O que despertou entre minha prima e eu na piscina
Ela nadou até mim sem deixar de me olhar e, na água morna do entardecer, entendi que aquilo que sentimos quando crianças nunca tinha ido embora de verdade.
Ela nadou até mim sem deixar de me olhar e, na água morna do entardecer, entendi que aquilo que sentimos quando crianças nunca tinha ido embora de verdade.
Toda a minha vida achei que pertencia só a ele. Na tarde em que ele entrou na direção e me encontrou sobre a mesa, descobri o quanto ele gostava de me ver com outro.
Voltava ao confessionário toda semana pelo mesmo motivo, e sempre calava a parte mais importante: o homem do outro lado da grade era dono de todos os seus pecados.
Cheguei em casa, joguei os saltos pelo ar e deixei minha imaginação fazer o que eu jamais me atreveria a fazer no escritório.
Tinha o coração acelerado e os lençóis encharcados aos sete graus da madrugada. O problema não era o frio: era com quem ele tinha sonhado.
A loja estava fechada e ela tinha a manhã livre. O motorista percebeu antes dela, e aquele sorriso no espelho fez ela pensar coisas que não devia.
Compartilhávamos corredor, elevador e cafeteira, mas nunca uma palavra de verdade. Só o que cada um imaginava quando o outro virava as costas.
O testamento dizia que a fortuna da minha família tinha sido construída entre as pernas da minha mãe. Naquela mesma noite entendi que agora era minha vez.
Desci descalça à capela à meia-noite para pedir perdão pelos meus sonhos. Não imaginava que algo me esperava enroscado nas sombras, pronto para me ensinar o que meu corpo calava.
Tropecei na raiz e, antes de me levantar, ela já estava sobre mim. Sua pele fria roçou a minha e eu soube que aquela noite eu não sairia da floresta sendo o mesmo.
Ela foi ao claro em busca de silêncio e encontrou tochas, corpos nus e dezenas de máscaras de cervo que a esperavam como se sempre soubessem que naquela noite ela voltaria.
Ninguém acreditou que a besta existia. Por isso ele voltou ao monte para procurá-la, mesmo que isso significasse se perder para sempre na neve e nas garras dela.
Dei dois beijos nele na frente da mãe dele e, sem que ninguém percebesse, decidi entrar no jogo até onde nenhum de nós imaginava chegar naquela manhã.
Nunca tinha contado a ninguém que meu corpo não respondia. Confessei isso a ela, a amiga da minha mãe, sem imaginar que acabaria me ensinando tudo o que me faltava.
Chegou ao covil reduzido a pouco mais que um esqueleto acorrentado. A loba prometeu ensinar-lhe o que significava servi-la... e ele aprendeu melhor do que ela esperava.
Acordei sem um arranhão numa cama que não era minha, curada por um desconhecido de beleza impossível. O que ele não me contou foi o que essa cura fez com meu corpo... e com meu desejo.
Quando a janela do sótão cedeu ao vento, ele já não viu a criada que servia seu café: viu a mulher ensopada que sustentava seu mundo inteiro.
Minha amiga achou que a gente tinha saído para tomar ar. Eu já tinha escolhido minha presa: o moreno que brincava com o filho a dez metros de nós.
Quando o trem partiu sem mim, achei que a noite estava perdida. Então o vi do outro lado da plataforma, imóvel, me olhando como se me esperasse desde sempre.
— Você não precisa acreditar que consegue — sussurrou ao ouvido dela—. Eu acredito. Seu único trabalho esta noite é se render e deixar seu corpo obedecer.