O que imaginei no metrô me seguiu até em casa
Fechei a porta e liguei o notebook para deixar a imaginação terminar o que um desconhecido tinha começado no meio da multidão da plataforma.
Fechei a porta e liguei o notebook para deixar a imaginação terminar o que um desconhecido tinha começado no meio da multidão da plataforma.
Espiei sem pensar e vi os três tomando banho nus na piscina do vizinho. Naquela mesma noite entendi que olhar escondido também podia ser uma forma de tocar.
Só queria descansar um pouco na maca. Não imaginei que terminaria com a mão dentro da roupa, mordendo o lábio para ninguém no corredor me ouvir.
Fechei o notebook, entrei debaixo da água sem pensar em nada e, quando a esponja roçou meus seios, soube que aquele banho não seria como os outros.
Nunca tinha me tocado. Mas naquela noite, com a tela do celular iluminando meu rosto, meus dedos desceram sozinhos e eu não quis que parassem.
Sabia que estava sozinha no apartamento. Por isso, quando desceu a caixa preta que as amigas lhe deram, já não pensava nos apontamentos sobre a escrivaninha.
Naquela manhã ela acreditava estar sozinha. Tranquei o escritório, pedi que não me passassem ligações e abri o aplicativo justo quando ela entrou no quarto.
Ela abriu as pernas no chão da sala e me lançou um desafio que eu não soube recusar: me mostra, e se toca pra mim. A amiga dela continuava dormindo no sofá.
Chego em casa, fico nua no sofá e perco a conta. É minha rotina, meu segredo, a única coisa de que realmente preciso no fim do dia.
Baixei as persianas, desliguei o celular e, pela primeira vez, não parei para pensar no que era certo. Só segui o que meu corpo me pedia havia semanas.
Eu estava sozinho, o calor era insuportável e a água corria morna sobre a minha pele. Então me ocorreu algo que eu fantasiava havia meses e nunca tinha coragem de fazer.
Cheguei quarenta minutos adiantada, desliguei o motor no estacionamento subterrâneo e então o cheiro daquela madrugada voltou a mim como uma corrente.
Liguei o vibrador, abri o jogo de bingo e me prometi uma regra para cada bolinha. O que aconteceu depois levei semanas para contar a alguém.
Nunca pensei que ver uma desconhecida se tocar ao amanhecer acenderia em mim um desejo tão forte que, naquela mesma noite, eu acabaria num parque, perdendo toda a vergonha.
Tenho vinte e quatro anos e ainda estou aprendendo o que me acende. Naquela tarde, com a mão no meu pescoço, descobri algo que eu não sabia que precisava.
Três manhãs por semana ela limpava o corredor bem do outro lado da minha escrivaninha. E três manhãs por semana eu aprendi a não desviar os olhos do vidro.
Demorou dois dias para chegar e, nesses dois dias, eu não pensei em outra coisa. Quando finalmente abri a caixa, soube que naquela noite ia me conhecer de um jeito novo.
Tranquei a porta, respirei fundo e me disse que naquela tarde finalmente ia descobrir do que meu corpo era capaz quando ninguém me olhava.
Começou como um jogo solitário à meia-noite. Quando terminei, tinha descoberto algo sobre meu próprio prazer que eu jamais conseguiria fingir que não sabia.
Eu esperava a casa ficar em silêncio para apagar a luz, abrir a gaveta e descobrir até onde eu era capaz de chegar sozinha.