que aconteceu superou tudo.
Eu a conhecia desde os dezessete. Contava tudo a ela. E naquela tarde, enquanto eu subia o zíper do vestido, entendi que também queria beijá-la.
Nunca pensei que atravessar a porta de um bar discreto usando a roupa íntima da minha esposa acabaria me levando a um quarto de hotel com um desconhecido.
Desfiz minha mala sem saber que uma gaveta do armário guardava algo que mudaria o rumo daquele fim de semana na casa da família da minha namorada.
Nos sentamos uma de frente para a outra com um martíni cada. Uma regra: olhar, falar, cheirar. Tocar, proibido. E ela tinha um cubinho de gelo na mão.
Subi no elevador de salto e peruca, rezando para não cruzar com ninguém. Ele abriu de roupão e me chamou de puta antes de eu dizer oi.
Me olhei no espelho com a lingerie dela, os saltos e os lábios pintados, e soube que não podia ficar em casa. Eram duas da manhã.
Quando saí do banheiro com saltos, meias e baby doll vermelho, a cara dele disse tudo: eu já não era a «filha» do seu melhor amigo, era outra coisa.
Ela só veio me trazer uns papéis. Quando se sentou no sofá e cruzou as pernas, eu soube que o problema seria meu, não dela.
Quando ela saiu do banheiro com a roupa que eu tinha deixado sobre a cama, soube que naquela tarde obedeceria a cada ordem sem reclamar.
Lembro de cada nome, cada quarto e cada beijo. Mas ela me olha como se eu tivesse inventado todas as pessoas com quem passei a noite.