Minha confissão: aquela viagem à costa com meu chefe
Juro que, quando entrei no avião, só pensava em fechar o negócio. Não imaginei que naquela noite eu fosse me perder a mim mesma e a nós.
Juro que, quando entrei no avião, só pensava em fechar o negócio. Não imaginei que naquela noite eu fosse me perder a mim mesma e a nós.
Minha filha largou a taça, tirou a meia-calça no sofá e me olhou com um sorriso que eu não via havia dez anos. Lá fora, a primeira nevasca do inverno se acumulava no sótão.
Eu achava que era só uma brincadeira, até que ela me levou ao apartamento dela sem pedir licença e eu entendi que a noite não terminaria com uma taça.
Eu já levava metade da vida com a mesma mulher quando aquela desconhecida de estampa de leopardo sentou ao meu lado e me olhou como ninguém me olhava havia anos.
Guardei os números na gaveta e soube que não ligaria. Mas também soube que meu marido nunca mais me tocaria como antes daquela noite em alto-mar.
Deixei a xícara na mesinha, ajoelhei ao lado da cama e entendi que naquela manhã nada nunca mais seria como antes naquela casa.
Eu tinha dezoito anos e nunca tinha ficado com ninguém. A tia da minha mãe acabou dormindo ao meu lado naquela noite, e tudo o que eu achava saber sobre desejo se quebrou em silêncio.
Minha mãe tinha me mandado pedir uns ovos emprestados. Dona Marisol abriu a porta de robe, com o cabelo ainda molhado, e me olhou de um jeito que eu nunca esqueceria.
Passei vinte e oito anos casada com um homem que me tratava como um móvel. Aos cinquenta e dois, um entregador tocou a campainha e me devolveu coisas que eu nem sabia que estavam perdidas.
Abri as cortinas, acendi a luminária do canto e soube que ele estaria espiando da varanda vizinha. Naquela noite íamos dar a ele algo que não ousaria pedir.
Subi ao terceiro andar para bisbilhotar e acabei trancada num armário, espionando uma madrugada proibida que mudaria tudo o que eu pensava do desejo.
Lucía nunca contava essa parte. Naquela quinta-feira, ela se vestiu como só ela sabia e soube que aquele sobrinho virgem não sairia de casa sem lhe deixar algo dentro.
Havia cinco assentos vazios no ônibus e mesmo assim ela escolheu o meu. Sorriu, ajeitou o xale sobre o colo, e eu soube que algo ia começar antes de sair.
Eu a observava havia semanas da mesa do canto, com uma calma que bagunçava algo dentro de mim. Quando ela se sentou na minha frente no meu descanso, não veio sozinha.
Cada vez que entro num provador, deixo a cortina só um pouco aberta. Quem olha do outro lado nunca imagina que eu estou esperando por ela. E quase sempre alguma entra no jogo.
Desci para a sala depois da meia-noite e vi os dois, nus, sobre o sofá. Minha mãe virou a cabeça e não havia vergonha, só irritação.
Quando desci descalça para a cozinha às três da manhã, meu filho já estava lá sem camisa, me olhando como um homem, não como um menino, e eu soube que aquela noite eu cederia.
Ninguém esperava que eu voltasse tão cedo. O que vi naquela garagem — minha mãe, sem camiseta, com os punhos enfaixados — não dava para desaprender.
Achei que a sesta deixaria a praia vazia. Quando voltei do mar, ela tinha uma mão dentro do biquíni e os olhos fechados, sem notar que eu a observava.
Subi ao banheiro com a calcinha de Camila ainda morna entre as mãos. Eu não imaginava que, minutos depois, sua mãe estaria ajoelhada diante de mim.